Entrevista da Semana
FOTO: Claudinei Plaza/DGABC

À frente da Secretaria de Esporte e Prática Esportiva de Santo André, Jobert Minhoca (Podemos) fez um balanço do primeiro ano de gestão destacando a ampliação do acesso ao esporte gratuito na cidade. Segundo o secretário, atualmente, a Pasta atende a cerca de 56 mil pessoas em aproximadamente 300 pontos, com ações voltadas a crianças, jovens, idosos e pessoas com deficiência. Entre os objetivos para o futuro, está alcançar 100 mil andreenses praticando atividade física, além de promover atividades no Estádio Bruno Daniel, com a meta de criar identificação de jovens da cidade com o Ramalhão.
Janeiro marca um ano do início dos trabalhos da Secretaria de Esporte com o Sr. sendo liderança. Qual é a avaliação geral dos primeiros 12 meses de atuação?
Foi muito intenso. Encontramos uma secretaria com cerca de 110 colaboradores de carreira. Fiz questão de conhecer cada um, entender a história e o potencial de cada servidor. Hoje, esse talento individual virou um trabalho coletivo, com muito resultado e dedicação para a cidade. Nosso foco foi estimular essa equipe e também os profissionais contratados para as modalidades, comissões técnicas e atletas, para atender cada vez mais a população com qualidade, pensando em qualidade de vida e bem-estar. Atualmente, a secretaria atende a cerca de 56 mil andreenses, em escolas de esporte e pontos de atividade física espalhados pela cidade.
No começo da gestão, o Sr. afirmou que a Secretaria tinha mais de 40 projetos prontos para execução. Qual é o cenário atual?
Além de executar o plano de metas, adicionamos novos projetos. Estamos cumprindo o que foi planejado para os quatro anos de gestão, com reformas, ampliações e criações. Fizemos muita coisa além do previsto inicialmente, e um exemplo é o Xô Preguiça, um evento em que cerca de 3.000 mulheres praticam aulas de zumba gratuitamente em 20 pontos da cidade. Também seguimos com a manutenção, revitalização de espaços esportivos e execução de campeonatos em diversas modalidades. Falando sobre o esporte de alto rendimento, em 2025, conquistamos mais de 50 títulos em diferentes esportes, o que mostra a força do nosso esporte de base.
A meta de inserir 100 mil moradores de Santo André nos programas municipais de esportes até o fim da gestão foi anunciada. Como está o andamento desse objetivo?
Esse é um compromisso meu e do prefeito Gilvan Ferreira (PSDB). Para avançar nisso, mudamos o organograma da Secretaria. Criamos pastas por faixa etária e perfil: Esportes Kids, Esportes Jovem, Paradesporto, Esporte Adulto, 50+, Alto Rendimento e Eventos Esportivos. Cada pasta tem um coordenador que fala diretamente com a gestão, o que agiliza decisões. Hoje percebemos uma carência de ações voltadas aos jovens entre 14 e 18 anos. Por isso, criamos uma pasta específica para essa faixa etária. O esporte ajuda a tirar o jovem do excesso de celular, dá disciplina, organiza horários e cuida do maior patrimônio que temos, que é o corpo. Também temos um olhar forte para o público 50+, com pilates, ginástica, voleibol adaptado, corrida e caminhada, afinal meu objetivo é fazer Santo André viver mais, e viver com qualidade. O esporte diminui as filas dos hospitais de Santo André, impacta diretamente a saúde pública e, com saúde, a pessoa cuida de quem ama. Nosso objetivo é chegar aos 100 mil andreenses praticando esporte gratuito, entendendo o esporte como ferramenta de transformação social.
Um dos pontos destacados foi a promoção de atividades esportivas em cerca de 300 pontos pela cidade. Como a Secretaria amplia esse acesso e identifica novas demandas?
Conseguimos identificar bairros com menos oferta ao dialogar com outras secretarias, como Educação, Meio Ambiente e Obras. Utilizamos escolas, Cesas (Centros Educacionais de Santo André), parques e novos espaços que estão sendo implantados. A ideia é clara: onde houver um “buraquinho”, um espaço, queremos colocar atividade física. Estamos lançando um chamamento público para atrair parceiros da iniciativa privada, que possam associar suas marcas a projetos esportivos e eventos. Já identificamos cerca de 20 a 25 novos pontos e a tendência é ampliar dos atuais 300 para aproximadamente 400 locais públicos para a atividade esportiva, acompanhando o crescimento do atendimento.
Falando sobre os jovens, os Jogos Escolares tiveram categorias novas, como o cubo mágico. Que reflexos esse evento trouxe para a cultura esportiva da cidade?
A última edição dos Jogos Escolares foi um sucesso. Tivemos cerca de 12 mil inscritos, 100 escolas e 18 modalidades. Em resumo, tivemos os maiores jogos escolares do Brasil. O diferencial foi ouvir os professores de Educação Física. Fizemos um congresso técnico, escutamos sugestões, eles nos falaram de modalidades que não tinham interesse dos alunos, categorias que podíamos inserir, e com isso ajustamos o formato. Isso deu confiança aos profissionais e refletiu no aumento da participação dos alunos. Trouxemos novidades e promovemos inclusão, com maior participação de alunos autistas, por exemplo. Também tivemos provas de conhecimentos gerais em formato de quiz, aproximando esporte e educação. No fim, o impacto passa das escolas e chega às famílias. A criança volta para casa com medalha, conta a experiência, envolve os pais.
