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Pedrinho Botaro: ‘Recebemos a missão de cuidar de quem cuida’

Secretário de Educação em Santo André afirma que tem no horizonte o foco na saúde mental dos profissionais da rede e na expansão da educação inclusiva

Bruno Coelho
26/01/2026 | 08:29
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FOTO: Denis Maciel/DGABC
FOTO: Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Secretário de Educação em Santo André, Pedrinho Botaro (PSDB) afirma que tem no horizonte o foco na saúde mental dos profissionais da rede e na expansão da educação inclusiva. Além disso, o responsável pela Pasta destaca o desempenho da cidade no programa Alfabetiza Juntos SP e projeta modernização tecnológica das unidades escolares, incluindo a universa-lização do ensino integral e a implementação de novos sistemas de monitoramento facial e gestão digital. Parcerias para cuidados oftalmológicos e a contratação de novos especialistas para alunos com TEA (Transtorno do Espectro Autista) também são pilares fundamentais.

RAIO-X

Nome: Pedro Luiz Mattos Canhassi Botaro

DGABC

Aniversário: 25 de julho

Onde nasceu: Santo André

Onde mora: Santo André

Formação: Jornalismo

Um lugar: Santo André 

Times do coração: Palmeiras e Santo André

Alguém que admira: Geraldo Alckmin

Um livro: Nunca Desista de Seus Sonhos, de Augusto Cury

Uma música: Canção da América, de Milton Nascimento

Um filme: Titanic (1997), dirigido por James Cameron

Quais são os principais desafios frente à Secretaria de Educação?

O primeiro desafio foi o cuidado com o funcionalismo. Acho que no pós-pandemia, veio essa questão de saúde mental que afetou todos os trabalhadores, mas em especial os da educação. Isso foi algo que percebemos e resultou cada vez mais no número de afastamentos. Chegamos com a missão solicitada pelo prefeito Gilvan Ferreira (PSDB) de fazer um grande programa para cuidar de quem cuida. Então, começamos a focar muito em palestras voltadas para o desenvolvimento pessoal de toda equipe da educação. Tenho uma lei aprovada em Santo André que cuida da saúde mental materna, a qual celebramos no mês de maio, chamado Maio Furta-Cor e aí eu trouxe muito esse espectro para dentro da educação. Então, quando falamos de cuidar da saúde mental materna, estou cuidando da mãe das crianças, mas, sobretudo, das nossas funcionárias também que acabam sendo mães e atendem mães.

Como estão as ações de alfabetização na rede municipal de ensino?

Temos um trabalho que resultou no primeiro lugar do programa Alfabetiza Juntos SP, do Estado de São Paulo. Esse prêmio não é porque atingimos a alfabetização em uma determinada porcentagem, mas é por conta da metodologia. Você vai lá, afere, diagnostica, mede e, depois, você expande. O Alfabetiza Juntos hoje é um resultado que vem do professor regente e, sobretudo, de uma equipe gestora, desde a secretaria até a diretora, e de todo mundo que participou desse trabalho, para que uma criança chegue ao ensino fundamental completamente alfabetizada. Somos também premiados dentro do programa Alfabetiza Juntos, com cerca de 22 escolas da nossa rede, porque atingimos 90% de alfabetização do segundo ano. Cada escola recebeu um certificado da diretoria de ensino, e isso é pelo mérito realmente da alfabetização. Existem alguns programas da Prefeitura que ajudam nesse processo de alfabetização na idade certa. Também temos alguns projetos que são importantes, sendo um deles uma parceria com o Rotary, que é a Educando com Visão.

Como é esse programa?

Nele, damos oportunidade para as crianças enxergarem melhor. Se elas enxergam melhor, aprendem mais. Então, às vezes não é falta de atenção, mas é falta de visão. Queremos ampliar o programa Educando com Visão. De todos os chamados, praticamente, por exemplo, 1.000 crianças foram convidadas para fazer teste de visão. Daí foi identificada a necessidade de 600 e poucas crianças adotarem os óculos, e 400 receberam, enquanto as outras 200 não, porque os pais não foram buscar. A avaliação é gratuita, em parceria com a Prefeitura, que cedeu os médicos, mas os óculos foram doados pelo Rotary. Então, para eu falar hoje de metodologia de alfabetização, primeiro preciso cuidar da saúde dela. A mesma coisa quanto à educação na perspectiva inclusiva.

Qual é a estratégia para o fortalecimento da educação inclusiva para crianças com TEA nas 66 escolas municipais de educação infantil e fundamental da cidade?

Uma das estratégias nossas na perspectiva de educação inclusiva é, além de contratar um número maior de profissionais de apoio para poder ficar na escola dando auxílio às crianças, foi aumentar o número de sala de recursos multifuncional em 2025. Eram 44 e aumentamos para 48. No início da gestão do Paulo Serra (PSDB), em 2017, eram 14 salas, que passaram para 44 (até 2024). Neste ano, já temos programado aumentar mais quatro, pelo menos. A sala de recurso multifuncional é uma sala a mais na unidade de ensino, onde você pega a criança, tira ela da sala de aula e a coloca nesse espaço para ela ter uma metodologia de aprendizagem diferente, ensinando a mesma coisa que ela estaria aprendendo lá no ensino regular, mas com uma linguagem diferente. O prefeito Gilvan autorizou contratarmos 38 novos profissionais especializados em educação inclusiva em 2025. Hoje, temos 48 salas com 48 especialistas na educação inclusiva. Só que podem falar: “puxa vida, mas a gente tem um número maior de escolas”. Temos a missão de avançar no número de salas de recurso, mas isso envolve, além de profissional, o aspecto físico da escola.

