Economia Titulo Problemas do setor

Juro alto é o maior entrave para oito em cada 10 indústrias

Pesquisa da CNI aponta que exigência de garantias reais e falta de linhas de crédito adequadas também dificultam acesso ao crédito a curto prazo

Beatriz Mirelle
19/01/2026 | 19:45
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André Henriques/DGABC
André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Oito de cada dez empresas industriais que tiveram dificuldade de obter crédito de curto ou médio prazo (em até cinco anos) avaliam que os juros elevados foram o principal entrave para o acesso. Depois, citam como maiores problemas a exigência de garantias reais, como bens móveis ou imóveis (32%), e a falta de linhas de crédito adequadas à necessidade das empresas (17%). Os dados são da CNI (Confederação Nacional da Indústria), em parceria com a ABDE (Associação Brasileira de Desenvolvimento). Especialistas avaliam que o Grande ABC segue a tendência nacional e 2026 pode ser um ano difícil para o setor.

“A atual política monetária é bastante restritiva e encarece o crédito. Com a Selic em 15% ao ano e juros reais em torno de 10%, o financiamento fica mais caro e desestimula investimentos em expansão e inovação”, explica a analista de Políticas e Indústria da CNI, Maria Virgínia Colusso.

O diretor do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) de Santo André, Eduardo Mazurkyewistz, pontua que os juros afetam principalmente AS pequenas e médias empresas. A regional andreense também inclui os municípios de Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra.

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"Essas cenário dificulta a renovação do parque fabril, a adoção de novas tecnologias e qualquer plano de expansão. O governo dispõe de linhas de fomento com juros subsidiados, mas esbarramos com a exigência de garantias reais. A maioria das pequenas e médias indústrias não possui esse tipo de ativo, o que acaba inviabilizando o acesso a esses recursos. Ficou ainda mais restritivo para investir no Brasil”.

Para 2026, Mazurkyewistz destaca que não há orçamento público que gere superávit, o que impacta todo o sistema econômico. “Não há perspectiva de mudança significativa no curto prazo.”

MAIOR PATAMAR

A Selic está no maior patamar desde 2006. O Boletim Focus, divulgado ontem pelo Banco Central, indica que o mercado financeiro espera que o índice fique em 12,25% até o final de 2026.

Ela também diminui a procura por crédito. De acordo com o levantamento, 54% das empresas não buscaram crédito de longo prazo e 49% não procuraram crédito de curto ou médio prazo entre fevereiro e julho de 2025. Somente 26% contrataram ou renovaram no curto prazo e 17% no longo. O estudo aponta que, nesse período, 43% das médias empresas não conseguiram obter crédito acima de cinco anos.

“O governo federal lança algumas linhas de financiamento extremamente burocráticas que, geralmente, ficam com empresas mais estruturadas e deixam de fora o pequeno e médio empreendedor. Eles também são prejudicados quando precisam disponibilizar um imóvel, por exemplo, para comprar uma máquina”, detalha o diretor do Ciesp de São Bernardo, Mauro Miaguti.

Ele afirma que os problemas das indústrias com juros altos são uma questão antiga, que se agravou em 2025. Miaguti indica que o setor automotivo é o mais afetado no Grande ABC, ainda mais com a chegada de multinacionais, que aumentam a competitividade.

“Somado aos juros bancários, essa porcentagem atrapalha muito, porque a empresa precisa focar no cuidado financeiro, ao invés de investir na produção. A taxa básica do jeito que está inibe o consumo da população, o que reprime a demanda e barra a oferta”, comenta. “A expectativa por uma queda na Selic é positiva, mas muito aquém do que seria justo com quem investe em produção industrial.” 

A sondagem ouviu 1.789 empresas industriais de 1º a 12 de agosto de 2025. Desse total, 713 são de pequeno porte, 637 de médio porte e 439 de grande porte. A primeira reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que define a Selic, será entre 27 e 28 de janeiro.




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