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Número de nascidos vivos com anomalias aumenta 18% em um ano no Grande ABC

Municípios registram 454 casos em 2024 contra 385 em 2023; número representa 1,8% dos nascimentos

23/12/2025 | 07:02
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FOTO: Reprodução/Freepik Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O número de nascidos vivos com uma ou mais anomalias cresceu 18% em um ano no Grande ABC. Foram 454 casos em 2024 e 385 no ano anterior, de acordo com dados do Sinasc (Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos), do Ministério da Saúde. 

A proporção entre bebês com problemas congênitos e o total de nascimentos também cresceu. No ano passado, a região registrou 24.935 nascidos vivos, o que corresponde a 1,8% dos bebês com pelo menos uma anomalia. Em 2023, nasceram 26.680 – 1,4%. 

A ginecologista e obstetra Larissa Pires, que atua nos hospitais Pro Matre e Santa Joana, na Capital, e na Clínica Ideia Fértil, em Santo André, diz que o aumento pode estar relacionado a diversas causas. 

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“A constatação de que a proporção entre nascidos vivos totais e aqueles com anomalias também ter aumentado sugere que há, sim, um crescimento real, mas que ele é multifatorial. E o aumento dos números não deve ser visto apenas como motivo de preocupação, mas também como reflexo de mais acesso ao diagnóstico, mais informação e mais cuidado com a gestação”, avalia. 

Alguns dos aspectos de risco são a maior idade materna, doenças crônicas da mãe, como diabetes e hipertensão, infecções na gestação, uso de medicamentos sem orientação médica, álcool, cigarro ou drogas, exposição a substâncias tóxicas e alterações genéticas e cromossômicas. 

A anomalia mais recorrente, de acordo com a médica, é a cardiopatia congênita, que provoca alterações na formação do coração ou dos grandes vasos. “Elas ocorrem devido a fatores genéticos, diabetes materna, infecções virais e uso de certos medicamentos. São as anomalias mais frequentes e muitas podem ser tratadas ou corrigidas”, explica.

Outras alterações são defeitos do tubo neural, falhas no fechamento do sistema nervoso ainda no início da gestação, que podem ser prevenidas com suplementação adequada antes e no início da gestação. 

A Trissomia do 21, conhecida como Síndrome de Down, é a terceira anomalia mais comum, uma alteração devido a um cromossomo extra, sem relação com ações ou omissões da mãe.

As malformações nos rins, ureteres ou bexiga também podem ocorrer, porém, não há uma causa definida. “Nessa patologia, as características podem ser silenciosas ao nascer ou causar infecções urinárias e alterações renais. Muitas são acompanhadas e tratadas com sucesso”, afirma Larissa Pires.

A quinta alteração que mais pode surgir é a fissura labiopalatina, que são aberturas no lábio ou céu da boca, conhecidas como lábio leporino e fenda palatina. O tratamento é feito por cirurgia corretiva com excelentes resultados funcionais e estéticos.

PREVENÇÃO

Fazer o pré-natal e acompanhar o desenvolvimento do bebê, além de não se expor a fatores de risco externos, são as principais formas de prevenção 

“Algumas condições podem ser tratadas ainda no útero, como certas cardiopatias e obstruções urinárias. Outras são programadas para tratamento imediato após o nascimento, garantindo melhores desfechos”, esclarece a médica.

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