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Feedback: da métrica à humanização

Joyce Romanelli
23/01/2026 | 09:24
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No complexo ambiente corporativo, o conceito de feedback ocupa um espaço singular e, muitas vezes, contraditório. É amplamente debatido, mas raramente compreendido em sua totalidade: para alguns, trata-se de uma técnica ou ferramenta; para outros, uma habilidade ou até uma ‘ficção organizacional’. Essa pluralidade de percepções revela um território de ambiguidades que precisa ser desbravado. Compreender seus desafios e potenciais latentes é o passo fundamental para ressignificar o feedback como um verdadeiro instrumento de desenvolvimento humano e organizacional.

Mais do que uma prática pontual ou burocrática, o feedback é uma construção cultural manifestada no cotidiano das relações entre líderes e equipes. Quando o ambiente é sustentado pela confiança, clareza e escuta ativa, essa troca torna-se natural, quase invisível e profundamente eficaz. Contudo, sob o peso do medo, do ruído ou da hierarquia excessiva, ele se degrada em um ritual mecânico, estéril para o aprendizado genuíno, provando que o retorno entre pessoas é o reflexo direto da cultura vigente.

A relevância estratégica dessa maturidade cultural é corroborada por dados contundentes. O relatório A cultura de feedback de desempenho impulsiona o impacto nos negócios, do i4cp – baseado em 234 organizações, incluindo 57 empresas norte-americanas de capital aberto –, aponta que instituições no terço superior em maturidade de feedback dobraram suas margens de lucro líquido, além de indicadores como ROA (Retorno sobre Ativos, na sigla em inglês), ROI (Retorno sobre o Investimento) e ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido), em comparação às do terço inferior. Mas tais números exigem cautela: o impacto positivo depende de contextos específicos e não se manifesta só pela implementação fria de processos formais.

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O valor real da devolutiva reside na intenção, e não na forma. A prática ganha potência quando emerge de uma escuta empática voltada ao crescimento, e não ao julgamento ou controle, que apenas geram resistência. O processo demanda maturidade emocional, pois o receptor reage ao tom, ao contexto e ao vínculo com o emissor. Sem confiança – construída com transparência e coerência pela liderança –, a prática não se sustenta.

O imediatismo muitas vezes sabota o processo, resultando em conversas superficiais que geram defensividade. Estruturar essa troca requer método e sensibilidade ao significado que a mensagem terá para quem a recebe. Por fim, o feedback deve ser via de mão dupla, onde equipes têm autonomia para solicitá-lo e o erro é visto como evolução. Ao humanizar as organizações e tornar o trabalho significativo, o diálogo transforma-se em motor do crescimento coletivo e melhoria contínua.

Joyce Romanelli é palestrante e cofundadora e sócia-diretora da Fluxus.




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