Homenagem Desse número, são 266 mulheres e 150 são homens
A moradora Natalina Américo ao lado do Papai Noel FOTO: André Henriques/DGABC

O Grande ABC conta com 406 pessoas chamadas Natalina (266) ou Natalino (140), segundo o Censo 2022 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Nascida no dia 25 de dezembro de 1963, a pensionista e doméstica Natalina Américo, moradora de São Caetano, celebra hoje seus 62 anos.
Para ela, a data tem um toque especial. Além dos tradicionais pratos de Natal, o bolo de aniversário é presença garantida, acompanhado da famosa cantoria de “Parabéns para Você”, que acontece após o almoço natalino, em meio à celebração com seus três filhos e cinco netos.
O quinto descendente da família, inclusive, nasceu há poucos dias, em 16 de dezembro. A filha de sua caçula estava prevista para o final do mês, mas acabou vindo antes da hora. “Estava torcendo para nascer no meu dia, porque seriam duas aniversariantes, e eu gosto de fazer aniversário no Natal, mesmo ganhando só um presente, porque minha recompensa é ter a família reunida”, disse Natalina.
No entanto, a data nem sempre teve esse significado para Natalina. Ela nasceu e cresceu no interior de São Paulo, na cidade de Álvaro de Carvalho, onde viveu com seus pais e 11 irmãos em uma fazenda que abrigava várias famílias de trabalhadores, sem acesso à televisão ou a outros lugares de lazer. Até a adolescência, ela não sabia o que era o Natal, e, por isso, essa data se resumia apenas ao dia do seu nascimento. Quanto à origem de seu nome, também não tinha informações. Ela acredita que foi uma vizinha quem o escolheu, mas nunca lhe contaram a história por trás da decisão.
“Não costumava ter festa de aniversário. Quando fiz 10 anos, alguns vizinhos lá da fazenda fizeram um bolo e comemoramos. Aos 15 anos, fui para a cidade, em Bauru, trabalhar como doméstica em uma casa de família, e ao ver aquelas luzes, me encantei com tanto pisca-pisca e enfeites nos prédios e casas. Nunca tinha visto nada parecido enquanto trabalhava na roça”, contou.
Em visita neste mês ao Park Shopping São Caetano com a reportagem do Diário, Natalina curtiu a decoração de Natal do centro comercial e, especialmente ao ver o Papai Noel, ficou emocionada. Em um primeiro momento, pareceu receosa, mas após alguns instantes já estava conversando com o bom velhinho e trocando abraços. Posteriormente, justificou a reação.
“Nunca tinha visto o Papai Noel assim tão de perto. O que não fiz quando criança, fiz agora. Estou feliz”, comemorou a aniversariante que teve a oportunidade de resgatar a magia do Natal não vivenciada na infância.
Aliás, Natalina ama crianças e conviveu muito com elas. Após se casar, mudou-se para a Capital, no Sacomã, próximo à divisa com São Caetano, onde viria a morar. Construíram uma família e, para conciliar com os desafios da maternidade, decidiu trabalhar em casa.
“Já tinha trabalhado como babá nas casas de família e comecei a cuidar dos filhos das mães que precisavam sair para trabalhar e não tinham com quem deixar as crianças. Ficava muito mais barato do que contratar alguém exclusivo ou pagar uma creche. Montei vários berços e preparei o espaço para acomodar os bebês. Tinham alguns bem pequenos, de quatro meses, e cheguei a cuidar de 25 crianças ao mesmo tempo”, lembrou Natalina.
OUTROS NOMES
Existem outros nomes que também podem ter sido escolhidos em homenagem ao feriado natalino, como Jesus, Noel e Natal. De acordo com os dados do Censo 2022, o Grande ABC possui 285 moradores chamados Jesus, 33 Noel e 90 batizados com o nome Natal. No Estado de São Paulo, o número total de pessoas com esses nomes é ainda maior: 6.967 chamadas Jesus, 904 Noel e 2.535 Natal.
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