Condenação Prefeito de Diadema foi condenado por associar o chefe de Gabinete do presidente Lula a um dos líderes da facção criminosa PCC
FOTO: Denis Maciel/DGABC

Atualizada às 22h
O prefeito de Diadema, Taka Yamauchi (MDB), condenado pela Justiça Eleitoral a seis meses e 25 dias de detenção, em regime inicial aberto, por associar o chefe de Gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Marco Aurélio Santana Ribeiro, a Marcos Willians Herbas Camacho, um dos líderes da facção criminosa PCC – ambos conhecidos como Marcola –, se manifestou ontem pela primeira vez após a decisão. A condenação ocorreu em decorrência de declarações feitas por Yamauchi durante debate eleitoral promovido pelo portal G1, em agosto de 2024.
Primeiramente, o emedebista agradeceu o apoio recebido nos últimos dias, afirmando que as mensagens de carinho e preocupação reforçam sua motivação para continuar servindo à cidade. Taka ressaltou que a decisão da Justiça Eleitoral ainda “é de primeira instância e está em trânsito”, garantindo que todos os recursos cabíveis serão apresentados.
“Confio plenamente no devido processo legal e no direito à ampla defesa”, disse, destacando que a manifestação que originou a condenação aconteceu durante um debate público em 2024, durante a campanha a prefeito, no qual abordou temas sobre o combate ao crime organizado no Brasil e questionou a aplicação de recursos públicos, especificamente sobre repasses feitos a cidades aliadas do governo federal.
“Fomos punidos por uma fala no processo eleitoral de 2024. Simplesmente comentei que o Brasil há tempos sofre com crime organizado. enquanto muitas pessoas roubam, se corrompem e essas passam impune. Por uma fala em um debate eleitoral, em que você pede satisfação de onde estão os recursos enviados para nossa cidade, é punido”, destacou o prefeito.
“O Brasil vem sofrendo há muito tempo com o crime organizado, inclusive o tal de Marcola, lá de Brasília, de forma irregular, mandou dinheiro aqui para Diadema conforme denunciado pela mídia”, disse Taka durante o debate.
O prefeito reafirmou que sua declaração teve como objetivo cobrar transparência, uma postura que considera legítima e necessária em qualquer democracia. “É duro ver uma fala sobre a defesa da transparência se tornar razão de ataque”, lamentou o emedebista.
Taka declarou ainda que continuará seu trabalho com responsabilidade e transparência, mantendo-se firme em sua posição. “Não me escondo, não me calo e não me afasto. Sigo em pé, porque sei que a verdade prevalece para quem age com honestidade e propósito.”
O CASO
A declaração de Taka durante o debate provocou reação imediata do então prefeito José de Filippi Junior (PT), que buscava a reeleição. O petista afirmou que o emedebista teria confundindo o auxiliar de Lula com Marcos Willians Herbas Camacho, este sim, um dos líderes do PCC.
Dias após o debate, o chefe de Gabinete de Lula entrou com ações judiciais cível e eleitoral contra Taka, dentre as quais, pedindo indenização de R$ 20 mil por danos morais. O auxiliar do presidente também solicitou que a AGU (Advocacia-Geral da União) impetrasse mais uma ação na Justiça Federal, por alegar que a instância tem competência para julgar um crime envolvendo a honra de um agente público federal. Em abril, o TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) condenou o prefeito de Diadema a pagar R$ 14 mil em indenização ao assessor de Lula na esfera cível.
No último dia 19, a condenação de Taka Yamauchi foi proferida pela 258ª Zona Eleitoral de São Paulo, por difamação e injúria eleitoral. Na sentença, a juíza Clarissa Rodrigues Alves destacou que o emedebista ultrapassou os limites da crítica política ao associar de maneira deliberada o apelido de Marco Aurélio ao crime organizado, afirmando que essa associação “não deixa dúvidas quanto ao seu potencial ofensivo”.
De acordo com a juíza, o comentário feito no debate tornaria inevitável que o público não repetisse a associação realizada pelo prefeito, que inseriu palavras ofensivas para abalar a reputação do outro candidato. “O réu (Taka), ao utilizar o advérbio ‘inclusive’ para relacionar o crime organizado à vítima (Marco Aurélio), difamou sua honra, pois é de conhecimento notório que ‘Marcola’ é um dos líderes da facção criminosa PCC. O réu sabia que o apelido da vítima era ‘Marcola’ e assumiu o risco de provocar a ofensa”, afirmou.
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