Saúde Secretário afirma que a meta é tornar o município referência em saúde pública; a partir de fevereiro começam reformas no Hospital Municipal
Angelica Richter

A Secretaria de Saúde de Diadema enfrentou em 2025 um grande desafio, que foi reestruturar o atendimento de urgência e emergência do HM (Hospital Municipal), historicamente marcado por denúncias de macas nos corredores, equipamentos inoperantes e pacientes desassistidos. Um ano depois, os indicadores assistenciais mostram uma virada expressiva, resultado de presença diária da gestão e de um projeto estruturado de reconstrução do serviço público de saúde.
De acordo com o secretário de Saúde, Antonio Carlos do Nascimento, o desafio inicial exigiu união de esforços e condução firme. “Nada era mais deficitário e desafiador que os equipamentos de urgência e emergência, notadamente o Pronto-Socorro do Hospital Municipal. A concentração exigida pelo prefeito Taka (Yamauchi, MDB) nesse processo foi fundamental para que as conquistas surgissem e sigam se consolidando. É um movimento que pretendemos estender pelos próximos anos, para tornar Diadema referência em saúde pública”, afirma.
Hoje, o HM atende diariamente entre 500 e 600 pessoas, entre internações e PS (Pronto-Socorro), média de 28 a 30 por dia. Mesmo operando com 90% de ocupação dos leitos, segundo a coordenação do Hospital Municipal, a unidade apresentou avanços concretos na qualidade da assistência. A taxa de mortalidade geral adulto caiu de 10,3% em 2024 para 6,8% no ano passado, um dos principais indicadores de eficiência.
A percepção da população acompanha os dados técnicos. A satisfação dos usuários do pronto-socorro, medida por pesquisa aplicada ao fim do atendimento, saltou para 83% de avaliações “bom” e “ótimo” em 2025, aumento de 151,52% em relação a 2024 (33%). Entre os pacientes internados, a aprovação chegou a 89,2%. Para a gestão, os números refletem uma mudança estrutural na forma de conduzir o hospital, baseada na escuta dos trabalhadores, presença das lideranças e engajamento das equipes no projeto de reestruturação.
O secretário-adjunto municipal da Saúde, Gustavo Tomaz, reforça que os avanços fazem parte de uma estratégia mais ampla. “A saúde de Diadema avançou de forma significativa, com ampliação de serviços, melhorias na estrutura e mais acesso da população. São conquistas que qualificam a rede e fortalecem o cuidado com as pessoas”, destaca.
No campo da estrutura e da oferta de serviços, o diretor do Hospital Municipal, Paulo Albuquerque, aponta melhorias fundamentais para ampliar a capacidade assistencial. “Hoje temos três carrinhos de anestesia, o que permite cirurgias de grande porte com até três centros cirúrgicos funcionando ao mesmo tempo, além da ampliação de especialidades e acesso mais rápido a medicações que reduzem o tempo de internação. Temos cardiopediatria, oftalmopediatria, neuropediatria. Contamos com serviço de vascular diariamente. São situações que muitas vezes não tem repercussão, mas importantíssimas para que as coisas efetivamente aconteçam. Quem vai, quem usa o serviço, sente esse impacto”, explica.
A partir de fevereiro, segundo adiantou o diretor, o hospital inicia uma nova fase com a reestruturação física, começando pelo centro cirúrgico.
DIÁLOGO
A reorganização dos fluxos internos foi outro pilar da mudança de paradigma. “Estabelecemos uma coordenação médica integral no pronto-socorro, com presença contínua e diálogo entre as equipes. Reorganizamos fluxos, fortalecemos protocolos do SUS (Sistema Único de Saúde), agilizamos exames com laboratório próprio e promovemos a integração entre PS, andares e UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Esse trabalho diário, de mudança de cultura e responsabilidade compartilhada, melhorou o giro de leitos, reduziu esperas injustas e qualificou o cuidado ao paciente”, afirma a coordenadora médica do HM, Danielle Afonso.
Paulo Albuquerque também relembra situações que simbolizam a transformação do serviço no PS. “Houve momentos em que a equipe chegou a pedir para manter pacientes na observação apenas para não ficar parada. Isso mostra o quanto o hospital evoluiu, mesmo com as oscilações naturais da demanda. Esse dia foi espetacular, porque isso ocorreu lá para março, abril de 2025”, relata, ao destacar a importância do apoio e do trabalho dos colaboradores: “Temos uma equipe incansável.”
HUMANIZAÇÃO
A coordenação do HM (Hospital Municipal) de Diadema definiu as principais metas para 2026, com foco na qualificação do atendimento, fortalecimento da rede regional e ampliação do cuidado humanizado, dando continuidade à reorganização dos fluxos e à valorização das equipes.
Entre as prioridades está a implementação do Projeto Angels, voltado ao atendimento de acidente vascular cerebral, com capacitação do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e do hospital para o reconhecimento precoce da doença e uso oportuno do trombolítico. “Cada minuto conta no AVC. Identificar cedo evita sequelas graves e muda a vida do paciente”, destaca a coordenadora médica do HM, Danielle Afonso.
Outra meta é o fortalecimento da linha de atenção à dor torácica, com apoio da rede regional de hemodinâ-mica. “Estamos construindo uma linha de cuidado regional, envolvendo as sete cidades do Grande ABC”, afirma.
Na segurança do paciente, o HM firmará parceria com o Ilas (Instituto Latino-Americana de Sepse) para identificação precoce de infecções. “Cada hora ganha no tratamento pode salvar vidas e evitar a UTI”, reforça Danielle, ao destacar que a educação continuada seguirá como prioridade, com ampliação de treinamentos e materiais educativos para as equipes.
O Hospital Municipal também avançará no fortalecimento dos cuidados paliativos, em parceria com o SAD (Serviço de Atenção Domiciliar), e na reorganização do fluxo de saúde mental. “Nosso objetivo é acolher melhor o usuário e oferecer um cuidado mais efetivo e humanizado”, conclui Danielle.
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