Editorial A mudança nas regras para obtenção da CNH (Carteira Nacional de Habilitação) já produz seus primeiros efeitos no Grande ABC. Dados do Detran-SP, expostos em reportagem nesta edição do Diário, mostram salto na procura logo no primeiro mês sob o novo modelo, movimento associado à redução de custos e à dispensa de etapas antes obrigatórias. O objetivo declarado da política pública, ao alcançar condutores que circulavam sem habilitação, dialoga com uma realidade conhecida. Ainda assim, números iniciais não esgotam a análise. Quando o acesso cresce aceleradamente, é preciso observar se o sistema de trânsito absorve todos os novos motoristas sem ampliar os riscos à sociedade.
Em vigor desde dezembro, a flexibilização transferiu ao candidato maior responsabilidade sobre o próprio aprendizado, com apoio digital e possibilidade de abrir mão das autoescolas. Na prática, porém, relatos apontam insegurança, dúvidas operacionais e busca por orientação privada. Profissionais do setor alertam para limites da capacitação em tempo reduzido, enquanto condutores experientes manifestam receio quanto ao preparo técnico. A retirada de exigências como a baliza em parte do País e o uso de veículo próprio nos exames alteram parâme-tros já então consolidados e que davam ao habilitado conhecimento técnico para conduzir veículos – que, em mãos ineptas, podem se tornar armas.
Necessário lembrar que a política pública não se encerra na assinatura da medida; ela se completa no acompanhamento de seus efeitos. Governos, órgãos fiscalizadores e o Congresso Nacional devem ficar de olho nas consequências da mudança, seja sobre segurança viária, seja sobre a qualidade da formação. Caso indicadores apontem aumento de ocorrências ou falhas no preparo, ajustes precisam ser considerados sem demora. Monitorar, corrigir e aprimorar fazem parte do dever público. A ampliação do acesso à carteira de motorista não pode caminhar dissociada da segurança. Esse equilíbrio requer vigilância permanente e disposição para agir. A hora é de atenção e cautela.
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