Economia Crise com EUA pode gerar instabilidades nos setores de energia, comércio e infraestrutura, mas sem alta expressiva nos combustíveis
Vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodriguez, assume (FOTO: Fotos Públicas/@Miraflores)

O sequestro e julgamento do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e de sua mulher, Cilia Flores, ordenados pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, causam incertezas globais em relação aos riscos de guerra civil e impactos socioeconômicos e políticos para países vizinhos, como o Brasil. De acordo com especialistas, os desdobramentos podem gerar instabilidades nos setores de energia, comércio e infraestrutura das fronteiras. De forma geral, a expectativa é que não haverá altas expressivas nos valores de combustíveis, por exemplo.
Após a captura no sábado (3), Trump disse que vai administrar a Venezuela durante o governo de transição e que as petroleiras norte-americanas vão entrar no país, mas ontem a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodriguez, assumiu de forma interina.
Maduro é acusado por quatro crimes na Justiça norte-americana: narcoterrorismo; conspiração para o tráfico de cocaína; posse de armas e explosivos; e conspiração para a posse de armas e explosivos. Em um tribunal em Nova York, ele e a mulher se declararam inocentes. Nova audiência ficou para 17 de março.
“No setor de energia, é possível alguma instabilidade no fornecimento regional, bem como impactos indiretos no mercado de petróleo. Pode haver também retração do comércio fronteiriço e prejuízos para empresas brasileiras com atuação na Venezuela. Quanto à infraestrutura, os riscos a projetos de integração regional, logística e corredores bioceânicos tendem a ser limitados, uma vez que a estagnação econômica do continente já esfriou iniciativas relevantes nessas áreas”, detalha o professor de Relações Internacionais e doutor em história social pela USP (Universidade de São Paulo) Sidney Leite.
O professor da FIA Business School e doutor em administração pela USP Rodolfo Olivo pontua que o preço do petróleo deve aumentar apenas a curto prazo por conta da instabilidade geopolítica.
“Ficou claro que os Estados Unidos não têm medo de uma intervenção militar em países da América Latina, mas, a médio prazo, a perspectiva é de uma normalização da produção de petróleo na Venezuela, o que pode fazer com que o valor caia bastante. O encarecimento do combustível no Brasil é pouco provável porque a Petrobras já é autossuficiente e o País é um grande produtor mundial de petróleo. A estatal pode administrar para não repassar de forma expressiva.”
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Para o presidente do Regran (Sindicato do Comércio Varejista dos Derivados de Petróleo do Grande ABC), Roberto Leandrini, ainda é cedo para ter dimensão dos impactos para a região e para o Brasil.
“O petróleo já opera em alta, mas nada assustador. Não acredito que haverá grandes mudanças. A ação pode ter reflexos no Brasil porque faz fronteira tanto com a Venezuela, quanto com a Colômbia, que também sofreu ameaças, mas nada instantâneo. É prematuro falar que o preço do combustível vai ter alteração por causa do conflito.”
Segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Moisés Selerges, a maior preocupação é com a violação das leis internacionais. “A região exporta pouco para a Venezuela, que já passa por uma crise econômica. Trump deixou claro o interesse em explorar os recursos naturais do país, ainda disse sobre atacar a Colômbia. Há uma disputa geopolítica em andamento e o Brasil deve estar atento a isso”. afirmou.
A curto prazo, Sidney Leite aponta para possibilidade de aumento do fluxo migratório em direção ao Brasil. “Nesse contexto, é aconselhável maior presença estatal e militar ao longo da extensa fronteira entre os dois países. Há destaque para a questão da segurança, com riscos de expansão de grupos armados e crescimento do contrabando, do garimpo ilegal e do crime organizado transfronteiriço.”
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