Mudanças Intervenção ocorre durante a madrugada; Ecovias diz que início do sistema é previsto para 1° de julho, mas que pode ser antecipado
FOTO: Claudinei Plaza/DGABC

A modernização do sistema de cobrança de pedágio no SAI (Sistema Anchieta-Imigrantes) começou a sair do papel no sábado (7), com o início da instalação do primeiro pórtico do pedágio eletrônico, conhecido como free flow, no km 33 da Via Anchieta. A intervenção será realizada sempre durante a madrugada, a partir das 23h, para minimizar o impacto ao tráfego, segundo a concessionária Ecovias Imigrantes.
Neste primeiro momento, o pórtico será apenas posicionado e permanecerá inativo, sem cobrança. Os equipamentos servirão inicialmente para monitoramento e testes de câmeras, sensores e antenas. O pagamento do pedágio continua sendo realizado apenas na praça existente.
A previsão é que o novo sistema entre em operação a partir de 1º de julho, podendo ser antecipado conforme tratativas com o governo estadual.
A mudança prevê a substituição das atuais praças físicas de pedágio, localizadas hoje no km 31 da Anchieta e no km 32 da Rodovia dos Imigrantes, pelo modelo eletrônico que dispensa a parada dos veículos. Na Imigrantes, os pórticos serão instalados até o fim de fevereiro no km 29, em ambos os sentidos, também sem início imediato da cobrança.
Quando o sistema estiver em funcionamento, a tarifa atual de R$ 38,70 passará a ser cobrada de forma bidirecional, com R$ 19,35 na descida (sentido Litoral) e R$ 19,35 na subida (sentido Capital). O usuário pagará apenas no sentido em que trafegar. Motociclistas continuam isentos, conforme as regras vigentes.
SEM REAJUSTE
A concessionária informou que não há previsão de aumento da tarifa com a entrega do free flow. Segundo o advogado especialista em trânsito e ex-policial rodoviário André Gomes Bertucci, eventuais aumentos dependem exclusivamente do que está previsto nos contratos de concessão.
“Normalmente há uma correção anual, que pode ser baseada em índices econômicos ou nos custos da concessionária. Essa correção pode ser sobre um índice pré-definido como ou se vai ser com relação aos custos da Ecovias, mas é critério da concessionária, pode aumentar ou não”, explicou.
Bertucci acrescenta que o modelo eletrônico ajuda a reduzir custos operacionais. “Não faz mais sentido manter cabines físicas com a tecnologia que temos hoje. O pedágio eletrônico tende a ser mais barato de operar, o que poderia refletir em menos reajustes no futuro”, avaliou.
Para o consultor de trânsito e professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Creso Peixoto, o sistema deve reduzir os congestionamentos históricos na passagem da serra. “Menos praças físicas significam menor variação de velocidade, o que contribui para a redução da concentração de acidentes”, afirmou.
Ele pondera, no entanto, que o período de adaptação exige atenção. “Até o sistema ser plenamente conhecido, pode haver distração de motoristas curiosos e dificuldades de pagamento por parte de quem não está familiarizado com o modelo, como já ocorreu em outros trechos com free flow”, alertou Peixoto.
A diretora da Artesp, Raquel Carneiro, destaca que a mudança representa uma maior justiça tarifária. “A gente deixa de cobrar a tarifa apenas na descida e divide o valor entre descida e subida. Isso faz bastante diferença para o usuário da rodovia”, explicou.
Os motoristas que utilizam tag eletrônica terão o valor debitado automaticamente. Já quem não possui o dispositivo poderá pagar posteriormente pelo site (sigafacil.sp.gov.br), com opções de cartão de crédito, débito ou Pix.
REPASSE
A Ecovias Imigrantes foi incluída em um pacote de aditivos contratuais autorizado pelo governo do Estado. No caso do SAI, o repasse previsto é de aproximadamente R$ 137 milhões, valor destinado à recomposição do equilíbrio econômico-financeiro do contrato de concessão.
Segundo a Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo), o desequilíbrio decorre principalmente da queda na arrecadação tarifária provocada pelos efeitos da pandemia de Covid-19, no período entre março de 2020 e dezembro de 2022.
Em dezembro do ano passado, a própria agência reconheceu oficialmente esse impacto, apontando o desequilíbrio econômico-financeiro, atualizado para valores de julho de 2025, correspondente ao montante de R$ 138 milhões, líquidos de impostos.
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