Reflexos Enquete sem cunho científico realizada no Grande ABC também questionou se os eleitores confiam no processo eleitoral e nas urnas
FOTO: Antonio Augusto/Ascom/TSE

Às vésperas do calendário eleitoral 2026, parte do eleitorado do Grande ABC ainda demonstra desconhecimento sobre as funções políticas em disputa. Enquete de cunho não científico realizada pelo Diário nos dias 21 e 22 deste mês, com cerca 60 moradores da região que se dispuseram a participar da análise voluntariamente e têm idades entre 18 e 69 anos, revelou que 29,5% não souberam apontar quais cargos estarão em jogo no pleito deste ano.
A enquete abrangeu cinco dos sete municípios do Grande ABC, ficando de fora Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra. Além de avaliar o conhecimento sobre os cargos, o levantamento também investigou a confiança no processo eleitoral e nas urnas eletrônicas, bem como coletou sugestões gerais para a melhoria do Brasil
Ao serem questionados sobre quais cargos estarão em disputa, os entrevistados demonstraram quadro de de-sinformação. O cargo de presidente foi o mais lembrado, citado 33 vezes, seguido por governador (21) e senador (17). Deputado federal e deputado estadual apareceram com 12 menções cada. Chamou atenção o fato de quatro entrevistados citarem cargos municipais, a prefeito e vereador, que não fazem parte do calendário eleitoral deste ano.
Do total de participantes, apenas 14 pessoas (23%) conseguiram identificar corretamente todos os cargos em disputa, enquanto 18 (29,5%) mencionaram mais de um cargo de forma incompleta. Outros 11 eleitores (18%) citaram apenas um cargo, e 18 (29,5%) afirmaram não saber ou não responderam à pergunta.
Em relação à confiança no processo eleitoral e ao uso das urnas eletrônicas, a enquete revelou um cenário dividido, marcado pela desconfiança. Do total de entrevistados, 59% afirmaram confiar no sistema eleitoral brasileiro, enquanto 37,7% disseram não confiar. Outros 3,3% declararam confiar apenas parcialmente.
Entre os que afirmaram confiar nas urnas eletrônicas está João Vitor Secotte, estudante de 19 anos, morador de São Bernardo. “Acho que o Brasil tem um sistema muito confiável em comparação com outros países, como os Estados Unidos. As urnas eletrônicas trazem mais confiança para a gente”, afirmou.
Apesar de a maioria dos entrevistados declarar confiança no sistema eleitoral, a enquete também registrou manifestações de desconfiança em relação às urnas eletrônicas. Para parte dos eleitores, o uso da tecnologia não elimina totalmente o risco de falhas ou irregularidades no processo de votação.
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“Acredito que qualquer dispositivo eletrônico pode estar sujeito a algum tipo de fraude. Por isso, não confio 100% nas urnas eletrônicas”, disse Gabriel Palhuço, eletricista de 28 anos, morador de São Bernardo.
No campo das sugestões para a melhoria do Brasil, predominou a ausência de opinião formada. Entre os entrevistados, 14 pessoas (23%) afirmaram não ter sugestões ou não souberam opinar. Entre aqueles que apresentaram propostas, a melhoria do transporte público e da infraestrutura urbana foi o tema mais citado, com 18 respostas (29,5%), seguida pelo combate à corrupção e por novas políticas, apontado por oito pessoas (13,1%). Educação apareceu em seis menções (9,8%), enquanto a saúde foi citada por cinco entrevistados (8,2%).
Outros temas pontuais incluíram transparência e divulgação de informações (três respostas, 4,9%), projetos específicos como combate às fake news, ajustes de impostos e mudanças no Supremo Tribunal Federal (quatro respostas, 6,6%), segurança (uma resposta, 1,6%), habitação e moradia (uma resposta, 1,6%) e salário mínimo (uma resposta, 1,6%).
Entre as propostas, o combate às notícias falsas chamou a atenção de parte dos eleitores, que consideram a medida essencial para o fortalecimento do processo democrático.
“É preciso combater as fake news, especialmente agora, com o avanço de uma inteligência artificial muito forte e poderosa, que pode passar a disseminar mentiras de forma massiva”, afirmou Felipe Delmondes, auxiliar administrativo de 19 anos, morador de Santo André.
Entre os entrevistados que apontaram a saúde como prioridade, houve destaque para a necessidade de fortalecimento do SUS (Sistema Único de Saúde), especialmente no que diz respeito ao acesso e à qualidade do atendimento à população.
“É preciso investir na saúde, porque existe grande demanda no SUS. Há demora para conseguir exames, consultas médicas e atendimento em geral”, disse Mariane Oliveira, 22 anos, auxiliar administrativa, moradora de Santo André.
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