Setecidades Titulo Artigo

Desafio climático e futuro das cidades

Priscila de Oliveira
14/01/2026 | 09:50
Compartilhar notícia
 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O balanço meteorológico de 2025 em Santo André traz um diagnóstico que vai muito além dos pluviômetros. Vivemos um tempo de extremos, que exige uma nova inteligência urbana. No ano, o município registrou acumulado de 1.443,1 mm de chuva, valor muito próximo à média histórica. Contudo, a estabilidade do número total esconde uma perigosa irregularidade mensal, que é o verdadeiro desafio para a gestão pública moderna.

Em abril do ano passado, por exemplo, Santo André enfrentou crescimento pluviométrico de 180%, sendo que 197 mm de chuva foram concentrados em um período em que a média histórica seria de apenas 70,4 mm. Essa ‘compactação’ das chuvas, em curtos intervalos, somada à topografia característica da nossa região, transforma o manejo das águas e a drenagem em uma prioridade absoluta de infraestrutura, que ultrapassa os limites da operação de emergência.

O calor também enviou sinais de alerta. Todos os meses de 2025 apresentaram médias acima do normal climatológico. Em fevereiro e dezembro, as ondas de calor elevaram as máximas para 32,7°C e 31,1°C, respectivamente. Para uma cidade com densa ocupação urbana, esses picos térmicos reforçam a necessidade estratégica de políticas de arborização e preservação de áreas verdes. Árvores e coberturas vegetais deixaram de ser itens de paisagismo para se tornarem ativos de proteção civil, essenciais para o resfriamento das ilhas de calor e para o auxílio na absorção do solo.

DGABC

Neste cenário, o papel da Proteção e Defesa Civil se sofistica. O órgão deixa de ser apenas uma força de resposta para se tornar uma consultoria técnica fundamental no planejamento da cidade. A análise dos dados de 2025 mostra que a resiliência de Santo André depende de integração: é o monitoramento climático orientando desde a manutenção de podas de árvores e manejo de encostas até o desenvolvimento de novos projetos de mobilidade, saneamento e habitação.

A ciência meteorológica indica que o clima mudou. Santo André tem respondido a isso com investimentos, tecnologia, monitoramento, aprimoramento constante e equipes capacitadas. Somos a segunda melhor Defesa Civil do Brasil, de acordo com o ranking do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, com alta capacidade de resiliência e garantia de segurança aos moradores, mas o futuro exige que a proteção do cidadão seja o fio condutor de toda a zeladoria e o crescimento urbano.

O balanço de 2025 não é apenas um relatório do passado, mas um mapa para as decisões que garantirão uma cidade preparada e segura para as próximas décadas.

Priscila de Oliveira é diretora de Proteção e Defesa Civil; e Alexandre Henrique da Silva dos Santos é geógrafo.




Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


;