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O SUS e as práticas mais sustentáveis

João Romano
05/01/2026 | 09:06
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Incorporar os princípios de ESG (Ambiental, Social e Governança, na sigla em inglês) às políticas públicas de saúde é um marco promissor e desafiador da gestão. Nesse sentido, o SUS (Sistema Único de Saúde) reflete a complexidade das demandas do País e reúne as condições institucionais e operacionais necessárias para liderar a transição rumo a um modelo de cuidado sustentável, equitativo e inovador.

O componente ambiental deve ser abrangente. A eficiência energética das unidades, o uso responsável da água, a adoção de processos de compras sustentáveis e a incorporação de tecnologias digitais que reduzem consumo de papel são exemplos de práticas que traduzem o compromisso ecológico em resultados concretos. Tais iniciativas produzem ainda ganhos econômicos diretos, permitindo a realocação de recursos para a própria assistência e fortalecendo a sustentabilidade financeira do sistema.

No pilar social reside a essência do sistema público. Criado sob o princípio da universalidade, o SUS é, por natureza, uma política de ESG, ao garantir acesso gratuito, integral e equitativo à população. Incorporar os pilares de ESG a essa estrutura significa atualizar seus instrumentos de gestão para um tempo em que o impacto social é mensurado, a transparência é um valor estratégico e a inovação se torna indissociável da equidade. 

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As OSSs (Organizações Sociais de Saúde) têm papel crucial nessa transição. Como estruturas de governança dotadas de flexibilidade administrativa e foco em resultados, elas têm contribuído para a implementação de políticas de eficiência energética, digitalização de processos, programas de educação ambiental e incentivo à economia circular – práticas que reforçam um olhar voltado à preservação ambiental sem se afastar-se dos princípios do serviço público. 

O cuidado com as pessoas e a responsabilidade socioambiental caminham juntos. É importante lembrar que a consolidação de uma cultura ESG na saúde requer métricas robustas, indicadores transparentes e mecanismos de governança que permitam monitorar o impacto ambiental, social e econômico das intervenções. A maturidade dessa agenda depende de sua institucionalização, o que significa incorporar o ESG como eixo estruturante dos modelos de gestão.

O SUS reúne condições ímpares para liderar esse movimento. No Brasil, o fortalecimento de práticas sustentáveis e inovadoras no sistema público pode estabelecer um novo paradigma de política de saúde. Aquele em que cuidar das pessoas e preservar o planeta são faces complementares de uma mesma política de Estado.

João Romano é gerente executivo do Centro de Estudos e Pesquisas ‘Dr. João Amorim’




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