A política de inclusão também inclui transporte?

Sim. Em 2025 aumentamos o número de frota do transporte escolar. Adquirimos 13 novos veículos, sendo oito destinados à educação inclusiva. Hoje, oferecemos o TEG (Transporte Escolar Gratuito) para quem reside acima de 2 km da unidade escolar. Dentro disso, ofertamos o TEG para a sala multifuncional. Então, por exemplo, se na minha escola eu não tiver essa sala, vou poder usar esse transporte para ir no contraturno a uma unidade que tem a sala de recurso multifuncional. A ideia é que nenhuma criança fique sem o apoio pedagógico na perspectiva inclusiva. 

Como está a impleme-ntação do ensino integral na rede municipal de ensino?

A ideia é universalizar isso. Colocar 100% em tempo integral. Só que, para isso, é necessário de espaço físico. Temos duas escolas que estamos colocando já em tempo integral. O prefeito autorizou e já compramos R$ 1 milhão em computadores, também principalmente para essas escolas municipalizadas, que antes eram do Estado. Digo isso porque em nossa rede municipal, que já era da Prefeitura, toda sala de aula tem um computador funcionando. A nossa ideia é que toda escola, das unidades que antes eram do Estado também tenham esse computador funcionando.

No ano passado, Santo André investiu cerca de R$ 10 milhões em uniformes escolares. Para este ano qual é o valor investido? 

Praticamente o mesmo valor. Tanto de material escolar, quanto de uniforme, mais ou menos, o mesmo valor, não fugiu muito. Teremos um novo layout que vai ser adotado exclusivamente para os uniformes. Fizemos uma pesquisa de layout com escolas particulares e escolas internacionais. Teremos vestimentas de uma escola particular que são mais coloridas, com cores mais fortes. Olhamos um pouco para essa perspectiva de falar: “puxa, são as cores da cidade”, mas ao mesmo tempo criaram um outro estilo que fosse mais elegante. Além disso, calculamos que o material escolar chegue na primeira quinzena de fevereiro. 

Voltando ao tema tecnologia. Hoje é praticamente impossível não tratarmos a educação com tecnologia. Vivemos na era da IA (inteligência artificial). Além dos alunos, como está a capacitação aos educadores?

Temos a perspectiva de fazer parcerias para IA. Por exemplo, a Fundação Santo André ofereceu para contratação do curso deles aos nossos servidores. Enquanto isso, buscamos alternativas. Vamos ter de fazer uma implementação, também no estudo em termos de tecnologia, de um sistema onde tenhamos, no mesmo local, o cadastramento de todas as crianças. Então, hoje aquilo que é papel, folhinhas que tem de preencher, vai se tornar tudo por sistema. Qualquer ocorrência com o aluno vai estar nesse sistema. Nele também teremos o controle e monitoramento da frota e da alimentação escolar. E queremos implementar a câmera facial na entrada das escolas.

O presidente Luiz Inácio Lula (PT) assinou medida provisória estabelecendo o piso salarial em R$ 5.130,66 em 2026. Como isso vai impactar aos cofres da cidade?

Quando estava na Câmara como líder do governo, fui um dos que mais atuou nessa questão da reclassificação salarial. Em 2025, ouvimos muito o sindicato e todas as categorias da educação. É justo que haja uma uma equalização do piso do magistério. Porém, qual é o impacto disso? Temos de avaliar três impactos nesse momento. O descongela, que também é justo, após daquele momento do governo (Jair ) Bolsonaro (PL), quando servidores perderam biênio e agora vai voltar à mesa essa discussão. A FNP (Frente Nacional dos Prefeitos) também está conversando com o governo federal para tratar disso. Por que, como é que você paga essa conta? Então, precisamos discutir a questão do descongela, do piso salarial e a dos assistentes do auxiliar de desenvolvimento infantil, já formado em pedagogia, e será pago o piso do magistério.

Sobre 2028, o sr. vai defender a reeleição do prefeito Gilvan Ferreira ou a volta do Paulo Serra?

Acho que nada desabona a gestão Paulo Serra. Inclusive, aprovamos o convênio com a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), fizemos mudanças de leis, a HIS (Habitação de Interesse Social), municipalização de escola, o estatuto da Guarda Municipal e vários convênios que foram feitos entre Estado e Prefeitura. Tudo isso passou pela Câmara quando eu era líder do governo ou presidente. Então, hoje, se falassem para mim se eu validaria um novo governo Paulo Serra, diria: ‘com certeza’. Porém, tenho certeza de que em 2028 a cidade vai querer validar o nome do Gilvan (para a reeleição). Ele tem escutado, andado, feito questão de ir a fundo e não tem deixado essa essa questão tecnológica para trás, muito pelo contrário.




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