Vantagens para o Brasil Parlamentos precisam ratificar o tratado; governo celebra liberalização tarifária
FOTO: Ricardo Stuckert/PR

O acordo Mercosul-União Europeia, assinado na tarde de ontem, em Assunção, no Paraguai , entra em vigor no mês seguinte após a conclusão dos trâmites internos de validação do pacto. Segundo o governo, serão eliminadas tarifas de importação sobre 92% do valor das compras europeias de bens brasileiros e sobre 85% das importações provenientes da UE. Entidades da indústria e do agro comemoram a assinatura.
Ainda de acordo com o governo, o acordo entrará em vigor um mês depois de concluído o processo de ratificação entre os dois blocos comerciais. No Brasil, o pacto precisa ser aprovado pelo Congresso Nacional. Já na UE, o acordo comercial depende de aprovação do Parlamento Europeu.
“O acordo estabelece um amplo compromisso de liberalização tarifária em setores industriais e agrícolas, respeitando as especificidades de cada mercado”, comemorou o governo brasileiro.
As principais concessões do bloco europeu envolvem: carnes (bovina, suína e de aves); açúcar; etanol; arroz; mel; milho e sorgo; suco de laranja; cachaça; queijos, iogurte e manteiga; e frutas.
Cerca de 3% dos bens e 5% do valores importado pela UE são de produtos sujeitos a cotas ou tratamentos não tarifários – aplicados especialmente a produtos agrícolas e agroindustriais.
Segundo o governo brasileiro, tal dinâmica reflete o equilíbrio buscado entre a abertura de mercados e a proteção de setores sensíveis para ambas as partes.
ENTIDADES FESTEJAM
A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) afirmou por meio de nota que o acordo comercial é um marco para a integração externa brasileira.
“Além de liberalizar o comércio de bens, facilita o comércio de serviços e dá mais segurança jurídica aos investimentos bilaterais, cujo estoque originário da UE no Brasil atingiu US$ 290 bilhões em 2024, consolidando-se como o maior investidor no País”, afirma a federação.
A instituição cita que a UE é o segundo maior parceiro comercial do Brasil e que as trocas bilaterais alcançaram US$ 100 bilhões em 2025. No entanto, para que esse legado se transforme em ganhos reais, na visão da Fiesp, o Brasil precisa interpretar o momento como uma nova fase de pragmatismo comercial.
“O processo de 25 anos com a União Europeia não pode ser a regra. O evento de hoje deve servir de aprendizado para que os entendimentos bilaterais futuros do Brasil acompanhem a velocidade das transformações globais e, também, institucionalize uma diplomacia empresarial ativa e constante, colocando o setor produtivo no centro das decisões de política externa”, diz o presidente da Fiesp, Paulo Skaf.
Segundo a instituição, a análise dos cronogramas de redução tarifária revela oportunidades concretas. Setores como café (US$ 7,3 bilhões) e ferro e aço (US$ 1,7 bilhão) terão tarifas zeradas em até sete anos. Calçados e têxteis, outro exemplo, serão desgravados em até dez anos. “O acesso a 450 milhões de consumidores europeus que o acordo tem a oferecer é uma oportunidade histórica, mas não está isenta de riscos”, afirma a entidade.
No agro, também há otimismo. Os setores de sucos cítricos e café apostam em maior competitividade.
Para a CitrusBR (Associação Nacional da Indústria Exportadora de Sucos Cítricos), o acordo deve gerar uma economia tarifária acumulada de aproximadamente US$ 250 milhões (o equivalente a cerca de R$ 1,3 bilhão) nos primeiros cinco anos de vigência para as exportações brasileiras de suco de laranja.
A Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café) estima que o acordo resultará na eliminação da barreira tarifária média de 7,5 % e 9% para café torrado, moído e café solúvel.
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