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Filmes e séries podem contribuir para debate sobre saúde mental

Especialista alerta para riscos de romantização, mas destaca que produções podem auxiliar e tornar mais visíveis sinais e sintomas

Gabriel Gadelha
Especial para o Diário
30/12/2025 | 12:20
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 Produções audiovisuais têm se consolidado como ferramentas importantes para ampliar o debate sobre saúde mental, ao retratar transtornos, sofrimentos psíquicos e conflitos emocionais de forma mais próxima da realidade. Ao acompanhar essas histórias, parte do público pode se reconhecer em situações vividas pelos personagens, o que contribui para a identificação de sinais de alerta e para a busca por ajuda profissional.

Do cinema às séries de streaming, obras nacionais e internacionais abordam temas como depressão, transtornos alimentares, bipolaridade, autismo, esquizofrenia e os impactos das redes sociais na juventude.

Para o psicólogo Leonardo Bourroul, especialista em Clínica Analítico-Comportamental, filmes e séries podem terum papel relevante nesse processo de identificação, desde que o público esteja atento à forma como os temas são apresentados. Segundo ele, essas produções ajudam a tornar mais visíveis sinais e sintomas de sofrimento psíquico, mas não substituem a avaliação profissional.

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“O contato com essas narrativas pode fazer com que a pessoa se questione se reconhece determinados sinais em si mesma ou em alguém próximo. Isso já provoca um debate e uma atenção maior para a saúde mental”, afirma.

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Bourroul, no entanto, faz um alerta para o risco de romantização de transtornos e da reprodução de estigmas, especialmente quando os conteúdos circulam de forma descontextualizada nas redes sociais.

O especialista também chama atenção para a influência que discursos e comportamentos retratados no ambiente digital podem ter na vida real, sobretudo entre crianças e adolescentes. “Nem tudo que fica no campo cultural ou virtual deve ser generalizado para o cotidiano. Alguns conteúdos podem atravessar essa barreira e se transformar em comportamentos de risco no convívio social”, explica.

Segundo Bourroul, cada pessoa reage de forma diferente aos estímulos apresentados nas obras audiovisuais, o que reforça a necessidade de uma análise individualizada. “Sempre que houver qualquer dúvida, o mais indicado é procurar um profissional de saúde mental, que possa oferecer um acolhimento qualificado, e não se pautar apenas em filmes, séries ou outras produções culturais”, orienta.

Além da análise de especialistas, o cinema e as plataformas de streaming oferecem produções que ajudam a ilustrar, sob diferentes perspectivas, temas ligados à saúde mental. O Diário selecionou filmes e séries que abordam o tema de diversas formas.

Entre os títulos está O Mínimo para Viver (2017), que acompanha a trajetória de uma jovem que enfrenta a anorexia nervosa, um transtorno alimentar grave. Sem acreditar na possibilidade de recuperação, a personagem vive uma rotina marcada pela apatia e pela falta de perspectivas, até iniciar um tratamento conduzido por um médico com métodos pouco convencionais, que a confronta com a doença.

Outra obra que trata do tema é O Lado Bom da Vida (2012). No filme, Pattenta reconstruir a rotina após passar um período internado em uma clínica psiquiátrica e receber o diagnóstico de transtorno bipolar. Em meio às dificuldades de adaptação, ele conhece Tiffany, uma jovem que também enfrenta instabilidades emocionais.

Já As Vantagens de Ser Invisível (2012) acompanha Charlie, um adolescente introspectivo que lida com traumas do passado e depressão. Ao ingressar no ensino médio, ele encontra apoio em dois estudantes mais velhos, que o ajudam a enfrentar o bullying e as inseguranças da adolescência. A produção aborda temas como sexualidade, família e sofrimento emocional. Por fim, o filme brasileiro Nise: O Coração da Loucura (2015) retrata a história real da psiquiatra Nise da Silveira, responsável por transformar o tratamento de pessoas com esquizofrenia no Brasil a partir da década de 1940. 

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