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Greve dos funcionários dos Correios afeta entrega dos moradores do Grande ABC

Sindicato garante paralisação até que empresa renegocie propostas salariais; clientes reclamam que encomendas de Natal não chegaram

23/12/2025 | 22:03
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Denis Maciel/DGABC
Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


 A greve dos funcionários dos Correios, iniciada em 16 de dezembro, tem causado transtornos no envio e no recebimento de encomendas para moradores do Grande ABC, com registros de atrasos prolongados, falta de respostas por parte da empresa e gastos adicionais com serviços de entrega.

Ao todo, a paralisação dos trabalhadores de entrega chegou a nove estados, incluindo São Paulo. O Sintect-SP (Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios, Telégrafos e Similares de São Paulo) afirmou que a greve é derivada de falta de conversas sobre propostas salariais colocadas pela categoria desde julho deste ano. 

A equipe do Diário percorreu, nesta terça-feira (23), algumas agências dos Correios do Grande ABC. Os locais estão de portas abertas, sendo que o morador consegue enviar e receber produtos. O problema está de fato no meio do caminho, visto que a chegada da encomenda até a agência ou centro de distribuição foi afetada pela falta de funcionários no deslocamento do item. Desse modo, serviços que demorariam um dia estão demorando semanas.

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Esse é o caso do diretor de arte e morador de Santo André, Renato Pereira, 28 anos, que está com problemas para receber e enviar encomendas. “Fiz um pedido no dia 5 de novembro e a loja me pediu um mês para confecção. Mas quando acabou esse prazo, veio a greve. Esse pedido é da Capital, deveria ser algo rápido. É uma frustração enorme”, disse Pereira.

Ainda de acordo ele, outros dois pedidos foram feitos no dia 15 de dezembro, um dia antes da paralisação. Nesse caso, o diretor de arte acabou gastando dinheiro a mais, a fim de garantir que o material chegasse a tempo. “Paguei o Sedex e era para chegar no dia 19. Eram produtos para dar de presente no Natal. Estamos sem o produto e sem o dinheiro do frete caro que paguei”, comentou.

Segundo Pereira, o contato com os Correios está sendo outro impasse, visto que nenhum canal de atendimento responde sua demanda. Além disso, o diretor de arte revelou que sua namorada, Gabriela Matos, 25, também está sofrendo por conta de seu trabalho. “Ela tem uma loja on-line de roupas. E está evitando enviar qualquer pedido, porque vai gerar transtorno para a loja. Está atrapalhando financeiramente”, concluiu.

PARALISAÇÃO

Ainda de acordo com a instituição, 70% dos funcionários da Região Metropolitana (que inclui o Grande ABC) aderiram à greve. As sete cidades possuem ao todo 35 agências dos Correios, segundo informações da plataforma de busca da empresa. Algumas unidades funcionam também como CDD (Centro de Distribuição) ou CEE (Centro de Entrega de Encomendas).

“Pedimos a reedição do acordo coletivo de trabalho e a reposição da inflação. Não solicitamos nenhum ajuste a mais. Mais de seis meses de renegociação e a empresa não apresentou proposta”, disse o diretor de imprensa do Sintect-SP, Douglas Melo.

Após três dias de greve, a ministra do TST (Tribunal Superior do Trabalho), Kátia Magalhães Arruda, determinou, na sexta-feira (19), que a categoria mantivesse 80% do efetivo em atividade durante a paralisação, atendendo a um pedido da própria empresa.

Em caso de descumprimento, os sindicatos podem sofrer multas de R$ 100 mil. Para Melo, a decisão é arbitrária e fere o direito legítimo de greve.

O presidente do TST, Luiz Phillipe Vieira de Melo Filho, convocou, na segunda-feira (22), uma SDC (Seção Especializada em Dissídios Coletivos) para julgar questões trabalhistas complexas e amenizar os riscos de paralisação nacional em um momento de grande demanda.

Nesta terça-feira, uma assembleia-geral foi convocada pelo Sintect-SP para discutir os rumos. De acordo com o porta-voz da entidade sindical, a reunião define a continuação da paralisação em São Paulo. “Nossa orientação é pela manutenção da greve. A empresa deveria ao menos reeditar o acordo. Ao contrário, está propondo retirar direitos, fechar agências e postos de trabalho e acabar com PDV (Plano de Demissão Voluntária)”, completou Melo.

Durante o ato, uma nova assembleia foi confirmada para o dia 7 de janeiro.

Um diálogo com o governo federal também está nos planos. Questionado, os Correios não responderam até o fechamento da edição.




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