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Um ano depois, moradores de comunidade de Rio Grande da Serra seguem sem água

No Jardim Nakamura, 80 famílias não têm fornecimento regularizado pela Sabesp

23/01/2026 | 08:51
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Os residentes que possuem caixa d’água compartilham o insumo, que é transportado em baldes (FOTO: Celso Luiz 22/11/24)
Os residentes que possuem caixa d’água compartilham o insumo, que é transportado em baldes (FOTO: Celso Luiz 22/11/24) Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Há um ano, em janeiro de 2025, o Diário relatou as dificuldades dos moradores do Jardim Nakamura, em Rio Grande da Serra, que viviam sem energia elétrica e saneamento, mas passaram naquele momento a ter uma promessa de resolução. Desde então, a luta ganhou novos capítulos, com alguns avanços, mas as cerca de 80 famílias continuam sem água. 

A comunidade, conhecida também como Buraco do Sapo, sofre há três décadas com a falta de estrutura básica, mesmo após a regularização da área, realizada em 2022. A Enel, conforme havia prometido, apesar de alguns atrasos, finalizou a ligação de energia para todas as residências. 

A Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) realizou as obras para a construção da tubulação. Porém, os moradores continuam sem fornecimento, pois não foi feita a individualização. 

DGABC

“A infraestrutura está pronta, só faltava a Prefeitura autorizar as ligações individuais para termos o acesso à água. No último dia 16, foi publicado no Diário Oficial do município um decreto que determina essa individualização. Entretanto, não houve um prazo estipulado para o início. Na prática, continuamos sem fornecimento legalizado”, afirma o pintor Carlos Santos da Silva, 32 anos, morador e representante da comunidade.

O esgoto somente não está sendo despejado de forma irregular porque a própria comunidade se mobilizou, conforme explica Silva. “Nós, moradores, nos reunimos e compramos a tubulação de esgoto e fizemos a rede, que joga no esgoto da Sabesp. Por isso, não é jogado ao ar livre”, conta o pintor. 

“Estamos este tempo todo da mesma maneira e temos que usar água clandestinamente. Nosso representante Carlos dedicou-se durante o ano, fez muitas reuniões com a atual administração para autorizar as ligações na comunidade, a infraestrutura está pronta e conquistamos agora o decreto, mas sem data”, reforça a montadora de linha de produção Rebeca Caroline Ferreira, 28. 

A dona de casa Daniela Caroline Gomes Boeno, 26, relata que o fornecimento é irregular e que chegam a ficar três dias consecutivos sem o serviço. “Isso é constante. Sai uma água suja e em algumas casas a água não chega. Não temos saneamento básico. Conseguimos com muito esforço o pedido da ligação da energia. Eles deram para trás várias vezes, cada hora uma desculpa”, diz. 

De acordo com relatos, a situação provoca transtornos diários, especialmente a idosos e pessoas com deficiência, que sofrem com a falta de água para cozinhar, tomar banho e limpar a casa.

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ADIAMENTOS

Ocupada por 30 anos, a área só passou por adensamento acelerado recentemente. Em 2016, a Procuradoria do município iniciou uma ação de reintegração de posse, que seis anos depois foi convertida em um processo de REURB (Regularização Fundiária Urbana).

Mesmo com a regularização e pedido de instalação do Paço, a Sabesp alegou precisar da liberação da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo). Entretanto, a Lei Federal 13.465 de 2017 atribui ao município a competência para apreciar a ampliação de rede doméstica de abastecimento e esgoto. 

A comunidade ficou refém do jogo de empurra-empurra. Ao longo dos anos, foram utilizados sistemas alternativos e colaborativos. Os residentes que possuem caixa d’água compartilham o insumo, transportado em baldes.

Em janeiro de 2025, conforme noticiou o Diário, a companhia definiu uma data para iniciar a rede de saneamento. As obras começaram, mas, mesmo com a tubulação pronta, a população permaneceu sem acesso à água e ao esgoto.

Questionadas, a Sabesp e a Prefeitura de Rio Grande da Serra não se posicionaram.




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