Etapa Ramal entre Grande ABC e Capital marcará a despedida da CPTM na operação de trens metropolitanos antes de passar para iniciativa privada
André Henriques/DGABC

Pela terceira vez no Grande ABC nos últimos 15 dias, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta terça-feira (23) que o processo para dar início à concessão da Linha 10-Turquesa, operada pela CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), fica para 2026, embora sem previsão exata para ir à leilão. Segundo o republicano, durante a inauguração do Piscinão do Jaboticabal, a SPI (Secretaria de Parcerias em Investimentos) ainda incorpora contribuições ao edital e dialoga com possíveis empresas interessadas.
Havia a expectativa do governo estadual de realizar o leilão da Linha 10-Turquesa ainda no fim deste ano, em um pacote de concessão que também prevê a construção da Linha 14-Ônix de VLT (veículo leve sobre trilhos), com traçado originalmente definido entre Santo André e Guarulhos. Entretanto, sem o lançamento do edital dos dois serviços de transporte público nas últimas semanas, a perspectiva da licitação ficou naturalmente para o próximo ano. Restava saber apenas a nova previsão, mas o governador optou por não cravar datas.
Questionado sobre o futuro do ramal, o republicano exaltou os investimentos de R$ 14 milhões previstos no pacote, porém, admitiu que ainda existem ajustes técnicos em curso antes de publicar o edital, para, enfim, atrair as empresas interessadas ao leilão. "Estamos ultimando os comparativos, incorporando essas contribuições e conversando com as empresas interessadas que estão estudando as duas linhas, para que possamos ter o melhor leilão possível. Vamos ajustar para o ano que vem", avaliou o governador.
Sem calendário definido, um caminho é certo: o Grande ABC marcará o fim da CPTM como os passageiros conhecem após três décadas. Entre os serviços de trens metropolitanos, o ramal do Grande ABC é o único que não foi à licitação. Desde 2022, as linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda estão sob tutela da ViaMobilidade, do Grupo CCR, enquanto a Linha 7-Rubi foi transferida, em novembro, para a TIC Trens, do Grupo Comporte, que também tem como subsidiária a Trivia Trens, futura operadora das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade.
TRANSIÇÃO
À espera de um desfecho possivelmente na sede da B3, a Bolsa de Valores de São Paulo, onde deverá ser sacramentado o anúncio da nova concessionária, a Linha 10´-Turquesa sentirá já nos próximos meses os efeitos das concessões nos demais ramais da CPTM. Afinal, os passageiros passarão a se deparar com trens fabricados entre o fim das décadas de 2000 e início de 2010, com o retorno dos modelos 7000 e 7500, e o acréscimo da frota 2070, inédita no Grande ABC e já tem uma composição estacionada no Pátio Mauá.
A maior diferença sentida pelos usuários será a falta de livre circulação entre os carros, conhecidos popularmente como vagões. Os modelos mais recentes usados durante o Serviço 710 deixarão de operar na região. A frota 9500 voltou a trafegar somente na Linha 7-Rubi, enquanto as composições 8500 atenderão aos ramais do Alto Tietê.
O edital a ser lançado estabelecerá à futura concessionária novos trens para a Linha 10-Turquesa, mas resta definir o cronograma e a quantidade de composições. Um memorando disponibilizado da SPi cita que a futura operadora poderá adquirir 21 composições, podendo somar outras 13 unidades, no máximo, em 2040, adquiridos pelo Estado. No entanto, tais diretrizes ainda podem passar por alterações até o documento final para licitação.
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