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Custo da cesta básica compromete 70% do salário mínimo

Valor de compra de 34 produtos para uma família com quatro pessoas consumir por um mês chegou a R$ 1.122,73 em janeiro em Santo André

Beatriz Mirelle
04/02/2026 | 08:00
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FOTO: Claudinei Plaza/DGABC
FOTO: Claudinei Plaza/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


A cesta básica em Santo André atingiu o valor de R$ 1.122,73 em janeiro - o que compromete 70% do salário mínimo (R$ 1.621). O valor representa aumento de 0,33%, ou seja, R$ 3,69 em relação a dezembro e de 0,17% (equivalente a R$ 1,89) frente à mesma época do ano passado. 

Os produtos que tiveram altas mais expressivas na comparação com o mesmo período de 2025 foram tomate (57,6%), creme dental de 90 gramas (48,68%) e sabão em pó (47,3%). Na contramão, a laranja teve o maior recuo, de 38,16%. Em fevereiro, hortaliças devem pressionar ainda mais os resultados.

DGABC

Os dados são da Craisa (Companhia Regional de Abastecimento Integrado de Santo André), que acompanhou os preços de 34 produtos (alimentos, higiene pessoal e limpeza doméstica) em 16 supermercados da cidade. O levantamento é baseado no consumo de uma família de quatro pessoas, sendo dois adultos e duas crianças, em um período de 30 dias.

A técnica de enfermagem Marcela Oliveira, de 43 anos, do Jardim Alzira, afirma que tem sido difícil criar alternativas para economizar. Entre as possibilidades, ela prioriza a compra de hortaliças na feira e sacrifica gastos com lazer. “Parece que todos os preços aumentaram: arroz, feijão, açúcar, óleo de cozinha. Itens que não dá para substituir. Imagina trocar o café por chá, por exemplo. Não é a mesma coisa. Isso interfere nas outras contas. O jeito é não sair tanto de casa para não gastar além das despesas básicas.”

Em um ano, o café aumentou 19,51% e foi de R$ 26,79 para R$ 32,02. Já o feijão subiu 13,62% (de R$ 5,48 para R$ 6,22) e o arroz caiu 24,9% (de R$ 26,30 para R$ 19,75).

O aposentado Adilson Fava, 77 anos, do Bairro Campestre, tem deixado de comprar alguns itens para economizar no supermercado. “Eu vou em vários estabelecimentos e pesquiso o valor para saber onde compensa mais. Apesar disso, tudo está caro. O alface aumentou muito. O chuchu chegou a R$ 12, algo que antes era bem barato”, detalha. 

Segundo ele, entre as frutas, o abacate foi o único que teve redução. “Estava R$ 18 no começo de janeiro e, agora, foi para R$ 6. Tenho trocado a carne vermelha pelo ovo para ver se a conta fecha no fim do mês.”

VARIAÇÃO MENSAL

A pesquisa identificou altas nos preços do alface, de 42,61% (R$ 3,37 para R$ 4,80) e do tomate, de 29,98% (indo de R$ 7,06 para R$ 9,18) na comparação entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026. A maior queda mensal foi no frango (coxa e sobrecoxa), com recuo de 15,39% (R$ 12,10 para R$ 10,24).

“Nessa época do ano, há aumento na demanda pelas saladas por causa do calor. Mas, as altas temperaturas e as fortes chuvas prejudicam o cultivo, colheita, transporte e até o armazenamento desses alimentos. Com a baixa oferta, os preços ficam maiores. O hortifruti ainda vai pressionar o custo total da cesta básica em fevereiro porque o clima permanece o mesmo”, pontua o engenheiro agrônomo responsável pelo estudo da Craisa, Fábio Vezzá de Benedetto.

De acordo com ele, o recuo no preço do frango é justificado pela alta produção durante as festas de fim de ano. “Existe um aumento para atender a população e, em janeiro, ainda há uma oferta abundante nos mercados. Isso mesmo com as exportações em alta.”

Para as próximas semanas, o engenheiro também indica alta na batata, que fechou janeiro em R$ 4,35, acréscimo de 4,17% frente a dezembro de 2025. “A plantação é subterrânea. As terras molhadas prejudicam o cultivo e impactam o transporte em estradas rurais. O mesmo acontece com o tomate, que, em períodos muito chuvosos, é fortemente danificado.”




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