Reconhecimento Motorista de ônibus, coletor de lixo, enfermeira e frentista colecionam histórias nos plantões natalinos
Johnny Chaves, Beatriz Martos e José Dinovan (FOTO: André Henriques/DGABC)

Enquanto muitas famílias da região celebram o Natal em seus lares, há moradores que permanecem nos bastidores, garantindo que as cidades continuem funcionando normalmente. Mesmo sendo um dia de festa, os serviços de saúde, segurança e mobilidade seguem ativos, com o objetivo de atender às demandas e emergências da população.
Esse é o caso da moradora de São Bernardo e técnica de enfermagem do Hospital Municipal de Diadema, Rita de Cássia de Araújo, 39. Há 18 anos, trabalha na área, cobrindo as vésperas e as manhãs de Natal. É com uma ceia com os colegas de trabalho, durante o período do jantar, que Rita comemora sua virada natalina. <EM>“Já trabalhei muitos anos nessa data, praticamente em todas. Ou estamos de plantão no dia 24, ou no próprio dia 25. Faço a parte noturna, então vou participar da ceia este ano. Cada um da equipe leva um prato na hora da janta”, comentou a enfermeira.
Ela ainda lembrou que já teve casos em que seu marido e filhos passaram no hospital para realizar um cumprimento em família.
Assim como a enfermeira, o condutor do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) de Santo André, Fabio Perini, 48, já cobriu inúmeros natais. “Estou mais uma vez de plantão neste Natal, assim como no passado. Já estou acostumado, não sei mais o que é sábado, domingo e feriado. Sempre trabalho e amo o que faço”, disse o profissional que atua na área há 12 anos.
Perini comentou que o Natal costuma ser uma data tranquila para trabalhar. Além da demanda ser menor – de 230 atendimentos cai para 120 – as pessoas recebem os profissionais com presentes. “No ano passado, fui atender uma senhora que perdeu a sonda que a alimentava. Ela me deu duas cestas. Vejo as fotos dos amigos nas redes sociais comemorando, e fico com vontade, mas não ligo muito. Nossa maior herança é o paciente. Salvar uma vida não tem preço”, afirmou o condutor.
Ainda de acordo com ele, apesar da queda no número de ocorrências, são registrados diversos casos de pessoas embriagadas que se envolvem em algum tipo de acidente.
SEM CELEBRAÇÃO
Diante da temporada de chuvas que vai de dezembro a março, a Defesa Civil é um serviço essencial que se mantém ativo no dia natalino, atuando na prevenção e no resgate de pessoas em eventuais desastres.
Apesar de ser um dia comemorativo, para o agente da Defesa Civil de São Caetano, José Dinovan Silva, 66, o Natal se tornou uma data comum em sua rotina. E nesta quinta-feira (25), o profissional estará à disposição da equipe, sendo um pedido pessoal.
“Infelizmente, perdi minha esposa quatro anos atrás. Ela que fazia toda a comemoração em casa. Depois disso, não tenho muito ânimo para celebrar a data. Antes, quando trabalhava em meio à festa, minha família sempre entendeu a importância do meu trabalho”, completou.
Um trabalho essencial para garantir o deslocamento das pessoas durante as comemorações é o realizado por profissionais nos postos de combustível. De Santo André, o frentista Pedro Mota, 45, confirmou que o plantão de fim de ano é comum. “Não é algo diferente, porque já trabalho no posto há mais de 20 anos. Sempre existe esse revezamento: ou a pessoa trabalha no Natal ou no Ano Novo. Normalmente funciona assim”, comentou.
Ele destaca que o principal incômodo é trabalhar enquanto outras pessoas estão comemorando. “Quem trabalha à noite ou em feriado sente esse lado ruim, porque você vê as pessoas se divertindo, as famílias reunidas, e você está ali trabalhando. Mas, por outro lado, a gente entende que não é só frentista, tem muita gente de outras áreas também.”
Diferente de todos os outros, a soldado do Corpo de Bombeiros de Santo André, Beatriz Martos Souza de Lima, 26, vai trabalhar pela primeira vez no Natal. Recém-formada, ela está há um ano e meio na corporação. “Apesar de ser uma data em que as famílias estão reunidas, e eu também costumava estar com a minha, me sinto privilegiada por atuar em uma profissão que um dia sonhei em exercer. Sinto falta da minha família, mas sei que entendem que minha profissão demanda essa ausência em alguns momentos.”
O coletor de lixo de Santo André, Johnny Chaves, 37, não vai trabalhar neste Natal, mas coleciona algumas histórias da véspera do feriado. Nessa época do ano, o trabalhador sente que as pessoas tratam o serviço com mais respeito.
“Trabalhei quatro anos à noite. É um clima diferente, quando passava nas ruas muitas pessoas me chamavam até para o churrasco. Em uma ocasião, em 2017, a equipe ceou na casa de uma família e depois do trabalho fomos para casa”, pontou.
Uma profissão essencial, responsável por levar até o destino todos os outros profissionais é o condutor de coletivos. O motorista de ônibus também da cidade andreense, Reinaldo de Jesus Queiroz, 50, veio de Salvador e mora há dois anos na Capital. Pelo segundo ano consecutivo ele vai trabalhar na região no plantão de Natal.
Acostumado com o oficío, Queiroz é prático ao definir a programação após o expediente. “Chego tarde em casa, então vou dormir. Não tem muito o que fazer. Sou uma pessoa consciente. Para alguns trabalharem, outros se divertem, e depois acontece o contrário.”
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