Destaque ‘O Que Fica’, lançado em outubro de 2025, procura provocar reflexões por meio do silêncio e da rotina
FOTO: Divulgação

O silêncio de uma casa, a rotina monótona e o olhar de um cachorro conduzem O Que Fica, curta-metragem dirigido por Victor Hugo Simões, 36 anos. Lançada em outubro de 2025, a obra acompanha a experiência da depressão a partir do ponto de vista de Otávio, cão do próprio diretor, e foi premiada em dezembro no Rio WebFest, na categoria Melhor Incentivo à Inovação.
Natural de São Caetano, Simões construiu sua relação com o audiovisual ainda na adolescência, a partir de iniciativas culturais da própria cidade. Foi aos 16 anos que participou de um curso de roteiro cinematográfico, experiência que marcou sua decisão de seguir carreira no cinema. “Minha relação com São Caetano é profundamente afetiva e formadora. Foi ali que entendi que era isso que eu queria fazer da vida”, afirma o diretor. A trajetória inclui a graduação em Cinema, além da participação contínua em cursos e diversos projetos audiovisuais realizados no município.
A ideia de O Que Fica surgiu em um momento pessoal delicado. Em tratamento há anos para depressão, o diretor relata que o ponto de partida do roteiro veio de uma reflexão sobre ausência e permanência. “Eu estava pensando sobre o que fica quando alguém não está mais presente e percebi que a figura que mais me atravessava não era a de um amigo ou familiar, mas a do meu cachorro”, explica.
A partir disso, o filme passa a abordar a depressão de forma indireta, sem diálogos ou narrativa tradicional.
O processo de filmagem acompanhou esse mesmo princípio. As cenas foram construídas a partir da rotina de Otávio, o cão, sem imposição de ações ou marcações rígidas. “Ele não atuou, apenas viveu. Eu estava ali para observar e captar a verdade daquele instante. A câmera se adaptou ao tempo e ao dia a dia dele”, diz Simões. O resultado é um curta guiado por gestos cotidianos e pausas em que, segundo o diretor, o silêncio assume um dos papéis principais.
A produção foi realizada em um período de crise emocional de Simões e contou com o apoio de Marcela Ferros, atriz e produtora do filme. Segundo o diretor, foi esse incentivo que permitiu que o projeto saísse do papel em poucos dias. A exposição emocional, para ele, era parte necessária do processo. “O filme só poderia existir se eu fosse honesto com o que eu estava vivendo.”
PREMIAÇÃO
O reconhecimento no Rio WebFest veio como um contraponto aos momentos vividos durante a criação. Para Simões, a premiação conversa com o tema do curta. “A depressão costuma me colocar em um lugar de descrédito constante, inclusive em relação à minha capacidade como diretor. Esse prêmio me lembra que a vulnerabilidade também pode ter força e alcance.”
O são-caetanense conta que O Que Fica não pretende ser didático, e busca provocar identificação e pausa. “Espero que quem assista consiga se ver, sentir ou simplesmente respirar junto com aquelas imagens”, resume Simões.
Com 11 minutos de duração, que prometem marcar um longo período de reflexão aos seus espectadores, O Que Fica está disponível gratuitamente no canal do YouTube Cueca Para 2.
LEIA TAMBÉM:
Shopping em São Caetano apresenta expedição de férias com a personagem Dora
Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.