Projeção Estimativa aponta comercialização de 2,6 mi de veículos; resultado depende da política macroeconômica, diz economista
FOTO: Denis Maciel 4/2/25

A venda de carros e veículos comerciais leves, como picapes e furgões, deve crescer cerca de 3% neste ano, com a comercialização de aproximadamente 2,6 milhões de unidades, projeta a Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores).
A negociação de automóveis e veículos comerciais novos teve desempenho positivo em 2025, com aumento de 2,58% em relação ao ano anterior, com 2,5 milhões de unidades.
Quando se soma os resultados esperados para os segmentos de caminhões e ônibus, a expectativa para este ano é de crescimento de 3,02%, com quase 2,8 milhões vendidos. No ano passado, todos esses segmentos somados – automóveis, veículos leves, ônibus e caminhões – cresceram 2,08%, com o emplacamento de 2,7 milhões de unidades.
No entanto, esse setor poderia estar com crescimento ainda maior, avalia a economista da Fenabrave, Tereza Fernandez. “Nós estamos longe inclusive de atingir o pico de 2011, quando foram vendidas 3,4 milhões de unidades de automóveis e comerciais leves e 3,6 milhões de unidades englobando caminhões e ônibus. Mas as condições macroeconômicas estão impedindo que a gente cresça mais. Nós estamos com um nível de endividamento das famílias muito alto e os juros não devem cair na velocidade esperada. Isso tudo é impeditivo para você ter um crescimento maior no setor”, explicou a economista.
Para todo o setor, o que englobaria os segmentos somados (automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motocicletas, implementos rodoviários e outros veículos), a federação projeta crescimento de 6,10 % para este ano, puxado principalmente por motocicletas, cuja alta é esperada em torno de 10%.
Em 2025, todos os segmentos somados fecharam com aumento de 8%, com 5,1 milhões de unidades emplacadas.
Já o de caminhões, que teve desempenho bem aquém em 2025 por causa das dificuldades de crédito e do endividamento de empresas do setor agropecuário, a expectativa é para aumento de 3%. No entanto, lembrou a economista da Fenabrave, esse crescimento se dará sobre uma base negativa, uma vez que o segmento de caminhões fechou 2025 com queda de 8,65%.
“Foi muito bom o programa do governo anunciado neste ano (Move Brasil, que oferece crédito para a compra de caminhões). Isso vai contribuir para a gente ter um desempenho positivo. O crescimento sustentável no Brasil está difícil de obter porque, em razão do risco inflacionário, está se segurando os juros”, analisa.
Tereza acrescenta que não se consegue sair efetivamente dessa questão pelo risco fiscal. “Sem isso, talvez a gente tivesse resultados um pouco melhores. Estamos com acréscimo de 3,5% para caminhões este ano. Poderia ser 5% ou 6%. Existe espaço para isso e necessidade, visto que 65% de tudo que eu produzo, eu carrego em um caminhão”.
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