Prevenção Fármaco é o único do mundo com apenas uma dose; imunização inicia somente em parte dos profissionais de saúde da rede municipal
FOTO: Celso Luiz/DGABC

As sete cidades do Grande ABC iniciam, na próxima segunda-feira (9), a aplicação da vacina contra a dengue Butantan-DV, inicialmente em parte dos profissionais de saúde da rede municipal. Desenvolvido pelo Instituto Butantan, o imunizante é o primeiro do mundo em dose única.
Para o início da campanha, o PNI (Programa Nacional de Imunizações) enviou 99 mil doses ao Estado, que conta, no total, com 216 mil profissionais da atenção básica, entre médicos, enfermeiros, agentes comunitários de saúde e agentes de endemias, que serão imunizados ao longo da ação.
A distribuição das doses foi coordenada pela Secretaria de Estado da Saúde, com envio aos municípios de acordo com critérios técnicos e a capacidade operacional de cada região. Santo André recebeu 883 doses, São Caetano 301, Diadema 800, e Ribeirão Pires, 100. Os demais municípios não confirmaram a quantidade recebida.
A região está vacinando desde 2024 crianças e adolescentes de 10 a 14 anos com a vacina QDenga®, produzida pelo laboratório japonês Takeda, aplicada em duas doses.
O infectologista e professor da Unesp (Universidade Estadual Paulista), Carlos Magno, esclarece que quando uma parte da população está vacinada, todos ficam protegidos por um processo chamado de imunidade de rebanho.
“Com alguns indivíduos vacinados, conseguimos ter uma proteção em todas as pessoas porque aquele vírus não vai circular. Assim, mesmo as que não se vacinaram acabam estando protegidas”, afirma.
Produzida em São Paulo, a vacina do Butantan induz proteção contra os quatro sorotipos do vírus transmissor da doença, em potencial para impactar diretamente a redução de casos graves da doença.
O imunizante é resultado de anos de pesquisa e inovação científica e representa um avanço relevante ao permitir uma imunização mais rápida da população, além de reduzir custos e simplificar a logística de aplicação.
Magno explica como a vacina age no corpo. “O imunizante possui o vírus atenuado, que ativa nosso sistema imune a produzir anticorpos. É como se o organismo já conhecesse aquele microrganismo. Então, quando ele tenta nos infectar, já temos uma proteção.”
EFICÁCIA
Antes de ampliar para os 645 municípios, o Governo de São Paulo iniciou a vacinação contra a dengue em Botucatu, município escolhido para o estudo do impacto da imunização com a Butantan-DV. A cidade foi selecionada pela estrutura da rede de saúde e pela experiência em campanhas de vacinação em larga escala, além da circulação recente do sorotipo DENV-3.
A aprovação da Butantan-DV é sustentada pelos resultados de cinco anos de acompanhamento dos voluntários do ensaio clínico de fase 3 encaminhados à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). No público de 12 a 59 anos, o imunizante mostrou 74,7% de eficácia geral e 91,6% de eficácia contra a dengue grave e com sinais de alarme.
CASOS
As sete cidades registraram 41 casos de dengue em 2026, de acordo com dados da Secretaria Estadual de Saúde até 5 de fevereiro. No mesmo período do ano passado, foram 576 registros. Não houve óbitos nestas primeiras cinco semanas de ambos os anos.
Nos 12 meses de 2025, a região contabilizou 14.442 ocorrências e dez mortes em decorrência da dengue. No ano anterior, 60.545 pessoas se contaminaram e 67 vieram a óbito
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