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Hospital Oncológico Infantil deve levar dois anos para sair do papel

Novo equipamento deve ter 22 mil metros quadrados e oferecer 50 leitos, ao lado da Santa Casa, em São Bernardo

Bruno Coelho
14/01/2026 | 23:50
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Claudinei Plaza/DGABC
Claudinei Plaza/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O novo hospital oncológico infantil regional pode levar de um a dois anos para ser construído, a partir do início das obras, segundo especialistas de diferentes setores da sociedade civil que se reuniram nesta quarta-feira (14) no Consórcio Intermunicipal do Grande ABC. O passo seguinte do grupo de trabalho é visitar a Santa Casa de São Bernardo, a fim de chancelar a parceria para a construção da futura estrutura, com estimativas de ocupar uma área de 22.000 metros quadrados, com previsão de oferecer 50 leitos para pacientes de zero a 19 anos, conforme prevê a legislação federal.

A discussão em torno de um serviço especializado no tratamento de câncer para a faixa etária prevista na Lei 14.308/2022 – que instituiu a Política Nacional de Atenção à Oncologia Pediátrica – ganhou força para suprir a lacuna deixada pelo encerramento das atividades da Casa Ronald McDonald, em Santo André, após 17 anos. Diante desse cenário, o Rotary Club procurou o Consórcio Intermunicipal em busca de alternativas para suprir a demanda com o fim do atendimento.

O encontro na instituição regional foi encabeçado pelo secretário-executivo Aroaldo Silva e o diretor de Programas e Projeto, Luiz Zacarias (PL), junto a representantes de entidades sindicais, do Centro Universitário da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), do Rotary Club, entre outros segmentos da sociedade civil. Era aguardada uma equipe da Santa Casa na sede do colegiado, mas que por motivo de agenda não compareceu à reunião. Desse modo, uma visita do grupo de trabalho à unidade hospitalar será agendada nos próximos dias.

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“A ideia da reunião foi reforçarmos essa pauta, porque o trabalho sobre a viabilidade técnica do hospital está feito, com o esforço deste time que esteve presente aqui. Então, repassamos o que é o projeto e sua viabilidade com os mais diversos atores e estamos combinando essa visita à Santa Casa, com toda essa equipe presente, para chancelar essa intenção. Até porque, queremos entregar essa proposta a todos os prefeitos da região até a próxima reunião do Consórcio Intermunicipal”, afirmou Aroaldo.

O objetivo do secretário-executivo é que uma proposta de convênio junto à Santa Casa já esteja em discussão na mesa dos prefeitos na próxima reunião do colegiado, prevista para início de fevereiro. Conforme afirmaram ao Diário, a ideia já é endossada pelo presidente da entidade, Marcelo Lima (Podemos), de São Bernardo, Gilvan Ferreira (PSDB), de Santo André, Guto Volpi (PL), de Ribeirão Pires, Akira Auriani (PSB), de Rio Grande da Serra, e Taka Yamauchi (MDB), de Diadema, por meio de seu secretário de Saúde, Antonio Carlos do Nascimento.

Segundo o presidente do Sindicato dos Engenheiros de São Paulo no Grande ABC, Helton Costa, uma vez superado o trâmite burocrático do novo hospital on-cológico infantil, a etapa seguinte será avançar com o projeto com a Prefeitura de São Bernardo. Com a aprovação dessa fase pelo Executivo, é possível estimar o tempo para erguer o equipamento, que ocuparia parte de área total de 42.152 metros quadrados, dos quais 5.155 atualmente são utilizados pela Santa Casa.

Nossa expectativa é que o Marcelo Lima consiga priorizar o projeto para aprovar o quanto antes e aí, em termos de aprovação e obras, mais ou menos, entre um a dois anos para começar o hospital. Posteriormente, vamos verificar, dentro do projeto, a possibilidade de ir entregando (o serviço) em fases”, ponderou Helton Costa.

De acordo com Zacarias, há grande otimismo com o avanço da futura unidade. “Vamos visitar o terreno juntamente com o pessoal da Santa Casa e dar sequência ao projeto. Como o Helton disse, a proposta está embrionária, mas já existe um grande avanço, com o estudo de viabilidade técnica. O mais importante é que os prefeitos estão comprando e vendo a necessidade dessa causa. Temos uma força-tarefa para colocar esse projeto para frente”, enfatizou.

DEMANDA
O novo hospital oncológico infantil atenderia tanto a pacientes do Grande ABC como da Baixada Santista. Segundo análise do Consórcio Intermunicipal, as duas regiões têm, respectivamente, 107 e 95 casos estimados de câncer em pessoas por ano. As localidades com maior demanda seriam São Bernardo, 37 pacientes anuais, seguido de Santo André, 25 casos por ano, enquanto Santos, São Vicente, Guarujá e Praia Grande contabilizaram entre 17 e 18 ocorrências.

“Vemos a dificuldade e a necessidade de poder fornecer às crianças um atendimento de qualidade no Grande ABC e na Baixada Santista. Por quê? Porque o sistema de oncologia pediátrica é muito especializado, e um hospital de oncologia pediátrica faz muito a diferença. Então, é um presente para a região. Um legado que queremos deixar”, ressaltou o médico oncologista pediátrico e professor da FMABC, Jairo Cartum.




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