Ensino superior Medida precisa passar pelo Congresso e valeria para próximas edições da avaliação
Conselho de Medicina estuda aplicar os resultados de 2025 (FOTO: National Cancer Institute/Unsplash)

O governo federal vai propor ao Congresso Nacional que o Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica) se torne também um exame de proficiência, para determinar se o médico recém-formado está apto a exercer a medicina.
A proposta prevê que o registro profissional dos médicos dependa do desempenho nesta avaliação.
De acordo com o ministro da Saúde Alexandre Padilha, o governo quer aproveitar que o Congresso já está discutindo a criação de um exame de proficiência médica para apresentar essa proposta como mais vantajosa.
“Primeiro porque ele vai ser feito no segundo, no quarto e no sexto ano (de faculdade), ou seja, ele avalia o progresso. E ele é feito pelo Ministério da Educação, que tem como interesse principal a formação médica, e não por outra entidade que possa ter qualquer outro interesse com relação a isso”, declarou o ministro em coletiva de imprensa no Rio de Janeiro.
Padilha esclareceu que a proposta só pode entrar em vigor após uma mudança na legislação brasileira, portanto, valeria para edições futuras do Enamed e não para a edição de 2025, que teve o seu resultado divulgado na segunda-feira. O ministro também rebateu as acusações de que o exame tenha mostrado uma realidade catastrófica da formação médica no Brasil.
EXAME DE PROFICIÊNCIA
A hipótese de utilizar o Enamed como exame de proficiência foi levantada pelo CFM (Conselho Federal de Medicina), mas a entidade estuda fazer isso ainda com os resultados de 2025, impedindo o registro dos formandos que tenham obtido nota insuficiente no exame.
Para o CFM, o resultado do Enamed aponta um “problema estrutural gravíssimo” na formação médica do país, já que cerca de um terço dos cursos tiveram desempenho insuficiente, a maioria da rede privada ou municipal.
Por outro lado, a Abramepo (Associação Brasileira de Médicos Pós-Graduados) defende que a utilização do Enamed já realizado como prova de proficiência pelo CFM seria “usurpação de funções” e “oportunismo midiático”.
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