Editorial A redução de 158 hectares de superfícies hídricas no Grande ABC, equivalente a 222 campos de futebol, em apenas um ano, assusta
FOTO: DGABC

Esta edição do Diário traz um alerta ambiental importantíssimo. A redução de 158 hectares de superfícies hídricas no Grande ABC, equivalente a 222 campos de futebol, em apenas um ano, assusta. O dado do MapBiomas revela trajetória de perda contínua em rios, reservatórios e mananciais, em sintonia com o cenário nacional, e aponta para risco concreto ao abastecimento. A região, que já viveu racionamento há uma década, volta a conviver com sinais de esgotamento de seus recursos naturais. Ignorar esse movimento significa aceitar a aproximação de um limite a partir do qual a recuperação se torna mais difícil, onerosa e lenta, com impacto direto sobre a população e a atividade econômica.
Especialistas como a bióloga Marta Marcondes, da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), alertam que o problema não é apenas climático, mas de gestão. O avanço imobiliário sobre áreas de preservação, a supressão de vegetação e o soterramento de córregos reduzem a capacidade de retenção e recarga de água. São Bernardo, município com maior território hídrico, lidera a perda registrada, o que reforça a dimensão estrutural do problema. A ausência de planos consistentes de proteção de rios e matas ciliares compromete o equilíbrio do sistema e repete erros conhecidos. O pequeno aumento de cobertura florestal, embora positivo, não compensa a redução dos corpos aquáticos.
Diante desse quadro preocupante, cabe às autoridades municipais e estaduais agir de forma coordenada – antes que seja tarde demais. O Grande ABC precisa acelerar neste cenário. É possível avançar com recuperação de mananciais, renaturalização de cursos d’água, controle do uso do solo, fiscalização de ocupações irregulares e incentivo ao reúso. Investimentos em saneamento, redução de perdas nas redes e educação ambiental também integram o caminho. Planejamento regional, com metas claras e monitoramento público, pode evitar que o alerta atual se converta em colapso. A água exige decisão antes que o ponto de não retorno deixe de ser advertência e passe a ser realidade.
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