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Fim da Linha

05/02/2026 | 09:25
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FOTO: DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


A decisão da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) de deslocar à Linha 10-Turquesa composições velhas, retiradas de outros ramais, expõe lógica difícil de aceitar. O Grande ABC, polo industrial, gerador de empregos e responsável por fluxo diário intenso, recebe material de segunda mão enquanto outras áreas são priorizadas. A troca simboliza recuo na qualidade do serviço e reforça sensação de hierarquia entre usuários do mesmo sistema. Por qual razão quem depende do transporte ferroviário na região deve tolerar padrão inferior? A ausência de resposta da estatal amplia a percepção de desconsideração com uma população que contribui, paga tarifa e sustenta a operação.

Os relatos feitos à reportagem do Diário por quem utiliza o ramal mostram impacto direto na rotina. Falhas, paradas inesperadas e necessidade constante de reparos já fazem parte do trajeto, agora com risco ampliado. A substituição das composições não se resume a idade de frota, mas envolve tecnologia embarcada, circulação interna, comunicação ao passageiro e confiabilidade. Enquanto modelos incorporados recentemente permitem deslocamento entre carros e acesso a informações em tempo real, as unidades enviadas ao Grande ABC limitam mobilidade e reduzem a segurança durante o percurso. Não se trata de luxo, e sim de condição básica para quem passa horas semanais sobre trilhos.

Causa estranheza que justamente uma das regiões com maior demanda seja tratada como destino final de equipamentos descartados. O discurso de racionalização não convence quando o resultado prático é a transferência do desconforto para um território específico. Usuários não pedem privilégio, mas equilíbrio, planejamento e respeito. O transporte público deve integrar, não separar por critérios invisíveis. Ao aceitar esse arranjo, a CPTM legitima a ideia de que alguns merecem menos. Moradores do Grande ABC não querem ser conduzidos em latas-velhas; exigem serviço compatível com a importância que têm para o Estado. Afinal, pagam exatamente os mesmos R$ 5,40 de todo mundo pela passagem.

DGABC



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