Editorial A paralisação dos funcionários dos Correios em dezembro ainda causa transtorno aos moradores do Grande ABC. Após sofrer com a demora no recebimento de produtos encomendados como presentes de Natal, a população se depara agora com atraso na entrega de carnês do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), que começam a vencer já neste mês. Embora o movimento dos servidores tenha sido encerrado em 31 de dezembro, os habitantes das sete cidades – e também os dos demais municípios do Brasil – continuam arcando com seus efeitos. É passada a hora de a União olhar com mais atenção para a empresa estatal, que nos últimos 12 trimestres operou em crise.
É grave a situação nos Correios, que registram prejuízos sucessivos, reduzem a participação no mercado e necessitam de constantes aportes de dinheiro público para manter o funcionamento das operações. Com a turbulência financeira, mesmo detendo o monopólio no serviço postal em território nacional, a empresa passou a buscar empréstimos e planeja programa de fechamento de agências e redução do quadro funcional, indicando um processo de reestruturação que afeta trabalhadores, usuários e a própria presença do serviço em áreas menos atendidas. Enquanto a estatal agoniza em praça pública, pouco tem sido feito – de efetivo – na esfera política para a correção da rota.
Diante desse cenário, é necessário que autoridades federais tratem o futuro dos Correios com atenção ampliada e decisões transparentes. A estatal segue responsável pela universalização postal, função que o mercado não assume de forma integral. A ausência de um projeto consistente aprofunda conflitos trabalhistas e amplia reflexos locais, como os que são vistos nas sete cidades do Grande ABC. Cadê os deputados federais? Os senadores? A sociedade civil organizada? A opinião pública? A continuidade da situação tende a agravar perdas de confiança e eficiência. É preciso avaliar caminhos que garantam a sustentabilidade da companhia, evitando que a população pague o custo de indefinições prolongadas.
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