Memória Como a academia observa e explica o desenvolvimento de uma cidade que já foi artesanal e dormitório e que teve na pedra uma das bases de sustentação
FOTO: Acervo: Nelson Dell’Antonia

Título: Mauá em transformação. O papel dos movimentos populares no crescimento e desenvolvimento da cidade de Mauá-SP (1950-1980).
Autora: Jayne Nunes dos Santos.
Fonte: dissertação em História e Fundamentos da Arquitetura e do Urbanismo defendida e aprovada na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo.
Apresentação: 16º Congresso de História do Grande ABC, São Bernardo, em 7 de novembro de 2025. Os loteamentos Texto: Jayne Nunes dos Santos O município de Mauá tem uma explosão de crescimento entre 1950 e 1970. Fruto da expansão industrial e do processo de metropolização que tem início na década de 1940, essa ocupação tomou forma e se consolidou nas décadas seguintes. A partir de 1950, com a progressiva instalação do parque industrial do Grande ABC, em especial a indústria automobilística, e a construção das rodovias durante o governo do presidente Juscelino Kubitscheck (1956-1961), a dinâmica do território metropolitano altera-se significativamente. Enquanto o centro da cidade de São Paulo passava por um processo intenso de verticalização, as margens da cidade eram constantemente alargadas, com a instalação de novos loteamentos. Esse processo ocorreu de maneira combinada, diminuindo a oferta de habitações de aluguel no centro da cidade e fazendo com que a “opção” pela casa própria e autoconstruída se tornasse cada vez mais a solução de moradia encontrada pelos extratos populares. Com o aumento das indústrias nas cidades localizadas ao redor de São Paulo, aumentava também a população de baixa renda, atraída tanto pelos empregos, quanto pelo baixo custo dos terrenos. Ao mesmo tempo, a instalação das rodovias interestaduais (Dutra; Rio-Bahia) facilitou a chegada de um grande número de migrantes, advindos principalmente de Minas Gerais e do Nordeste. NOTA DA MEMÓRIA – Jayne Nunes dos Santos tem a sua história de vida contada no programa “Memória na TV”, do Diário. Ela é filha de migrantes. Fez os primeiros estudos em Mauá. A universidade a levou a estudar Mauá. E um novo olhar é estabelecido por ela sobre a sua cidade. Daí porque foi importantíssima a participação de Jayne no 16º Congresso de História do Grande ABC. “Memória” sente-se feliz por ter contribuído, minimamente, para este trabalho de Jayne. Trocamos mensagens. E um dia ela saiu do jornal com um calhamaço de documentos, quase todos em forma de recortes de jornais e da página Memória. E todo aquele material foi devidamente devolvido, depois de estudado, o que para nós foi uma prova de responsabilidade e gratidão. Que bom. SOBRE AS PEDRAS Eram quatro linhas de vagonetas:
1 - Na estrada do Pinotti, que transportava pedras. 2 - Na Barão de Mauá, que levava pedras, lenha, tijolos – seguia até a divisa com Ribeirão Pires, pegava o setor da Quarta Divisão, até as imediações do Morro Pelado: era a linha mestra com os vários ramais. 3 - Linha de vagonetas que transportava caulim do Morro do Magini. 4 - Linha até a Fazenda Matarazzo, no polo industrial atual do Sertãozinho. Trazia carvão, lenha, tijolos.
Mauá se dividia nessas quatro linhas de vagonetas, todas centralizadas na estação. No pátio, cada uma descarregava suas mercadorias, abastecendo os vagões da EF São Paulo Railway. Tudo isso aprendemos com Nelson Dell’Antonia, uma das fontes do livro “De Pilar a Mauá” (PMM, Imprensa Metodista, 1987).
Crédito das fotos 1, 2, 3 e 4 – Acervo: Nelson Dell’Antonia DEPOIMENTO. Trilhos do ramal que servia a pedreira Santa Luzia, da família Dell’Antonia. A locomotiva se chamava “Izabel”. A grande pedra propiciou o fabrico de um milhão de paralelepípedos Para a edição 20.039... A nova redação Crédito da foto 5 – Banco de Dados; reprodução: João Henrique Medice 3º ANDAR. Um novo cenário, com as editorias subdivididas em boxes: ia longe o tempo da máquina de escrever DIÁRIO HÁ MEIO SÉCULO Terça-feira, 6 de janeiro de 1976 – edição 2943 MANCHETE – Geisel (presidente da República) usava o Ato Institucional nº 5 e cassava deitados do MDB paulista, Marcelo Gato (federal) e Nelson Fabiano Sobrinho (estadual). SÃO CAETANO – Inaugurada a iluminação pública no Jardim São Caetano, completando-se o benefício na cidade. INDÚSTRIA – Ford inaugurava fábrica de tratores em São Bernardo. TRANSPORTES – EF Santos a Jundiaí utilizava apenas 10% do sistema Cremalheira, entre Paranapiacaba e Santos. O novo sistema havia sido inaugurado em 1973. EM 6 DE JANEIRO DE... 1916 – Do noticiário do Estadão: ‘Estiveram bastante animados os festejos relativos à entrada do ano novo em São Caetano. Na madrugada do dia 1º a população foi despertada pela banda musical das Indústrias Reunidas F. Matarazzo, que percorreu as principais ruas dirigindo-se, depois, às residências das nossas autoridades, onde executou alguns números escolhidos’. 1966 – Iniciadas as obras de estaqueamento do Paço Municipal de São Bernardo. HOJE Dia de Reis Dia do Astrólogo Dia da Gratidão. MUNICÍPIOS BRASILEIROS No Estado de São Paulo, hoje é o aniversário de Dirce Reis e Morro Agudo. Em Pernambuco, Inajá e Sirinhaém.
E mais: Alegre (ES), Angra dos Reis (RJ), Criciúma (SC), Itapuranga (GO) e Vigia (PA).
Epifania do Senhor 6 de janeiro “Pois nós vimos sua estrela a brilhar no Oriente. E assim viemos adorar o Senhor de toda gente” (canto litúrgico). Imagem: ABC Litúrgico, Diocese de Santo André (ano 46, nº 2761, 4-1-2026). Reprodução: João Henrique Medice.
Arte: Paulo César Nunes



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