São Bernardo Ex-legislador critica obediência excessiva ao Executivo, mas afirma torcer pelo município
Celso Luiz/DGABC

Um ano afastado da Câmara de São Bernardo após a chapa em que era candidato a vice-prefeito não vencer as eleições majoritárias em 2024, o ex-vereador Paulo Chuchu (PL) afirmou que está indignado com o distanciamento dos atuais parlamentares em relação às demandas mais urgentes da população e com a atuação excessivamente alinhada ao Executivo. O liberal também descarta disputar as eleições deste ano, mas diz que voltará em 2028.
Segundo Chuchu, há um descompasso entre os discursos políticos e a realidade vivida pelos moradores. “Vivemos no município. O que me incomoda é ver vereador preocupado com problemas de fora, enquanto aqui as pautas mais básicas ficam abandonadas. Questões do cotidiano, como infraestrutura, saúde e segurança, deveriam ser prioridade absoluta”, pontua.
O liberal diz observar a repetição de práticas que já presenciava quando ocupava uma cadeira na Câmara. Em sua visão, há uma mistura de funções entre os Poderes. “O prédio da Prefeitura parece o mesmo da Câmara. Executivo e Legislativo têm que dialogar, mas são funções totalmente diferentes, e hoje não vejo essa distinção”, critica.
Paulo Chuchu aponta que existe uma obediência excessiva aos projetos do governo municipal e uma blindagem política diante de fatos que, segundo o liberal, mereceriam maior fiscalização. “Ora a esquerda defende, ora a suposta direita defende, mas ninguém enfrenta de verdade os problemas que chegam da população. O que vejo é o cidadão comum pagando o preço.”
O ex-parlamentar faz questão de ressaltar que suas declarações não têm visam confronto pessoal ou ganho político. “Não falo isso para virar inimigo de ninguém ou ganhar hype. Falo a verdade. Moro aqui e quero que São Bernardo dê certo. No posso torcer para o avião bater de bico no chão e morrer todo mundo.”
Em determinado momento, chega até a elogiar o atual prefeito, Marcelo Lima (Podemos), para o qual sua chapa, encabeçada pelo deputado federal Alex Manente (Cidadania), perdeu no segundo turno. “Não dá para dizer que nada está sendo feito, obras estão sendo entregues.”
Sobre a atual composição da Câmara, Chuchu é direto ao afirmar que não há oposição efetiva. “O governo tem hoje uma hegemonia maior do que na gestão do (ex-prefeito Orlando) Morando (sem partido)”, diz. Para o liberal, a aprovação quase unânime dos projetos do Executivo e a rejeição da cassação do prefeito, investigado pela Polícia Federal por corrupção, evidenciam esse cenário. “Todos votam a favor de tudo. Isso me deixa chateado, porque eu sou um político municipalista.”
Chuchu reforça que acredita que a política deve começar no município. “É na ponta que a gente sente se o serviço está sendo entregue ou não”, afirma, ao lembrar sua trajetória profissional e política, destacando os 20 anos de atuação na polícia e o atendimento direto à população como parte de sua formação.
ELEIÇÕES
Sobre o futuro eleitoral, o ex-vereador afirma não ter planos de disputar cargos em 2026. “Não pretendo ser candidato este ano, a não ser que seja uma missão do partido, o que não deve ocorrer”, explica. Seu objetivo é retornar à Câmara em 2028. “Quero continuar um trabalho que foi interrompido. Hoje sou um Chuchu muito mais experiente e menos impulsivo.”
Após a derrota eleitoral, Paulo Chuchu diz ter passado por um período de reflexão pessoal e política. “Precisei fazer uma higiene interna, reconhecer meus erros. Antes eu atropelava tudo”, admite, destacando a importância do amadurecimento.
Embora não descarte completamente uma candidatura ao Executivo no futuro, Chuchu afirma que essa não é sua prioridade: “Hoje, minha vontade é voltar à Câmara. Muita coisa pode mudar depois de 2026, mas esse é o meu foco”.
O liberal também critica a atual gestão municipal, apontando que há excesso de investimento em festas e eventos. “Acho que se investe demais na alegria do povo para maquiar problemas”, avalia.
Chuchu lembra que obras importantes, como a Ponte Estaiada, foram iniciadas em gestões anteriores e considera desrespeitoso minimizar o papel de lideranças que trouxeram recursos para a cidade. “Na pandemia, a política foi deixada de lado. Juntos, eu e a deputada Carla Morando <CF51>(PSDB)</CF> trouxemos cerca de R$ 20 milhões para o Hospital de Urgência. Isso é política adulta.”
Apesar das divergências, nega nutrir ressentimentos e reafirma torcer pelo sucesso de gestores atuais e passados. “Posso discordar politicamente, mas torço para dar certo. Quando dá errado, quem sofre é a população”, finaliza Paulo Chuchu, ao defender para São Bernardo uma administração mais técnica, profissionalizada e comprometida com as necessidades reais dos moradores.
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