Politica em Cena Sindicalista rechaça que projeto seja decorrente de desistência do ministro Luiz Marinho de disputar a reeleição e por pedido do presidente Lula
FOTO: Claudinei Plaza/DGABC

O presidente do SMABC (Sindicato dos Metalúrgicos do ABC), Moisés Selerges (PT), afirmou que sua pré-candidatura a deputado federal nas eleições deste ano não é consequência da desistência do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho (PT), ter desistido de disputar a reeleição, ou por pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo o sindicalista, a disputa de uma vaga na Câmara é “porque quer ser deputado federal”.
“Gosto de deixar claro, quando vou conversar com as pessoas, que sou pré-candidato não é porque o Marinho deixou de ser e não porque o presidente Lula conversou comigo sobre essa possibilidade. Sou pré-candidato porque quero ser deputado federal. Quero ser porque acredito que no Congresso, em Brasília, precisa ter parlamentares que pautem os temas da classe trabalhadora”, disse o sindicalista durante o podcast Política em Cena, do Diário.
Selerges afirmou que quer que sua pré-candidatura seja reconhecida pela necessidade de ser ter um representante dos trabalhadores na Câmara Federal. “A igreja tem lá seus interlocutores porque é organizada, o mesmo com o agronegócio. Então, os trabalhadores têm de se organizar e colocar representantes que defendam as pautas da categoria. Os deputados da esquerda estão lá, lutam pela pauta, mas acho que faltam parlamentares que pautem especificamente a questão dos trabalhadores”, destacou.
Sobre o sindicalismo ter perdido força ao longo dos últimos anos, tanto pela ascensão da direita como pela defesa de agendas políticas em detrimentos das pautas ligadas aos trabalhadores, Selerges disse que o movimento sindical sempre foi demonizado mesmo antes da Reforma Trabalhista ou do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) em 2016, mas também nunca foi forte no País.
“É lógico que em um certo momento o movimento sindical estava enfraquecido e vou dizer mais, ele é fraco no Brasil. Alguns sindicatos, de fato, são fortes e representam os trabalhadores, como o dos Metalúrgicos, Bancários, Petroleiros, mas é um País que tem milhares de sindicatos que os trabalhadores não sabem nem onde ficam. Porém, acredito em outra coisa também, não existe democracia sem sindicato. Precisa ter o contraponto”, afirmou.
De acordo com o sindicalista, o movimento precisa buscar um caminho, bem como discutir o futuro e, para isso, tem de entender que “o mundo do trabalho mudou, que a tecnologia avançou e que há uma série de mudanças em curso”.
“Por exemplo, pega a palavra empreendedorismo. A pessoa tem o direito de não querer acordar de madrugada, pegar ônibus lotado e um trânsito ‘do caramba’. Daí chega na empresa, ganha mal e, às vezes, o patrão trata mal. Ela tem o direito de escolher um caminho que, de repente, é montar um negócio próprio. Em contrapartida, o movimento sindical tem de discutir um mínimo de direitos para esses trabalhadores”, pontuou.
A entrevista completa está disponível nos canais digitais do Diário.
Sindicalista defende que trabalhadores participem de debate sobre área da Ford
O presidente do SMABC (Sindicato dos Metalúrgicos do ABC), Moisés Selerges (PT), afirmou que os trabalhadores devem participar das discussões sobre o futuro da área da antiga Ford. A multinacional norte-americana Prologis adquiriu o terreno onde funcionava a montadora, no bairro Taboão, em São Bernardo, com o objetivo de implementar um condomínio logístico no local. No entanto, o projeto enfrenta entraves devido ao interesse do governo do Estado de São Paulo, que pretende utilizar parte da área para a instalação do pátio de manobras da futura Linha 20-Rosa do Metrô.
As divergências em torno da definição do uso do terreno e da compatibilização entre o empreendimento privado e o projeto de infraestrutura pública já se estendem por três meses, sem que haja, até o momento, uma perspectiva concreta de solução.
Sem defender a posição da Prologis ou do Metrô, Selerges destacou que o desejo dos trabalhadores é que viessem investimentos que proporcionassem abertura de vagas em São Bernardo e em toda a região. “É isso que o sindicato defende. Tenho comigo que o que ficou para trás, ficou. O leite que derramou, derramou, mas podemos discutir novos investimentos que gerem empregos e arrecadação para o município e ao Estado de São Paulo. Possibilidades disso nós temos. Porém, acredito que é preciso colocar na mesa que os trabalhadores têm de ser chamados para esse debate do que vai ser feito lá”, afirmou.
De acordo com o sindicalista, a entidade não foi chamada até momento para discutir sobre a área. “Respeito muito o (prefeito de São Bernardo) Marcelo (Lima – Podemos), gosto dele e falo isso publicamente, mas os trabalhadores têm de ser chamados para discutir o que vai ser feito lá. Ouvir a opinião dos trabalhadores é importante”, reafirmou Moisés Selerges, durante o podcast Política em Cena, do Diário.
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