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Pesquisa da FMABC aponta riscos do uso de omeprazol

Consumo prolongado desse remédio para gastrite pode causar carência de nutrientes

19/01/2026 | 20:20
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FOTO: Claudinei Plaza/DGABC
FOTO: Claudinei Plaza/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Um estudo da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC) com a Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) aponta que o uso prolongado de medicamentos compostos por inibidores da bomba de prótons, a exemplo do omeprazol, pantoprazol e esomeprazol, podem trazer danos à saúde. 

Utilizados para tratar distúrbios gastrointestinais e para reduzir a acidez do estômago, os remédios, se utilizados por mais de 14 dias sem recomendação médica, alteram a absorção de nutrientes, causando doenças como anemia e osteoporose.

O reitor do Centro Universitário da FMABC e um dos pesquisadores responsáveis pelo estudo, Fernando Fonseca, ressalta que o Brasil é um dos países que mais consomem este tipo de medicação e alerta para a importância do acompanhamento médico.

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“Um paciente com anemia que faz uso prolongado de bomba de próton tem que investigar se está sendo benéfico ou não. Um idoso, por exemplo, se não for bem avaliado o uso, pode estar causando um risco maior que o benefício. Por isso, todo medicamento tem que ser utilizado com prescrição médica.” 

Os medicamentos atuam na redução da acidez do estômago, o que pode interferir na distribuição de minerais essenciais como ferro, cálcio, zinco, magnésio, cobre e potássio. A pesquisa aponta um acúmulo de alguns desses minerais no estômago e desequilíbrios em órgãos como fígado e baço.

O consumo recorrente altera ainda algumas dosagens. O estudo descreve aumento nos níveis de cálcio, associado a problemas ósseos como osteoporose, e redução de ferro, que provoca anemia.

Presente no Brasil há aproximadamente três décadas, o medicamento pode ter o uso ainda mais desenfreado com a liberação da venda de omeprazol 20 mg sem prescrição médica feita pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em novembro de 2025. 

TESTES

A pesquisa, iniciada no fim de 2019 e paralisada em decorrência da pandemia da Covid-19, durou efetivamente dois anos, de acordo com Fonseca. 

Os testes foram realizados em ratos na FMABC e contaram com a participação da veterinária responsável pelo Laboratório de Experimentação Animal e Biotério da instituição e professora do Centro Universitário, Giuliana Petri. 

O estudo foi realizado especificamente com omeprazol, mas que outros medicamentos da mesma classe, com inibidores de próton, atuam de forma semelhante.

“Os animais foram tratados aqui, assim como a obtenção das amostras e a determinação de alguns parâmetros bioquímicos. Tratamos grupos de animais em diferentes períodos com a mesma concentração e determinando os nutrientes. Depois eram feitos os parâmetros hematológicos e as associações em relação ao tempo de tratamento e concentração dada de inibidor de bomba de próton”, explica Fernando Fonseca. 

A pesquisa, apoiada pela FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), foi publicada na revista científica ACS Omega.

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