Entrevista da Semana Titulo Entrevista da semana

César Ferreira: ‘A missão é unir Ribeirão Pires ao empresariado’

22/12/2025 | 08:15
Compartilhar notícia
FOTO: André Henriques/DGABC
FOTO: André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Secretário de Desenvolvimento Econômico e Empreendedorismo de Ribeirão Pires, César Ferreira, o César do Canoa (sem partido), afirmou que o projeto para elevar a economia da cidade é unir a prefeitura com os empresários e comerciantes. De acordo com gestor da Pasta, seu mandato está pautado na atuação como agente facilitador para abertura de empresas e desburocratizador de documentos. Em 2025, foram 713 novos empreendimentos. Além disso, Ferreira destacou que Ribeirão Pires pode se tornar a “melhor cidade” do Grande ABC, unindo qualidade de vida, emprego, desenvolvimento econômico, turismo e meio ambiente.

Como o sr. observa o ano de 2025 e qual a missão econômica para Ribeirão Pires?

Eu assumi em 6 de janeiro.Quando a gente encontrou a secretaria no início de 2025, o que nós vimos foi uma distância muito grande do empresariado. Então, a minha missão foi me aproximar tanto da indústria, do comércio e também dos serviços. O que a gente faz hoje é organizar o cenário econômico da cidade. Hoje, de fato, Ribeirão Pires é a pérola da serra que a gente sempre falou. Estamos em um momento de expansão imobiliária e no comércio. Um exemplo é que recebemos a segunda loja do McDonald’s, ou seja, ninguém investe em um lugar que não acredita. Conseguimos unir qualidade de vida para morar e ainda para trabalho, passando de ser uma cidade dormitório. Temos um holofote virado no sentido econômico e tudo isso vai contribuir para Ribeirão virar a melhor cidade para se viver no Grande ABC.

DGABC

Recentemente, a Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo classificou Ribeirão Pires como a 8ª Estância Turística do território. Diante disso, o sr. acredita que a cidade ainda é voltada para o turismo? E como alinhar isso ao empreendedorismo?

Os setores de serviço e comércio de Ribeirão Pires equivalem a 59% do desenvolvimento. Então, é uma cidade que presta serviço e isso faz com que o desenvolvimento econômico da cidade seja através do turismo. Isso é fato. Outra coisa importante é a nossa vocação, já que introduzimos o meio ambiente ao turismo. É uma cidade turística. Importante dizer que temos um trabalho muito grande voltado para indústria. Em fevereiro, o Plano Diretor passa pela Câmara dos Vereadores e no documento vai estabelecer as rotas econômicas e distritos industriais. Essas áreas serão um novo modelo de ocupação dessa cidade. Temos muito a crescer, queremos abrir as portas para as indústrias. Vemos que a região da Quarta Divisão pode ser um polo e se isso se consolidar teremos um dos melhores distritos industriais. Obviamente, as empresas não podem ser poluentes.

Como fazer com que as empresas fiquem em Ribeirão Pires?

Primeiro passo, é pensar na questão tributária. Nós temos um programa de incentivo fiscal. Temos dois exemplos neste ano. Fizeram um investimento e as duas empresas acabaram tendo isenção de IPTU (Imposto sobre Propriedade Predial e Territorial Urbana) por 12 anos. 

Ribeirão Pires tem se destacado na questão de desburocratizar aberturas de empresas. Quantas empresas foram abertas em 2025?

O empresário não gosta de esperar para sair documentação. Então, nós criamos o Facilita RP. É uma ferramenta muito simples. Eu e uma equipe técnica de três diretores identificamos a dificuldade do empresário. Nós fazemos o atendimento em campo. Em janeiro, por exemplo, observamos que o cenário era que ninguém queria nos receber para alguma visita. A gente acabou se aproximando do empresário. Eu, por ser do ramo, tenho uma linguagem mais fácil. Temos que ser agente facilitador. Foram 713 novos negócios abertos, apesar que 50% são MEI (Microempreendedor individual), e também 2.300 novos alvarás renovados. A gente estima que as aberturas e atividades econômicas regularizadas geraram R$ 8,3 milhões. Agilizando o atendimento faz com que movimente dinheiro para a cidade. Segundo o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) em 2025 foram registradas 8.687 admissões, resultando um saldo positivo de 641 vagas.

Segundo dados da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Empreendedorismo, o impacto do turismo movimentou R$ 37 milhões no comércio local. Qual o plano de investimento para fomentar ainda mais isso?

Todos os eventos de grande porte levamos a Faculdade Cruzeiro do Sul para fazer pesquisa de campo; assim conseguimos detalhar e fazer um censo. O que foi mostrado é que quando a Prefeitura investe R$ 1, ela coloca no caixa do empresário R$ 7. E depois tem o imposto revertido. Então, a própria atividade econômica gera verba que pode ser usada na saúde, educação e todos os serviços da prefeitura.

