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Os começos de 2026: ano marca o início de uma nova história para moradores da região

Seja aos 10, 20, 30, 40 ou 50 anos, a vida traz seus altos e baixos, mas sempre a oportunidade de escrever novas histórias

01/01/2026 | 08:43
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FOTO: Claudinei Plaza/DGABC
FOTO: Claudinei Plaza/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Para além da virada de ano, 2026 marca um recomeço de moradores do Grande ABC que estão em diferentes fases. Seja aos 10, 20, 30, 40 ou 50 anos, a vida traz seus altos e baixos, mas sempre a oportunidade de escrever novas histórias.

A técnica em enfermagem Valdirene Custódia Pereira, 53 anos, iniciou 2025 com um diagnóstico impactante: câncer de mama agressivo. A moradora de Mauá chegou a planejar seu possível pós-morte, orientando seus filhos sobre bens e seguro de vida em seu nome. 

Doze meses depois, entra em 2026 em um cenário totalmente diferente, com seu tratamento quimioterápico encerrado, pronta para viver uma nova fase, recomeçar seus projetos, voltar para o trabalho e celebrar a vida, tanto por sua nova chance, quanto pela vinda do primeiro neto, ou neta, previsto para chegar em julho.

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Os tempos difíceis para Valdirene começaram já no fim de 2024, quando perdeu um de seus irmãos. Durante o tratamento do câncer em 2025 passou por outros problemas no decorrer do ano. “Um tio especial de quem cuidava morreu e em junho minha irmã perdeu os rins devido à diabetes e precisa fazer hemodiálise. Em meio a tudo isso tem as preocupações com minha mãe, que tem 89 anos e deficiência visual”, conta. 

Seu próprio diagnóstico veio depois de perceber que sentia dor quando abraçava alguém e foi investigar por meio de mais exames porque na mamografia que fazia anualmente desde os 45 anos, pois tem histórico de câncer na família, mas não indicava nada. 

Valdirene concluiu os seis meses de quimioterapia no AME (Ambulatório de Especialidades Médicas) de Santo André agora, no final de dezembro e, em janeiro, inicia aproximadamente um mês de radioterapia, que será realizada no Hospital Estadual Mário Covas, também em Santo André. A partir de então, ela seguirá somente com o acompanhamento médico semestral.

A técnica de enfermagem diz que vai voltar ao trabalho em março, momento pelo qual está ansiosa. “É horrível ficar parada. Sou acelerada e acostumei com a vida corrida de quem trabalha em hospital. Estou há 15 anos no Hospital Nardini (em Mauá). Quero voltar a cuidar das pessoas. A vida é assim, um dia você cuida dos outros e amanhã será cuidada, e fui muito bem acolhida. O diagnóstico entristece mas o amor cura”, define Valdirene, que poderá abraçar sem dor. 

NOVA VIDA

Quem se prepara também para uma nova vida é a analista antifraude de Santo André Michele Martins Delaterra, 38, que vai ser mãe pela primeira vez em março de 2026. O ano começa com muitas novidades e transformações ao mesmo tempo em função da gestação. Ela vai morar com o pai de sua filha, que veio de surpresa, sem planejamento dos pais.

“Não queria ser mãe. Nunca tive esse desejo, e agora estou me programando para a chegada da Lívia. Em janeiro começo a organizar a mudança para a casa do meu namorado. Terei vários apoios. A família toda ficou em êxtase com a notícia, mas eu ainda estou me acostumando com a ideia. Sei que vou viver muitos desafios no dia a dia, mas não fico pensando muito nisso, só vivendo o momento”, destaca.

Michele diz sentir um misto de insegurança e medo de não conseguir dar conta de tudo. “Não romantizo a maternidade, tenho o pé no chão, mas espero que nunca lhe falte nada e possa proporcionar a ela uma vida boa. A maior expectativa é que minha filha venha com saúde”, pontua.

Experiência com crianças a analista antifraude adquiriu acompanhando a criação e crescimento de quatro de seus sobrinhos. Em relação ao trabalho, a adaptação será mais tranquila, com mudanças menos significativas na rotina, pois ela atua em home office. “Essa condição vai facilitar muito minha vida, principalmente quando a Lívia for para a escolinha, estarei em casa para recebê-la”, planeja.

FUTURO

O ano será uma oportunidade de reconstruir uma trajetória que está apenas começando, mas já com muitos desafios e contratempos, para os internos da Fundação Casa (Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente) de Santo André, Miguel e Thiago (nomes fictícios), ambos com 18 anos. 

Para 2026, a expectativa dos jovens é a liberdade e a chance de iniciar a construção de um futuro diferente e promissor. 

Pai de uma menina de um ano e sete meses, o jovem Miguel busca uma nova vida no próximo ano. “Infelizmente, eu vim parar aqui, mas fui aprendendo. Hoje, tenho minha mulher lá fora e minha filha. Minha família é o que me fortalece. Todos os domingos eu aproveito as visitas dos meus pais. Estou aguardando a resposta do Judiciário e a qualquer momento pode vir a liberdade. Meu plano é trabalhar no restaurante do meu sogro no interior de São Paulo, quero me aprofundar nisso”, compartilha o interno.

Além do sonho profissional, Miguel planeja o casamento com sua noiva. Pensando nisso, durante seu período privado, o interno se aproximou da fé e observa ser uma pessoa diferente em comparação a quando entrou. “O que mais gosto aqui é de ler a palavra de Deus. Em 2026, espero estar trabalhando e abraçar as oportunidades que vierem. O ano que vem será uma nova vida”, afirma.

A história de Thiago passa por momentos turbulentos na juventude. Ao perder os pais com 13 anos, o interno se viu sem direção, acabando vivendo em situação de rua durante três anos até ser internado na Fundação.

Perto de conseguir a tão sonhada liberdade, o jovem se vê ansioso pela decisão. “Não consigo nem dormir direito. Minha equipe de referência ainda está vendo onde eu vou. Estou começando tudo do zero, ganhando roupa, kit de higiene e um emprego novo para mim. Também estão visitando locais para ver onde posso morar”, reforça Thiago. 

“Para 2026, vou acabar meus estudos e trabalhar. Quero também começar um curso de enfermagem para seguir na carreira de bombeiro civil. Uma fase da minha vida em que minha mãe passava mal direto, quando tinha uma ocorrência, eram os bombeiros que nos auxiliaram. Isso me ajudou a me aproximar da profissão. Para mim, vou recalcular a rota”, completa o rapaz. 

Ainda mais jovens, os alunos de São Bernardo Henrico Lemos, 11, e Felipe Lemos, 13, caminham para novos desafios escolares em 2026. Além de melhorarem suas notas, os estudantes, que são primos, visam aprimorar as técnicas em um esporte que é a paixão de muitos meninos brasileiros. 

“Quero melhorar no futebol. Não pretendo seguir carreira, mas quero saber jogar melhor. Além disso, estou indo para o sétimo ano e quero ir melhor, mas acho que vai ser mais difícil. Torço para o Santos, espero que o Neymar fique”, brinca Henrico.

De acordo com Felipe, o desejo para o próximo ano é a união familiar. “Espero que seja um ano muito bom e abençoado. Minha família está querendo viajar para os Estados Unidos e, se tudo der certo, a gente vai mais uma vez”, diz. Henrico pretende fazer essa viagem com o primo, assim como tantas outras que poderão realizar ao longo de uma jornada que está apenas iniciando.




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