Editorial Os dados de violência nas estradas que atravessam o Grande ABC revelam quadro que exige reflexão. Durante o último recesso natalino, acidentes e mortes cresceram, embalados pelo deslocamento que aumenta por causa das festas. O SAI (Sistema Anchieta-Imigrantes), a Índio Tibiriçá e trechos do Rodoanel concentraram ocorrências em volume superior ao mesmo período de 2024. O fluxo maior não pode servir como justificativa automática, pois previsibilidade faz parte da gestão viária. Feriados prolongados integram o calendário, permitindo planejamento prévio, ações preventivas, comunicação eficaz e resposta rápida a incidentes. Quando isso falha, o custo recai sobre famílias e sociedade.
É preciso lembrar que, com exceção da Índio Tibiriçá, quem utiliza as rodovias paga caro. O pedágio do SAI, em R$ 38,70, lidera o ranking nacional, valor que cria expectativa legítima de contrapartida em segurança operacional. Concessionárias assumem compromisso contratual de garantir condições adequadas de circulação, sinalização funcional, apoio mecânico, atendimento médico e estratégias para reduzir sinistros. Investimento contínuo não pode se limitar à fluidez, devendo alcançar fiscalização, orientação ao volante e monitoramento permanente. O pagamento da tarifa não compra apenas asfalto, mas também proteção contra riscos previsíveis, sobretudo em períodos de movimento intenso.
Sabe-se que o comportamento dos motoristas também influencia os resultados, como apontam especialistas ao mencionar pressa, cansaço, álcool e manutenção veicular insuficiente. Ainda assim, tal fator não exime empresas e poder público de agirem de forma coordenada. Zeladoria, campanhas educativas, controle efetivo, mensagens claras em painéis, reforço de equipes e atenção em pontos nevrálgicos podem salvar vidas. Reduzir acidentes depende de prática constante. Diante da tragédia exposta pelos números, espera-se mudança de postura das concessionárias que operam na região. Viajar com segurança deve ser regra, não exceção, especialmente quando o usuário já paga preço elevado por isso.
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