Economia Titulo Artigo

Confiar, o ato mais corajoso do gestor

Quando um líder decide confiar, ele escolhe formar bons times, dar autonomia, permitir que talentos floresçam e que erros inevitáveis sejam transformados em evolução

Fábio Ventura
09/01/2026 | 08:47
Compartilhar notícia
 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Confiar é difícil. Talvez seja o ato mais complexo e, por isso mesmo, mais corajoso que um gestor pode praticar. Com um mercado solidificado por metas agressivas, competição acirrada e uma longa lista de experiências frustrantes que moldam nosso instinto de autoproteção, confiar parece quase um gesto subversivo. 

É muito mais fácil se esconder atrás do ceticismo, vestir a armadura do sarcasmo ou adotar a postura defensiva de quem sempre espera o pior. Difícil é abrir espaço para o otimismo e, ainda mais, para o outro. Mas não há construção de futuro possível sem confiança. 

Liderar não é só tomar decisões estratégicas. É criar condições para que pessoas possam realizar o que, individualmente, seria inalcançável. Quando um gestor decide confiar, ele escolhe formar bons times, dar autonomia, permitir que talentos floresçam e que erros inevitáveis sejam transformados em evolução. 

DGABC

Delegar não é abdicar do controle, é reconhecer que ninguém escala sozinho. É acreditar que um colaborador pode conduzir um processo com competência e que isso não diminui o gestor; ao contrário, o engrandece. 

Confiar também é crer que o cliente, na maioria das vezes, está tão bem-intencionado quanto você. É comum assumir que todo contato esconde uma segunda intenção. Mas essa postura, além de desgastante, é improdutiva. 

Quando a relação nasce da desconfiança, ela já começa fragilizada. Quando nasce da confiança com limites claros e expectativas alinhadas, tem espaço para gerar valor real.

Todos estamos marcados por histórias que nos deixaram mais cautelosos do que gostaríamos. Mas reduzir a liderança a um exercício permanente de desconfiança é desperdiçar o que há de mais potente na construção coletiva: a colaboração, a criatividade e a capacidade de fazer diferente.

Quando um gestor decide confiar, ele se expõe e é aí que está a coragem. 

Ele assume que não controla tudo, que depende dos outros e abre espaço para novas possibilidades. O excesso de defesa não elimina riscos, elimina oportunidades. E, no fim, a conta que realmente pesa não é a dos erros cometidos, mas a das alianças que deixaram de ser feitas, dos talentos que não foram aproveitados, dos caminhos promissores que se fecharam antes mesmo de começar.

Numa época onde a complexidade cresce mais rápido do que qualquer manual de gestão consegue acompanhar, confiar não é ingenuidade: é estratégia. É entender que a inteligência coletiva supera qualquer genialidade individual. E que a tecnologia é sempre bem-vinda, mas o potencial humano ainda é o ativo mais valioso de qualquer organização. Confiemos.

Fábio Ventura é fundador e CEO da Like Leads.




Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


;