O Diário sempre teve uma relação próxima com o esporte do Grande ABC, que se aprofundou ainda mais durante as disputas da Copa Diarinho na década de 2000. Para o Sr., qual foi a importância do torneio para o desenvolvimento do futebol infantil na região?
A Copa Diarinho teve um papel muito importante. Esse tipo de estímulo vira os olhos da criança para o futebol. A gente quer resgatar esse espírito hoje com o projeto Gold Placa, que une aulas de futebol com aprendizado da língua inglesa, e já é um sucesso. Inclusive, existe a ideia, a pedido do prefeito, de criar a Copa Gold Placa, com álbum de figurinhas com as crianças participantes e, quem sabe, apoio do Diário. Esse tipo de iniciativa faz a criança sonhar.
E como era, para as crianças da época, participar de uma competição como a Copa Diarinho?
Eu nasci e fui criado na região, então vivenciei e consegui observar isso de perto. Acompanhar pelo Diário, toda semana, sair em alguma uma foto, esperar para ver se a sua equipe aparecia no jornal, isso era algo muito marcante. A criança se via como atleta, se sentia valorizada. Isso estimula ainda mais o futebol e cria uma relação afetiva com o esporte desde cedo. E também tenho certeza de que alguns dos nomes do futebol brasileiro de hoje saíram da Copa Diarinho.
Falando sobre o esporte profissional, a prefeitura tem parceria com o EC Santo André. Como funciona essa articulação? Há interferência na gestão do clube?
O clube é privado e independente. A prefeitura administra o Estádio Bruno Daniel, onde são realizadas as competições oficiais. Não interferimos em decisões técnicas ou administrativas, mas acompanhamos de perto torcendo para o melhor. O clube vem com uma nova ideia de gestão, resgatou um dos ídolos, que é o Sérgio Soares (diretor de futebol), para a administração geral, e dará tempo para que esse trabalho se desenvolva. Com certeza teremos resultados, mesmo que não sejam imediatos. Existe uma parceria institucional no uso de espaços públicos para treinos da base e competições, além de apoio na busca por recursos, principalmente para o futebol feminino e as categorias de base.
Existe algum plano para atrair a população da cidade a conhecer mais o EC Santo André e frequentar os jogos?
Estamos estruturando o projeto Brunão Day, queremos que as crianças conheçam o estádio da própria cidade e se identifiquem com o Ramalhão. A ideia é levar alunos de escolas municipais, estaduais e particulares para conhecer o Brunão, fazer um tour, aprender a história do clube e do esporte na cidade. As crianças também recebem informações sobre os projetos esportivos disponíveis para elas e para suas famílias. Isso ajuda a criar identidade, pertencimento e aproxima a população do clube da cidade. Hoje as crianças dizem torcer para o Corinthians, São Paulo ou Palmeiras, mas podem passar a conhecer e gostar também do nosso Ramalhão, apoiando um clube da própria cidade, com uma linda história e conquistas de tamanho nacional.
A atuação esportiva não se restringe ao futebol. Qual sua visão sobre outras modalidades, como basquete, futsal e afins?
Temos um cenário muito positivo. O basquete passa por renovação na categoria profissional, mas já tivemos bons resultados no último ano nas modalidades juvenis , como o título do Campeonato Brasileiro sub-23. Temos também a segunda melhor base nacional no tênis de mesa. O judô segue forte com títulos estaduais e nacionais, assim como o caratê e o jiu-jitsu. Pensamos, sim, nas categorias profissionais, mas nosso maior foco é fortalecer especialmente as categorias sub-15, de atletas que já estão a um passo das principais competições. Queremos preparar atletas para o alto rendimento no futuro.
Quais projetos de maior impacto o Sr. gostaria de ver implementados nos próximos anos?
Queremos avançar em novas modalidades como badminton e skate nas escolas. Outro objetivo é a construção de uma arena de lutas na parte superior do Brunão e a revitalização completa do Complexo Pedro Dell’Antonia. O maior desafio é fazer a população entender a importância da atividade física no dia a dia. Ter 100 mil pessoas praticando esporte gratuitamente será um grande golaço para Santo André, com reflexos positivos na saúde, educação, segurança e qualidade de vida da cidade.
Nome: Jobert Alexandrino
Aniversário: 9 de julho
Onde nasceu: São Bernardo
Onde mora: Santo André
Formação: Graduação em Educação Física, com especialização em administração e marketing esportivo
Um lugar: Santo André
Time do coração: EC Santo André
Alguém que admira: Mãe (Nidelce Alexandrino) e pai (Antônio Alexandrino)
Um livro: O Homem Mais Rico da Babilônia, de George Samuel Clason
Uma música: Eu Juro, de Ferrugem
Um filme: À Procura da Felicidade (2006), dirigido por Gabriele Muccino
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