Editorial O impasse entre governo estadual e a companhia Prologis em torno da área onde operou a Ford por cinco décadas preocupa porque mantém vazio um espaço que marcou a história produtiva de São Bernardo. Ambos têm planos para o terreno. O primeiro quer instalar o pátio de manobras da futura Linha 20-Rosa do Metrô. A segunda visa construir um de seus centros logísticos. A indefinição afasta investimentos, posterga o uso racional do solo e aprofunda desgaste urbano iniciado em 2019, sem oferecer horizonte claro à população. Soma-se a isso a perda de oportunidade de requalificação planejada, com impacto direto na dinâmica econômica do entorno e na recuperação de áreas vizinhas.
A controvérsia ameaça dois projetos preciosos ao Grande ABC. Se Estado e empresa não chegarem ao consenso, a região pode ser obrigada a aguardar ainda mais pela chegada do Metrô, pauta pela qual o Diário luta há pelo menos cinco décadas, desde 1975. Ninguém, aliás, defende tanto o modal ferroviário quanto este jornal, exatamente por reconhecer seu papel na mobilidade urbana. Por outro lado, a cizânia também coloca em risco a geração de até 12 mil empregos previstos no centro logístico e de receitas estimadas em R$ 1,8 bilhão aos cofres municipais em dez anos, quantias relevantes para finanças públicas e mercado de trabalho local. São números robustos que não podem ser ignorados.
Chama a atenção da opinião pública o fato de a divergência entre as partes permanecer ao mesmo tempo em que especialistas no assunto garantem que os planos do Estado e o da iniciativa privada são compatíveis. É hora, portanto, de buscar o diálogo e o consenso. A experiência ensina que escolhas excludentes produzem perdas duradouras. Metrô e galpões logísticos podem perfeitamente compartilhar o terreno da antiga Ford, gerando ganhos mútuos e devolvendo protagonismo econômico ao Grande ABC, desde que prevaleça entendimento institucional e visão de longo prazo. Uma área que tanto já representou para o desenvolvimento da região merece ter seu legado preservado.
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