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Calor e doenças cardiovasculares

Antonio Carlos Palandri Chagas
06/01/2026 | 09:07
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 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O aumento da temperatura global não é apenas uma questão ambiental: é um agravador de doenças. Nas últimas décadas ondas de calor mais frequentes e intensas têm chamado a atenção de pesquisadores e profissionais de saúde em todo o mundo. O que antes era tratado como desconforto climático passou a ser uma questão séria de saúde pública: o impacto das altas temperaturas sobre o organismo, especialmente sobre o sistema cardiovascular humano.

O calor é um fator de risco invisível: ao contrário de quedas de árvores ou enchentes, que deixam marcas visíveis, as ondas de calor são uma “emergência silenciosa” – e causam milhares de mortes que muitas vezes não são diretamente atribuídas ao calor nas estatísticas oficiais. Pesquisas epidemiológicas mostram que em dias de calor intenso, cada aumento de 1 °C acima do limite de conforto térmico pode elevar em cerca de 5,7 % o risco de mortes gerais em áreas urbanas, com maior impacto entre idosos e pessoas com doenças cardiovasculares pré-existentes. Essas mortes não são classificadas como “causadas pelo calor” nos registros oficiais, mas sim como decorrentes de condições que se agravam quando o corpo é submetido a temperaturas extremas, como hipertensão arterial, angina de peito, insuficiência cardíaca, infarto do miocárdio e AVCs (Acidentes Vasculares Cerebrais).

O corpo humano tenta se adaptar ao calor aumentando a vasodila-tação e a sudorese. Esse esforço pode provocar: desidratação e queda do volume sanguíneo, dificultando a circulação eficiente; aumento da frequência cardíaca, elevando a demanda de oxigênio pelo coração; alterações na pressão arterial e no equilíbrio de eletrólitos, desencadeando arritmias. De forma que para pessoas com doenças cardiovasculares prévias, esses efeitos podem ser fatais – e mais comuns do que parece.

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Nós os profissionais de saúde defendemos que políticas de aviso antecipado, adaptação urbana como aumento de áreas verdes e espaços com sombra e sistemas de vigilância climática sejam integrados às ações de saúde para proteger os grupos vulneráveis. Muito embora o calor não seja uma causa de morte isolada, ele exacerba as doenças cardiovasculares e aumenta a mortalidade em grupos vulneráveis, transformando-se em um fator de risco ambiental que exige atenção imediata – tanto da população quanto das autoridades sanitárias.

Antonio Carlos Palandri Chagas é médico, professor titular de Cardiologia do Centro Universitário FMABC (Faculdade de Medicina do ABC) e pesquisador do Incor (Instituto do Coração).




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