Economia Titulo Economia

Insegurança na Venezuela acende alerta para Brasil

Crise com EUA pode gerar instabilidades nos setores de energia, comércio e infraestrutura, mas sem alta expressiva nos combustíveis

Beatriz Mirelle
06/01/2026 | 08:18
Compartilhar notícia
Vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodriguez, assume (FOTO: Fotos Públicas/@Miraflores)
 Vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodriguez, assume (FOTO: Fotos Públicas/@Miraflores) Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O sequestro e julgamento do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e de sua mulher, Cilia Flores, ordenados pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, causam incertezas globais em relação aos riscos de guerra civil e impactos socioeconômicos e políticos para países vizinhos, como o Brasil. De acordo com especialistas, os desdobramentos podem gerar instabilidades nos setores de energia, comércio e infraestrutura das fronteiras. De forma geral, a expectativa é que não haverá altas expressivas nos valores de combustíveis, por exemplo. 

Após a captura no sábado (3), Trump disse que vai administrar a Venezuela durante o governo de transição e que as petroleiras norte-americanas vão entrar no país, mas ontem a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodriguez, assumiu de forma interina.

Maduro é acusado por quatro crimes na Justiça norte-americana: narcoterrorismo; conspiração para o tráfico de cocaína; posse de armas e explosivos; e conspiração para a posse de armas e explosivos. Em um tribunal em Nova York, ele e a mulher se declararam inocentes. Nova audiência ficou para 17 de março.

DGABC

“No setor de energia, é possível alguma instabilidade no fornecimento regional, bem como impactos indiretos no mercado de petróleo. Pode haver também retração do comércio fronteiriço e prejuízos para empresas brasileiras com atuação na Venezuela. Quanto à infraestrutura, os riscos a projetos de integração regional, logística e corredores bioceânicos tendem a ser limitados, uma vez que a estagnação econômica do continente já esfriou iniciativas relevantes nessas áreas”, detalha o professor de Relações Internacionais e doutor em história social pela USP (Universidade de São Paulo) Sidney Leite. 

O professor da FIA Business School e doutor em administração pela USP Rodolfo Olivo pontua que o preço do petróleo deve aumentar apenas a curto prazo por conta da instabilidade geopolítica.

“Ficou claro que os Estados Unidos não têm medo de uma intervenção militar em países da América Latina, mas, a médio prazo, a perspectiva é de uma normalização da produção de petróleo na Venezuela, o que pode fazer com que o valor caia bastante. O encarecimento do combustível no Brasil é pouco provável porque a Petrobras já é autossuficiente e o País é um grande produtor mundial de petróleo. A estatal pode administrar para não repassar de forma expressiva.”

LEIA TAMBÉM:

Reunião sobre Venezuela na ONU evidencia divisões entre líderes e termina sem avanço

Para o presidente do Regran (Sindicato do Comércio Varejista dos Derivados de Petróleo do Grande ABC), Roberto Leandrini, ainda é cedo para ter dimensão dos impactos para a região e para o Brasil. 

“O petróleo já opera em alta, mas nada assustador. Não acredito que haverá grandes mudanças. A ação pode ter reflexos no Brasil porque faz fronteira tanto com a Venezuela, quanto com a Colômbia, que também sofreu ameaças, mas nada instantâneo. É prematuro falar que o preço do combustível vai ter alteração por causa do conflito.”

Segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Moisés Selerges, a maior preocupação é com a violação das leis internacionais. “A região exporta pouco para a Venezuela, que já passa por uma crise econômica. Trump deixou claro o interesse em explorar os recursos naturais do país, ainda disse sobre atacar a Colômbia. Há uma disputa geopolítica em andamento e o Brasil deve estar atento a isso”. afirmou.

A curto prazo, Sidney Leite aponta para possibilidade de aumento do fluxo migratório em direção ao Brasil. “Nesse contexto, é aconselhável maior presença estatal e militar ao longo da extensa fronteira entre os dois países. Há destaque para a questão da segurança, com riscos de expansão de grupos armados e crescimento do contrabando, do garimpo ilegal e do crime organizado transfronteiriço.”




Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


;