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Veja a Palavra do Leitor do 'Diário' deste dia 4 de fevereiro de 2026

04/02/2026 | 08:35
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FOTO: DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


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Câmara envidraçada

“Câmara de São Caetano blinda vereadores com vidro’ (Política, dia 30). A Câmara Municipal de São Caetano sempre foi chamada de Casa do Povo, não por força de metáfora, mas por definição democrática. A Constituição afirma que todo poder emana do povo, princípio que não se esgota no voto nem se cumpre por transmissão ao vivo. Democracia exige algo mais incômodo: presença, acesso e convivência. A instalação de uma divisória física separando o plenário do público parece atualizar esse conceito na cidade. O cidadão continua convidado, desde que aceite o novo papel: assistir. Vê tudo, ouve tudo, reage à distância. A participação é cuidadosamente enquadrada. O princípio da publicidade, previsto no artigo 37 da Constituição, ganha uma versão minimalista: tudo é visível, desde que ninguém esteja perto demais. É aqui que a analogia com um ‘Big Brother do Legislativo’ deixa de ser exagero e vira descrição. No reality show, o público acompanha cada movimento pelas telas, comenta intensamente e jamais entra na casa. Importada para o Parlamento municipal, essa lógica transforma a democracia em espetáculo controlado, transparente no vidro, distante do contato. Defende-se a medida em nome da modernização e da ordem. Mas transparência não é vidro; é acesso. Publicidade não é audiência; é presença. O desconforto causado pelo olhar direto do cidadão não é falha do sistema, é a essência do mandato. Erguer barreiras entre representantes e representados não organiza o debate. Apenas organiza o afastamento. Modernizar a Câmara de São Caetano deveria significar aproximá-la do povo. Transformá-la num Big Brother é apenas um modo elegante de mantê-lo do lado de fora.

DGABC

Siomara Ferres

São Caetano

Corrupção no País

Os políticos corruptos, em todos os níveis, criaram a forma de coligação eleitoral para conquistar a maioria do eleitorado brasileiro não politizado, como também por meio de programas populistas, tomando e aparelhando o Estado no objetivo de permanecerem no poder ad aeternum. Vivemos tempo sombrio, época de vale-tudo. Desapareceram os homens públicos íntegros. Foram substituídos pelos políticos profissionais. Todos querem, na ânsia de enriquecer a qualquer custo. E rapidamente. Não importa os meios garantidos pela impunidade, sabem que, se forem apanhados, têm sempre banca de advogados interlocutora de poder Judiciário apodrecido, regiamente paga, com dinheiro abocanhado do erário, para livrá-los de alguma condenação. São anos marcados pela hipocrisia. O Brasil de hoje é sociedade inerte. Amorfia, sem capacidade de reação. É uma república de corruptos ávidos aliados a uma infinidade de partidos compostos de larápios vorazes. É triste ser testemunha histórica de tantos descalabros contra uma nação inteira. Infelizmente, estamos diante de milhares de gatunos do colarinho branco espalhados por todo Brasil, no comando em quase todos os níveis de governos e nos poderes Legislativo federal, estadual e municipal. Para que tanta ganância em detrimento dos mais vulneráveis da nação? De que adiantam então os bilhões desviados dos cofres públicos por milhares de gatunos disfarçados de homens públicos dispersos por todo Brasil? Nada! Quanta perversão cometida por esses corruptos voracíssimos, sem o mínimo de sentimento e vergonha! O que diria se ainda vivesse o genial pensador italiano Cesare Lombroso (século 19), psiquiatra e especialista em antropologia criminal, em sua acurada análise versando sobre o bando de meliantes brasileiros travestidos de ‘homens públicos’? Se houvesse a cadeira de antropologia criminal, este campo de estudos estaria bastante motivado, tendo em vista que com o desaparecimento dos valores morais e éticos, foram elevados à categoria de ‘excelência’ os que deveriam ser objeto de análise nesta área científica: os sociopatas e os de instintos perversos. Nunca na história de país algum existiu um governo com tantos meliantes, razão da criação do neologismo para designar o bando de madraços que fizeram do Brasil: a grande célula de corrupção.

Francisco Emídio Carneiro

São Bernardo




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