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Restaurador conserva máquina do tempo em Santo André

Há 17 anos, Glauber Cunha possui o ateliê Jardins de Manacá, que reúne peças raras e que marcam épocas

08/02/2026 | 09:28
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FOTO: André Henriques/DGABC
FOTO: André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


É na Rua dos Coqueiros, no bairro Campestre, em Santo André, que uma oficina transforma a rotina urbana em uma viagem por décadas e até mesmo séculos passados. Desde 2009, o restaurador e artista Glauber Cunha, 47 anos, mantém o ateliê Jardins de Manacá, que possui antiguidades dos mais variados tipos, tamanhos e utilidades.

Logo na entrada da loja, já é possível ver a proposta do proprietário: um verdadeiro túnel do tempo para os apreciadores. O estabelecimento traz a história de móveis, cadeiras de balanço, esculturas antigas, itens raros e até mesmo brinquedos que marcaram uma geração, como o pogobol e o boneco Fofão. Além disso, o dono carrega a frase “Tudo à venda” como slogan.

Nascido na Paraíba, Cunha conta que sua história com peças antigas começou quando ainda era pequeno, mas profissionalmente foi após se mudar para São Paulo. “Faz mais de 15 anos que cheguei aqui. Quando vim para cá, observei que muitos móveis ficavam jogados na rua, porque estavam quebrados. Passei um Carnaval aqui e fiquei de vez, mas não tinha mobília em casa. Fui pegando essas peças descartadas e, com meu dom, fui restaurando”, lembra.

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Por seu pai, Paulo Estevão, 71, ter auxiliado na oficina por um período, o restaurador acredita que herdou as habilidades nas ferramentas. “Antes de abrir meu ateliê, trabalhei em escritório. Mas no meu tempo ocioso ficava consertando as coisas. Foi daí que falei com meus amigos. Quando visitaram minha casa, eles olhavam e diziam que eu tinha coisas riquíssimas, aí o pessoal começou a pedir para arrumar alguns objetos também. Para mim, era um desafio e queria resolver um atrás do outro”, comenta.

Com desejo de fazer o que realmente ama, o paraibano pediu demissão de seu antigo emprego, onde atuava como administrador de empresas, e começou seu ateliê.

Contudo, Cunha não apenas encontra as raridades e restaura, mas também coloca sua visão artística sobre os itens. Atualmente, o Jardins de Manacá recebe propostas de todo o Brasil. “Ofereço um trabalho personalizado, vamos escolher tecidos, texturas e cores. Assim, junto diferentes peças em um só modelo. Minha felicidade não está apenas quando o Pix canta, mas na hora em que entrego o trabalho. Quando escuto a pessoa falar ‘isso era da minha mãe, estava abandonado’, vejo que todo o sacrifício valeu a pena. Essa é a essência do restaurador.”

De acordo com ele, a restauração tem quatro principais etapas: desmonte para avaliação; limpeza; lixamento e correções e a personalização do cliente.

No acervo do Jardins de Manacá, os itens mais antigos são móveis do século XVIII, uma vitrola de 1918 e moedas datadas de 1903. Mas, a especialidade da casa são as cadeiras de balanço e palha da Thonart, fabricante de 117 anos de história.

Atualmente, Cunha está focado em trabalhos nas vitrolas valvuladas, famosos aparelhos de som para disco de vinil. “Acabo realizando todos meus desejos de antiguidades. Mas nesse exato momento, estou apaixonado pelas vitrolas da Telefunken e Zenith. São peças raras e têm um valor comercial que pode chegar até R$ 12 mil. Hoje, não é tão difícil colocar essas peças funcionando, porque criei uma comunidade de profissionais raros”, complementa.

PARANAPIACABA

O restaurador Glauber Cunha também coloca sua genialidade na história de Paranapiacaba, em Santo André. Junto à subprefeitura da vila, o artista renova algumas peças do local.

“Tenho feito a parte de mobiliário de Paranapiacaba. Todos os móveis do gabinete histórico da subprefeitura foram eu que fiz. O subprefeito Fabio Picarelli me colocou à frente para garimpar o acervo. Então, procuro peças de outros locais, trago e restauro para Paranapiacaba”, diz Cunha.

Além do gabinete histórico, o restaurador também realiza trabalhos para o Museu Castelinho e o Museu Charles Miller. “Uma parte interessante para mim, como pesquisador, é poder participar dos bastidores e da história do local”, explica.

Para ele, o mundo das antiguidades não é uma profissão, e sim o lazer da vida. “Isso é o que me encanta e me orgulha. É maravilhoso viver do seu dom. É o reconhecimento de um menino da Paraíba que gostava de brincar de ferramentas e solucionar coisas, isso é a essência”, conclui emocionado Glauber Cunha.

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