Emprego e renda Ao longo do ano, 79.963 novos CNPJs foram criados, alta de 14% na comparação com 2024
Maioria das companhias é de microempreendedor individual e do setor de serviços (FOTO: Claudinei Plaza 2/4/23)

O Grande ABC criou 79.693 empresas ao longo de 2025. O número aponta que foi uma média de 230 por dia ou dez por hora. Os dados são do DataSebrae, plataforma do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, com informações da Receita Federal. O número representa alta de 13,9% em comparação ao período fechado de 2024 (veja na arte ao lado) e de 159% em relação a 2015, quando 30.766 empresas foram abertas. Segundo especialista, impulsionamento do setor gastronômico, startups e turismo, além de localização estratégica para área de logística, são destaques nas cidades da região.
A maioria das companhias que surgiram neste ano é MEI (Microempreendedor Individual, com 61.788), o que corresponde a 77,5%. Em seguida, ME (Microempresa, com 13.245), que representa 16,6%; EPP (Empresa de Pequeno Porte, com 3.080 unidades), sendo 3,8%; e demais, que contabilizam 1.580 e indicam 2% do montante da região.
O gerente regional do Sebrae Grande ABC, Vinicius Agostinho da Nóbrega, explica que o aumento nos números pode ser justificado pela alta demanda de plataformas de entrega.
“Quando analisamos os dados vemos crescentes em MEIs e na área de transporte. Fazemos a correlação com os marketplaces e com o fortalecimento das plataformas de e-commerce, vendas de roupas, de comidas, de serviços. São atividades que exigem muitos profissionais, mas não estabelecem relação direta de trabalho, como aqueles que têm carteira assinada. A maneira de formalizar isso é por meio do microempreendedor individual.”
Ele afirma que a alta de CNPJs está diretamente ligada a esse tipo de trabalho e a procura das pessoas por mais autonomia. “Recebemos relatos de empresários de pequenos negócios que sofrem com falta de mão de obra. Muita gente tem optado pela flexibilidade de horários e a chance de não ter que prestar conta para o patrão.”
O setor econômico de destaque na região é serviços, que soma 55.567 empresas. Depois, comércio (14.525), indústria (5.755), construção (3.680) e agropecuária (166).
O gerente regional do Sebrae Grande ABC aponta que a alta taxa de juros básicos (em 15% ao ano), o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) e o mercado competitivo são os principais desafios para abrir e manter uma empresa. “A Selic do jeito que está (maior nível desde 2006) encarece as operações, principalmente do varejo. A empresa precisa se proteger com um planejamento de caixa bastante criterioso. A economia tende a ficar estagnada em 2026 por causa das eleições presidenciais. O mercado na região já tem mais de 400 mil empresas. Então, o empresário precisa de um diferencial competitivo muito forte para atrair o mercado.”

DESTAQUES
Vinicius da Nóbrega analisa que as companhias encontram quase 3 milhões de consumidores nas sete cidades, além da possibilidade de mirar em moradores da Região Metropolitana de São Paulo. Também aponta como atrativo mão de obra capacitada por causa das universidades no Grande ABC. “Temos uma indústria muito forte em Santo André e São Bernardo. São cidades próximas de grandes rodovias, do Porto de Santos e do aeroporto de Guarulhos. A logística vira um ponto forte.”
O gerente destaca que Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra chamam atenção pela vocação turística. “As empresas veem potencial para criar meios de hospedagem e turismo ecológico. São Caetano é o foco de startups de tecnologia. Santo André se consolidou com as franquias e como polo gastronômico, que tem atraído pessoas da região e de São Paulo."
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