Na região Valor de compra de 34 produtos para uma família com quatro pessoas consumir por um mês chegou a R$ 1.122,73 em janeiro em Santo André
FOTO: Claudinei Plaza/DGABC

A cesta básica em Santo André atingiu o valor de R$ 1.122,73 em janeiro - o que compromete 70% do salário mínimo (R$ 1.621). O valor representa aumento de 0,33%, ou seja, R$ 3,69 em relação a dezembro e de 0,17% (equivalente a R$ 1,89) frente à mesma época do ano passado.
Os produtos que tiveram altas mais expressivas na comparação com o mesmo período de 2025 foram tomate (57,6%), creme dental de 90 gramas (48,68%) e sabão em pó (47,3%). Na contramão, a laranja teve o maior recuo, de 38,16%. Em fevereiro, hortaliças devem pressionar ainda mais os resultados.
Os dados são da Craisa (Companhia Regional de Abastecimento Integrado de Santo André), que acompanhou os preços de 34 produtos (alimentos, higiene pessoal e limpeza doméstica) em 16 supermercados da cidade. O levantamento é baseado no consumo de uma família de quatro pessoas, sendo dois adultos e duas crianças, em um período de 30 dias.
A técnica de enfermagem Marcela Oliveira, de 43 anos, do Jardim Alzira, afirma que tem sido difícil criar alternativas para economizar. Entre as possibilidades, ela prioriza a compra de hortaliças na feira e sacrifica gastos com lazer. “Parece que todos os preços aumentaram: arroz, feijão, açúcar, óleo de cozinha. Itens que não dá para substituir. Imagina trocar o café por chá, por exemplo. Não é a mesma coisa. Isso interfere nas outras contas. O jeito é não sair tanto de casa para não gastar além das despesas básicas.”
Em um ano, o café aumentou 19,51% e foi de R$ 26,79 para R$ 32,02. Já o feijão subiu 13,62% (de R$ 5,48 para R$ 6,22) e o arroz caiu 24,9% (de R$ 26,30 para R$ 19,75).
O aposentado Adilson Fava, 77 anos, do Bairro Campestre, tem deixado de comprar alguns itens para economizar no supermercado. “Eu vou em vários estabelecimentos e pesquiso o valor para saber onde compensa mais. Apesar disso, tudo está caro. O alface aumentou muito. O chuchu chegou a R$ 12, algo que antes era bem barato”, detalha.
Segundo ele, entre as frutas, o abacate foi o único que teve redução. “Estava R$ 18 no começo de janeiro e, agora, foi para R$ 6. Tenho trocado a carne vermelha pelo ovo para ver se a conta fecha no fim do mês.”
VARIAÇÃO MENSAL
A pesquisa identificou altas nos preços do alface, de 42,61% (R$ 3,37 para R$ 4,80) e do tomate, de 29,98% (indo de R$ 7,06 para R$ 9,18) na comparação entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026. A maior queda mensal foi no frango (coxa e sobrecoxa), com recuo de 15,39% (R$ 12,10 para R$ 10,24).
“Nessa época do ano, há aumento na demanda pelas saladas por causa do calor. Mas, as altas temperaturas e as fortes chuvas prejudicam o cultivo, colheita, transporte e até o armazenamento desses alimentos. Com a baixa oferta, os preços ficam maiores. O hortifruti ainda vai pressionar o custo total da cesta básica em fevereiro porque o clima permanece o mesmo”, pontua o engenheiro agrônomo responsável pelo estudo da Craisa, Fábio Vezzá de Benedetto.
De acordo com ele, o recuo no preço do frango é justificado pela alta produção durante as festas de fim de ano. “Existe um aumento para atender a população e, em janeiro, ainda há uma oferta abundante nos mercados. Isso mesmo com as exportações em alta.”
Para as próximas semanas, o engenheiro também indica alta na batata, que fechou janeiro em R$ 4,35, acréscimo de 4,17% frente a dezembro de 2025. “A plantação é subterrânea. As terras molhadas prejudicam o cultivo e impactam o transporte em estradas rurais. O mesmo acontece com o tomate, que, em períodos muito chuvosos, é fortemente danificado.”
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