Entrevista da Semana
FOTO: André Henriques/DGABC

Ex-candidato a prefeito de Santo André e atual secretário da Pessoa com Deficiência, Eduardo Leite (PSB) afirma que seu foco, neste momento, está totalmente voltado à atuação no Executivo, onde passou a integrar o primeiro escalão do governo do prefeito Gilvan Ferreira (PSDB). Segundo o secretário, a prioridade é somar com a gestão e contribuir para o fortalecimento das políticas públicas de inclusão, transformando ações já existentes em iniciativas estruturais e permanentes. Leite destaca ainda que o período em que atuou em outras cidades foi fundamental para reforçar a percepção de como Santo André é uma cidade incrível.
O sr. assume agora a Secretaria da Pessoa com Deficiência. Quais serão as primeiras ações à frente da Pasta?
O primeiro passo será me aproximar da equipe e reconhecer que já existe um trabalho importante sendo desenvolvido, inclusive amplamente reconhecido pela cidade. A ideia é realizar um diagnóstico das principais ações que já vêm sendo executadas, dialogar com a equipe e, a partir disso, planejar novas iniciativas. Também será fundamental ouvir o prefeito e entender suas expectativas em relação às políticas públicas para as pessoas com deficiência que ele pretende implementar no município.
O relacionamento com o prefeito Gilvan Ferreira (PSDB) é anterior ao convite para integrar o governo. Porém, como o senhor analisa seu primeiro ano de mandato?
É um prefeito jovem. Vem demonstrando grande capacidade de gerir uma cidade do porte de Santo André, dando sequência àquelas ações aprovadas pela população, iniciadas no governo do ex-prefeito Paulo Serra (PSDB), que foi reconhecido pela cidade quando foi reeleito e também ao contribuir para a eleição do sucessor, Gilvan. Diante dos desafios econômicos – alguns que extrapolam os limites do município –, tem buscado fazer o melhor por Santo André. Vejo muita sinceridade nele. Muita vontade de contribuir para que a cidade se torne cada vez melhor, e é por essa razão que decidimos nos somar a ele, dentro das nossas possibilidades, para dar uma contribuição a Santo André.<EM>
Com a ida para a Secretaria, o senhor, que havia se colocado como pré-candidato a deputado estadual, mudou seus planos eleitorais.
O meu desejo pessoal era disputar as eleições, mas eu não sou movido apenas por desejos individuais na política. Faço parte de um grupo que me ajudou muito durante o meu mandato e que sempre contribuiu com a minha trajetória política. Quando recebi o convite do prefeito, tive o cuidado de escutar as pessoas, ouvir o meu grupo político, e praticamente houve um consenso de que deveríamos somar com o governo nos próximos anos, contribuindo para que a cidade continue avançando.
O senhor foi por um bom tempo vereador. Não existe vontade de retornar ao Legislativo?
Hoje penso que tenho de contribuir no Executivo. Quero ajudar o prefeito na minha secretaria, que é a da Pessoa com Deficiência. Precisamos transformar as políticas públicas de inclusão das pessoas com deficiência em políticas públicas estruturais, que permaneçam. Precisamos pensar muito e trabalhar muito para a inclusão das pessoas com deficiência no mercado de trabalho. Então, estou muito focado em dar o máximo de mim, para que a minha secretaria funcione, para dar continuidade ao que vem sendo feito pela equipe que está lá. Não desmereço o trabalho de ninguém; aliás, tenho só elogios. Temos limitações orçamentárias que precisamos equacionar. Isso tem a ver com episódios de décadas atrás e com vários outros fatores externos, mas precisamos buscar, cada vez mais, estruturar a Pasta. Acho que cumpri o meu papel na Câmara. Fui muito feliz. Gostaria de ver outras pessoas tendo essa oportunidade.
O senhor passou por outras cidades em São Paulo, como agora, em Cotia, e por Sorocaba, onde o prefeito Rodrigo Manga (Republicanos) foi afastado do cargo. Como o senhor avalia esse período?
O ano de 2025 foi de muito aprendizado para mim. Fiquei um tempo em Sorocaba, onde pedi exoneração. Foi uma decisão minha sair do governo, assim como está sendo uma decisão minha agora sair da administração de Cotia para poder somar aqui em Santo André, a cidade onde nasci, onde meus pais nasceram e que eu quero ver cada vez melhor. Além de fazer bons amigos por onde passei, levei experiências da nossa cidade e também aprendi com novas vivências, o que serviu para aumentar ainda mais o meu amor pela minha cidade. Sem dúvida, Santo André é uma cidade incrível quando se olha de fora, principalmente no meu caso, que tenho muitas raízes aqui. Fez falta o contato com as pessoas com quem convivi, que estudei e trabalhei. No período em que fiquei na Câmara também fiz muitas amizades. Isso fez muita falta durante o tempo que trabalhei em outros municípios. Não desmerecendo a oportunidade que tive em cada lugar, mas não adianta. Santo André é a minha cidade.
