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Consciência ecológica começa na escola

O ano de 2024 foi o mais quente já registrado, segundo dados internacionais, e o Brasil está entre os países mais vulneráveis a eventos extremos

Guinartt Diniz
22/12/2025 | 09:04
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FOTO: DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O planeta dá sinais cada vez mais claros de esgotamento. O ano de 2024 foi o mais quente já registrado, segundo dados internacionais, e o Brasil está entre os países mais vulneráveis a eventos extremos, das enchentes no Sul às secas prolongadas no Nordeste, fazendo com que a emergência climática deixe de ser previsão científica para se tornar uma experiência cotidiana.

Se o desafio é global, a resposta também precisa ser. É necessário repensar o modo como formamos as próximas gerações. A transição ecológica não depende só de políticas públicas ou tecnologia, ela exige transformação profunda na educação e é na escola que se aprendem os valores que moldam o comportamento coletivo como consumo, responsabilidade, solidariedade e cuidado com o outro e com o planeta.

O tema é tão relevante que em 2015 o Papa Francisco lançou a encíclica Laudato Si’, com um chamado para a educação ecológica integral, que visa formar pessoas conscientes e responsáveis pelo cuidado com a ‘Casa Comum’. Em sintonia, o Papa Leão XIV recorda que educar é um ato de esperança, renovado pela promessa que se vê no futuro da humanidade. 

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Essa visão inspira também a Campanha da Fraternidade 2025, cujo tema ‘Fraternidade e Ecologia Integral’ reforça que cuidar do planeta é, antes de tudo, um gesto de fraternidade e responsabilidade coletiva.

Incluir a sustentabilidade no currículo não é mais diferencial, mas necessidade civilizatória. Isso significa ir além da teoria e transformar o aprendizado em prática. Projetos de economia circular, hortas escolares, monitoramento da biodiversidade e debates sobre consumo responsável são caminhos concretos para formar cidadãos conscientes do impacto de suas escolhas.

A chamada ‘geração climática’, formada por jovens que já cresceram sob alertas ambientais, mostra disposição para mudar hábitos, cobrar governos e reinventar modos de vida. O que falta é uma educação que canalize essa energia em ação e que ofereça ferramentas para transformar engajamento em resultado.

O Brasil tem todas as condições de liderar essa virada. Um país que reúne a maior floresta tropical do planeta, uma das matrizes energéticas mais limpas e um sistema educacional em expansão pode se tornar referência mundial na formação de cidadãos ecológicos. Basta que a política educacional enxergue a sustentabilidade como núcleo estruturante do aprendizado.

A crise climática é, antes de tudo, uma crise de cultura. E a cultura muda pela educação. Se quisermos garantir um futuro habitável, é nas salas de aula que a mudança precisa começar.

Guinartt Diniz é secretário-executivo da Anec (Associação Nacional de Educação Católica do Brasil).




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