Como está o andamento das obras de reconstrução da Vila do Doce?

Aconteceu uma tragédia. Já conseguimos através da deputada estadual Carla Morando (PSDB) um investimento de R$ 2,4 milhões na infraestrutura. Serão entregues oito quiosques, de uma forma completamente diferente. A gente conseguiu uma parceria com uma indústria e vamos fazer com que todos os empresários sejam regularizados. Percebemos que as pessoas não estavam preparadas para estar naquela região e vamos trabalhar na capacitação, com cursos de finanças e manipulação de alimentos, junto ao Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas). Estão recebendo um recurso de R$ 2.500 todo mês. Vai ficar muito bonito e os empresários serão capacitados.

Então havia na Vila do Doce estabelecimentos que não estavam regularizados?

A minoria. De oito, dois estavam irregulares. Eles estavam com o nome de uma pessoa produzindo por uma outra. Mas depois nós fizemos o processo administrativo. O que é importante saber que estamos a todo tempo monitorando a atividade. Já deixamos totalmente adequados.

No planejamento, há novas feiras para movimentar o comércio local?

Acabamos de montar todo o calendário de eventos. Para o ano que vem, vamos fazer a primeira feira indígena da nossa região, gerando emprego e renda. Além disso, vamos manter o Festival do Chocolate. Vamos tentar uma cozinha show com alguns chefs de cozinha renovados, como Diego Lozano, um dos maiores confeiteiros. E devemos estender o evento da Avenida Miguel Prisco até a Rua Fortuna, trazendo a novidade de shows, que ficou faltando no último. Queremos formar um polo gastronômico nessa região. Além disso, queremos introduzir o cambuci nos nossos pratos, tornando-o de fato um produto nosso. Ele é da Mata Atlântica, mas queremos que seja reconhecido como patrimônio de Ribeirão Pires. O prefeito Guto Volpi (PL) tem uma grande facilidade de entender logo o que o empresário quer.

E falando sobre o prefeito, como foi convite para assumir a Secretaria?

<EM>Eu me julgo hoje uma pessoa bem técnica para estar neste cargo. Foi um convite de fato através de apoio político e seria para a Secretaria de Turismo, mas eu senti que estava mais preparado para parte dos empresariados. Tenho uma questão política muito grande para transitar em todos os ambientes. Para que pudesse desburocratizar, tinha que falar muito bem com duas secretarias importantes: Meio Ambiente e Vigilância Sanitária. O Guto me deu total autonomia. Vejo-o como um visionário. Ele não trata como política e sim como gestão. A gente entende que existe a oposição, mas contra número não há argumentos. Nas gestões anteriores não entregaram tanto quanto o Guto entrega hoje. E tenho certeza de que vai fazer muito mais.

Qual o recurso destinado para a Pasta?

Nossa Pasta não tem recurso. Só temos recurso para manter a estrutura, cerca de R$ 1 milhão. Nós somos uma secretaria de meio, onde a gente fala com as outras secretaria para viabilizar com sucesso tudo aquilo que a gente pretende para a cidade. Agora, em 2026 vamos conseguir observar os dados que temos nas mãos. 

Na eleição de 2024, o sr. chegou a anunciar a pré-candidatura para prefeito pelo Mobiliza. No futuro, pensa em outra disputa eleitoral?

É uma coisa meio estranha, porque eu não me vejo no Legislativo. Obviamente, é tão importante quanto o Executivo. Está muito cedo para falar isso, mas tenho interesse em ser candidato a prefeito. O Guto sabe dessa minha pretensão política, mas não sou candidato do governo. Em 2028, pretendo lançar minha candidatura. Obviamente, a gente tem que ter oportunidade também em partidos, recursos e grupos políticos. É muito cedo, qualquer coisa que a gente faça ofusca o trabalho do prefeito. Para 2026, também queremos eleger um candidato a deputado federal que nos represente.

O sr. também é diretor-financeiro do Sehal (Sindicato das Empresas de Hospedagem e Alimentação do Grande ABC). Como o trabalho na entidade pode ajudar no da Prefeitura?

É uma coisa muito interessante. Sempre quis fazer parte do Sehal. Depois de ser empresário, queria buscar algo a mais. Vi que tinha uma disposição de fazer negociações. Em todos os festivais de São Bernardo e Santo André, o Sehal está junto. O que a gente busca hoje é obter apoio de deputado estadual e federal. Hoje, represento o eixo político de Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra e a gente tem uma representatividade gigante. Somos o maior sindicato em emprego depois de São Paulo. Só que o próprio empresário não sente. A gente quer ser parceiro das sete cidades da região. Temos agendas políticas e queremos nosso padrinho político para o Sehal.




Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


;