Falando nas eleições em âmbito estadual, o senhor foi do PT. Como vê essa disposição do partido em colocar o nome do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, na disputa pelo governo do Estado de São Paulo?
Hoje o presidente (Luiz Inácio) Lula (da Silva) tem a opção de mais de uma candidatura ao governo de São Paulo, o que é um privilégio poder escolher. Poder contar com Haddad é um diferencial. O Geraldo (Alckmin-PSB) já disse que prefere continuar na vice-presidência da República. Tenho visto matérias falando sobre a candidatura da Simone Tebet (ministra do Planejamento) e do (ministro do Empreendedorismo) Márcio França (PSB), que foi governador de São Paulo e é uma figura muito querida aqui no Estado. Então, acho que é um privilégio o presidente Lula contar com a possibilidade de ter um desses três nomes. Dos três, acredito que um será candidato a governador e dois podem disputar o Senado. Isso já dá muita tranquilidade para o presidente conseguir montar uma chapa estruturada aqui no Estado.
O Alckmin possui grande experiência e teve um papel preponderante em relação ao tarifaço aos produtos brasileiros implementado pelo governo dos Estados Unidos. Não seria um nome mais forte para concorrer com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos)?
O Alckmin já demonstrou que quer continuar como vice-presidente. Vi, outro dia, uma entrevista dele dizendo que, se não for vice-presidente, prefere voltar a capinar em Pindamonhangaba. Então, defendo que continue sendo vice-presidente, porque tem uma importância muito grande. Quando o presidente norte-americano Donald Trump implementou o tarifaço contra o Brasil, o Alckmin se mostrou uma pessoa com incrível habilidade de diálogo com diversos setores, em uma situação adversa. Manteve a tranquilidade, defendendo os nossos interesses, sem cair nas armadilhas que estavam sendo colocadas pelo governo americano contra o Brasil de maneira injusta.
O ex-prefeito Paulo Serra é uma liderança muito importante do Grande ABC e, inclusive, aparece em pesquisas de intenção de votos para governador. Como avalia o papel dele hoje?
Paulo Serra se consolidou como uma liderança importante da cidade e ainda tem a possibilidade de alçar voos maiores, mas ele também pode ser candidato a deputado federal. Não tenho dúvidas de que a eleição do Paulo Serra em 2026 vai ser muito importante para Santo André, para termos um deputado federal que olhe e se preocupe com a cidade, que traga recursos e coloque o mandato à disposição do município. Isso será muito importante para Santo André.
Pensando mais à frente, há possibilidade de uma candidatura ou até uma dobrada com Gilvan em 2028?
Hoje meu foco é contribuir com a cidade e chegar a 2028 com um governo reconhecido pela população. A partir do momento em que estou somando com o prefeito Gilvan, vou trabalhar para isso. Por enquanto, não estou preocupado com as eleições de 2028.
Quais projeções o sr. faz para seu partido nas eleições deste ano e para 2028?
Acho que o PSB tem tudo para avançar nestas eleições. Acho importante que partidos de centro-esquerda avancem neste pleito, para podermos diminuir a polarização que existe hoje no País. Não considero isso saudável, e o PSB está se preparando para esse cenário. Temos candidaturas fortes no partido. Hoje, o PSB tem dois deputados federais, mas tudo indica que pode aumentar sua bancada no Estado de São Paulo nas próximas eleições e alcançar bons resultados em outros Estados do Brasil.
Qual a diferença do Eduardo vereador, do Eduardo ex-prefeiturável e agora do Eduardo secretário?
Em cada uma dessas etapas tive muitas oportunidades de aprendizado. Diria que o período em que fiquei na Câmara me aproximou muito da cidade. Pude evoluir muito politicamente, porque era o dia inteiro discutindo os problemas de Santo André. A campanha a prefeito me aproximou ainda mais da população, com outro olhar, outra visão: a visão de um gestor. Antes, era a visão de agente fiscalizador, propositivo, sem a responsabilidade de governar. Quando você faz uma campanha de prefeito, passa a ter de apresentar ações para a cidade e lembrar que, depois, vai ter a responsabilidade de executá-las e administrar um orçamento. Agora, com essa oportunidade de atuar como secretário na nossa cidade, estou bastante ansioso para começar e poder te responder daqui a um tempo.
Para encerrar, qual foi o maior desafio da sua trajetória política?
Sem dúvida, a perda do meu pai. Sempre foi minha maior referência. Perder essa referência, seu aconselhamento diário, foi, sem dúvida, o momento mais difícil que atravessei em toda a minha trajetória.
Raio-X
Nome: Eduardo Marchiori Leite da Silva
Aniversário: 4 de janeiro
Onde nasceu: Santo André
Onde mora: Santo André
Formação: Advogado
Um lugar: Santo André
Time do coração: Corinthians
Alguém que admira: Meus pais
Um livro: Sapiens: Uma Breve História da Humanidade, de Yuval Noah Harari
Uma música: Divina Comédia Humana, de Belchior
Um filme: Forrest Gump, dirigido por Robert Zemeckis, 1994
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