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Como incluir a comunidade surda?

Cid Torquato
28/12/2025 | 08:31
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FOTO: DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


A inclusão da comunidade surda precisa estar na pauta o ano todo, e não só em datas simbólicas. Acompanho o tema há 18 anos, desde que quebrei o pescoço e fiquei tetraparético. Ao longo dessa trajetória, presenciei avanços importantes e, por isso, mantenho um olhar otimista, especialmente diante das tecnologias que hoje têm potencial real de transformar vidas.

Ainda assim, quando falamos da comunidade surda, é impossível ignorar a frustração diante da lentidão das mudanças. O mais preocupante é perceber que, muitas vezes, ações simples e de baixo custo poderiam gerar transformações profundas e duradouras. 

Apesar de marcos legais como a Lei nº 10.436/2002 e o Decreto nº 5.626/2005, que reconhecem e regulamentam o uso da Libras, ainda existe um grande abismo entre o que está na lei e o que acontece na prática.

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Na rotina, muitas pessoas surdas seguem excluídas e dependentes de terceiros para exercer direitos básicos. A legislação determina que órgãos e serviços públicos ofereçam intérpretes de Libras e recursos de acessibilidade comunicacional, presencial ou virtualmente. Mas ainda é comum que surdos precisem de familiares para consultas médicas, atendimentos ao cidadão ou audiências judiciais – uma violação da autonomia e da cidadania.

Na educação, onde a inclusão deveria ser inegociável, o cenário é igualmente preocupante. O País só conta com 64 escolas bilíngues em mais de 5,7 mil municípios. Com isso, a maioria dos cerca de 63 mil alunos surdos está na rede regular, muitas vezes sem intérpretes ou professores bilíngues, comprometendo a aprendizagem e o acesso ao mercado de trabalho.

No ambiente corporativo, embora exista a Lei de Cotas, apenas 29,2% das pessoas com deficiência estão empregadas, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Para profissionais surdos, o obstáculo não é a capacidade, mas a falta de ambientes acessíveis do ponto de vista comunicacional.

Há, porém, ações inspiradoras. Em São Paulo, há a Central de Acessibilidade Comunicacional e a Central de Intermediação em Libras, que ampliaram o acesso a serviços públicos por meio de tecnologia. Iniciativas como essas, assim como projetos conduzidos pelo Icom, mostram que inclusão é possível, eficaz e estratégica.

Mais de 10 milhões de brasileiros têm algum grau de deficiência auditiva. Incluir essa população não é apenas uma questão ética, mas uma oportunidade social e econômica. A inclusão precisa ser contínua, sustentada por políticas públicas, fiscalização e compromisso real. Somente assim deixará de ser discurso e passará a ser vivida... em Libras!

Cid Torquato é embaixador do Icom.




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