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Após mudança das regras, pedidos de CNH aumentam 41% em janeiro na região

No primeiro mês do ano, cidades somam 5.459 solicitações de permissão para dirigir contra 3.858 em 2025; aulas não são obrigatórias

03/02/2026 | 19:23
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FOTO: Claudinei Plaza/DGABC
FOTO: Claudinei Plaza/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O número de pedidos de CNH (Carteira Nacional de Habilitação) cresceu 41% no Grande ABC, de acordo com dados do Detran-SP (Departamento de Trânsito de São Paulo). Em janeiro deste ano, foram 5.459 solicitações, ante 3.858 no mesmo período de 2025. No Estado, os registros tiveram alta de 35%, e passaram de 18.270 para 24.640. O aumento ocorreu depois da mudança nas regras, que inclui a não obrigatoriedade das aulas teóricas e práticas.  

A alteração no processo de obtenção de permissão para dirigir foi uma proposta do ministro dos Transportes, Renan Filho, realizada em agosto de 2025. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou, no dia 10 de dezembro do ano passado, a medida provisória que cria o programa CNH do Brasil. 

Uma das justificativas para a alteração é que mais de 20 milhões de brasileiros conduzem veículos sem habilitação pelo alto custo. Sem as 45 horas de aulas - 25h teóricas e 20h práticas- obrigatórias, o valor de todo o processo, que demandaria somente o pagamento das taxas para a realização das provas, ficaria entre 80% e 90% mais barato. 

DGABC

O auxiliar administrativo de Mauá, Lucas Crispin, 20 anos, é um dos moradores da região que pretende aproveitar a flexibilidade nas regras e diminuição dos custos para obter sua CNH. “Além de facilitar o processo, os valores ficam mais acessíveis. Quero fazer a minha em breve. Ainda não sei dirigir, mas vou aprender com meu pai”, compartilha. 

Enquanto alguns não habilitados comemoram a decisão, quem circula pelo trânsito demonstra preocupação com o resultado a médio prazo. “Agora mais pessoas vão tirar carta e também vai ficar mais perigoso porque elas não estarão tão bem preparadas. Está muito fácil agora, quando tirei, em 2011, fui reprovada três vezes. Antes eles cobravam demais, até concordo que tinha que mudar, mas teria que ser um meio-termo”, afirma a técnica em Análises Clínicas de Mauá, Andreia Alves, 42.

“Mesmo com todos os requisitos que existiam na época, o trânsito já está um caos. Imagine agora com essas mudanças. Tirei minha habilitação em 1982, quando era bem mais difícil, e vejo que vai ser ainda mais complicado”, acrescenta a nutricionista aposentada de Mauá, Maria Socorro Freire de Andrade, 64 anos.

O diretor-geral da Autoescola Geração, em Santo André, Omar Marsura, sente os impactos das mudanças. “Nos procuram bastante para orçamento, mas não estão fechando. As pessoas não querem fazer mais horas de aula. 

No entanto, apenas 25% têm habilidade para aprender em menor tempo, a maioria precisa de mais treinamento. É impossível em seis aulas ensinar alguém a dirigir, aí oferecemos mais e acham que estamos querendo ganhar dinheiro. Há um custo alto para colocar um carro na rua, com combustível e instrutor”, justifica.

SEM ORIENTAÇÃO

O novo processo para solicitar a habilitação pode ser realizado de forma independente pelo candidato, que não precisa mais da autoescola. O site da CNH do Brasil, do Senatran (Secretaria Nacional de Trânsito) oferece um curso teórico gratuito e on-line, composto por vídeos e apostilas. Os exames médicos e provas podem ser agendados pela plataforma.

Porém, na prática, os futuros condutores estão recorrendo às autoescolas, de acordo com Marsura. “As pessoas ainda estão confusas com toda essa mudança e nos procuram porque não conseguem fazer as inscrições e cursos sozinhas, assim como agendar os exames”, define. 

BALIZA 

Manobra mais temida pelos condutores durante as provas práticas, a baliza não é mais obrigatória em dez estados brasileiros. No dia 26 de janeiro de 2026, o Detran-SP deixou de exigir o procedimento nos testes. 

O adestrador de Santo André, Lucas Euzébio, 26, não concorda com a flexibilidade. “Fazendo as aulas na autoescola já saímos com dificuldade para fazer baliza, assim como conduzir em ladeiras, imagina sem. Aprendi depois de habilitado, na prática, dirigindo nas ruas”. 

Outra mudança é a possibilidade de realizar a prova com veículo próprio, inclusive se for automático. “Utilizar o próprio carro ajuda porque quando fiz minha prova o modelo era bem diferente do treinei nas aulas práticas. Muda muito, embreagem, força, principalmente na hora de estacionar”, avalia o adestrador de Santo André. 


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