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Moradores do Grande ABC recebem as encomendas pelas mãos de 764 carteiros

Hoje é celebrado o dia do profissional que garante a entrega em qualquer destino; era digital transforma atividade e rotina

25/01/2026 | 09:15
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Carteiro Alexsandro Fogaça de Melo, 39 anos, realiza entregas em Santo André e região há 18 / Foto: Divulgação/Correios
Carteiro Alexsandro Fogaça de Melo, 39 anos, realiza entregas em Santo André e região há 18 / Foto: Divulgação/Correios Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O Grande ABC soma 764 carteiros, que distribuem correspondências, a pé ou motorizados, diariamente pelas ruas das sete cidades. O profissional garante que mensagens e mercadorias cheguem ao seu destino, seja ele onde for. Os mensageiros, que tiveram sua atuação transformada pela era digital, mas não sua relevância, são homenageados hoje, assim como os Correios, que completam 363 anos de atuação no Brasil – a empresa estatal foi fundada em 25 de janeiro de 1663.

Os carteiros cumprem jornada de oito horas e, no caso dos que atuam a pé, percorrem em média sete quilômetros por dia, faça chuva ou sol. Aguardados com expectativa por alguns moradores e, muitas vezes, trabalhando durante anos nos mesmos bairros, os profissional acabam criando laços sólidos com as comunidades.

“Passamos muito tempo nos mesmos lugares e conhecemos detalhes da vida das pessoas, como seus aniversários. Quando vemos o nome, já sabemos quem é. Essa convivência cria um vínculo especial. Sou convidado para tomar café e comer bolo, especialmente pelos idosos, e também recebemos presentes. Acompanhei uma família crescer: conheci o marido, depois vi a esposa grávida e o filho se desenvolvendo”, conta o carteiro de Santo André Alexsandro Barbosa Fogaça de Melo, 39 anos.

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Há 18 anos nos Correios, Melo acompanhou algumas transformações do mercado, especialmente com a disseminação da internet. As cartas sociais e boletos deram lugar a produtos comprados em e-commerce. “Atualmente sou carteiro motorizado e entrego todo tipo de mercadoria, utensílios de cozinha, roupas e até comidas. Nas épocas comemorativas, as crianças ficam mais ansiosas esperando os presentes.”

Entre 2008 e 2022, de acordo com os Correios, o envio de mensagens caiu 73% e o de encomendas cresceu 210%. Apesar disso, ainda são mais de 2 bilhões de mensagens enviadas por ano no País.

Os mensageiros também enfrentam alguns desafios no dia a dia. Um dos principais riscos da rua, além do desgaste físico do trabalho a pé, que exige caminhar por horas carregando bolsa, são os cachorros. “Já fui mordido na barriga por um caramelo, sobre o qual o dono havia dito que não atacava”, relata Melo.

Apesar dos percalços, o carteiro de São Bernardo Thiago Souza da Silva, 41, há 23 anos nos Correios, fala com carinho da atividade. “O que eu mais gosto na profissão é estar na rua e lidar com as pessoas. O carteiro cria um vínculo muito forte com a comunidade. As pessoas passam a te conhecer pelo nome, confiam e se preocupam com você. Esse contato humano é o que mais me marcou ao longo da carreira”, define. 

Os Correios explicam que há um limite de 10 kg para o peso da bolsa dos homens e 8 kg para as mulheres. A empresa fornece equipamentos para os carteiros se protegerem das variações climáticas, como óculos de sol, chapéu, protetor solar, blusas de manga longa e casacos. Em dezembro do ano passado, a Justiça do Trabalho de São Paulo determinou que os Correios implementem a jornada somente matutina para carteiros em dias em que a temperatura atingir 30°C ou mais. 

No País, a empresa possui 43 mil carteiros e 23 mil veículos, entre caminhões, furgões e motocicletas, que percorrem cerca de um milhão de quilômetros. No total, são entregues sete milhões de cartas e encomendas diariamente no Brasil.




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