Luta contra dependência química Especialista explica que o uso de substâncias afeta diretamente a saúde mental dos usuários
FOTO: Denis Maciel/DGABC

Os oito Caps AD (Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas) do Grande ABC registram média mensal de 15.216 atendimentos de pacientes em luta contra a dependência química. Segundo as prefeituras de seis cidades, foram 182.598 consultas do tipo ao longo de 2025. Rio Grande da Serra não informou os dados.
No ano passado, os atendimentos gerais somaram 839.579 registros. Desse total, as ações direcionadas ao uso abusivo de substâncias corresponderam a 21% dos serviços realizados no Grande ABC.
Os atendimentos AD tiveram uma redução de 4,5%, fechando em 191.227 em 2024. As consultas gerais também acompanharam a queda, com variação de 1%, contabilizando 851.337.
Os Caps AD funcionam como equipamentos de saúde pública para reabilitação, tratamento e inserção de pessoas com problemas derivados da utilização descontrolada de agentes psicoativos.
O coordenador de Saúde Mental de Santo André, Vinícius Atalaia, comentou que a dependência química pode causar problemas severos no bem-estar mental das pessoas.
“Quando o usuário passa a viver sua vida em decorrência do uso da substância, ele tem um estreitamento de repertório. Se antes sentia prazer no lazer, no trabalho, na família ou em outros setores da vida, a dependência faz com que esse sentimento se torne cada vez menor. Está ligado à saúde mental, tem um forte impacto na vida social”, explicou.
Além disso, o uso desenfreado pode gerar quadros de transtornos mentais, como ansiedade e depressão. “As pessoas são constituídas pela parte social, biológica e psíquica. Esse é o encontro, quando adiciona a substância, vai causar uma alteração em tudo isso”, acrescentou Atalaia.
O paciente e consultor financeiro Leandro Novaes (nome fictício para preservar a identidade do personagem), 47 anos, realiza tratamento por uso abusivo de álcool há quatro anos no Caps AD Bárbara da Silva Santos, localizado na Rua Venezuela, no bairro Jardim Bela Vista, em Santo André.
Ele comentou que seu problema começou com a ingestão de vinho no período noturno. “O uso abusivo foi desencadeado assim que me divorciei pela segunda vez. Começou com duas taças de vinho para dormir. Nunca fui de beber fora de casa, era para ajudar na insônia. Aí esse uso começou a se prolongar e depois passei para a vodca”, relatou o economista.
Quando Novaes percebeu que essa prática estava prejudicando seu convívio e também sua mente, procurou o Caps. “Não conseguia parar de jeito nenhum. Isso aumentou minha ansiedade, tive perdas financeiras e uma série de distúrbios psíquicos, como a depressão. Então procurei ajuda para sair do vício e me inserir novamente na sociedade”, comentou.
Na sua rotina, o paciente participa de atendimentos terapêuticos individuais e em grupo, de saraus musicais, de acompanhamento medicamentoso e de rodas de conversa voltadas ao planejamento do futuro.
O coordenador de Saúde Mental destacou esse conjunto de ações como fundamental. “Não é centrado exclusivamente no psicólogo e psiquiatra. Temos medicação, grupos verbais, cultura e arte e assistência social. São várias alternativas, porque cada história é única. Além disso, o acompanhamento familiar é de suma importância para o paciente”, completou Vinícius Atalaia.
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