Movimento Serviço mantém duas linhas que conectam moradores de bairros afastados do Centro a diversos hospitais e equipamentos do setor
Denis Maciel/DGABC

O Circular da Saúde de Santo André, ônibus que realiza desde 25 de outubro o transporte de moradores, passando por hospitais e outros equipamentos de saúde do município, é aprovado por 91% da população, segundo levantamento do Instituto Paraná Pesquisas encomendado pelo Diário. Apenas 4,3% dos entrevistados desaprovam a iniciativa, enquanto 4,7% não souberam ou preferiram não responder.
O estudo foi realizado entre os dias 14 e 17 deste mês, considerando moradores com 16 anos ou mais. A pesquisa tem nível de confiança de 95% e margem de erro estimada em 3,8 pontos percentuais para mais ou para menos.
A aprovação do Circular da Saúde se mantém elevada também quando analisada por gênero. Tanto entre homens quanto entre mulheres, 91% dos entrevistados aprovam o serviço, enquanto 4,3% manifestam desaprovação. A diferença aparece apenas entre os que não responderam ou preferiram não opinar: entre as mulheres, o percentual é de 4,8%, ligeiramente superior ao registrado entre os homens, que ficou em 4,6%.
Por faixa etária, a avaliação da linha segue amplamente positiva. A aprovação chega a 92,9% entre moradores de 45 a 59 anos, 92,8% no grupo de 35 a 44 anos e 92,2% entre jovens de 16 a 24 anos. A reprovação é baixa, variando de 3,3% a 4,7%, enquanto o percentual dos que não responderam oscila entre 3,1% e 3,8%.
A avaliação do Circular da Saúde é positiva em todos os níveis de escolaridade. A aprovação é maior entre entrevistados com ensino fundamental (92,1%), seguida pelos que têm ensino médio (91,2%) e superior (90,0%). A desaprovação varia de 2,6% a 5,9%, enquanto o percentual dos que não responderam ou preferiram não opinar fica entre 4,2% e 5,3%.
Para o prefeito Gilvan Ferreira (PSDB), o Promobi – do qual o Circular faz parte – marca um novo capítulo na mobilidade urbana de Santo André, ao propor um transporte público mais confortável, tec-nológico, sustentável e centrado nas pessoas.
“O Circular da Saúde é um exemplo concreto desse cuidado, ao facilitar o acesso da população aos principais hospitais e unidades de saúde da cidade. O fato de o serviço ter 91% de aprovação popular demonstra que estamos atendendo uma demanda real, oferecendo um transporte mais humano e eficiente. Com ônibus novos, infraestrutura modernizada, tecnologia de ponta e investimentos robustos, seguimos avançando para garantir uma mobilidade que melhora a qualidade de vida dos cidadãos”, destacou Gilvan.
Para Magno Vicente Rodrigues, representante da Viação Guaianazes, empresa que integra o Consórcio União Santo André, responsável pela operação do serviço de ônibus na cidade, a aprovação por 91% mostra o acerto da iniciativa. “Achávamos que seria bom para o usuário, mas não que teria toda essa aprovação. É uma reivindicação que já vem de anos atrás, que o prefeito Gilvan conseguiu tirar do papel e está funcionando muito bem”, pontuou.
O Circular da Saúde opera com duas linhas. A B45 liga o Jardim Riviera à Vila Luzita e passa por quase todos os principais hospitais do município, como o CHM (Centro Hospitalar Municipal), Brasil, Santa Helena, São José, Cristóvão da Gama, Mário Covas, além da UPA Perimetral. Já a linha B31 vai do Jardim Santo André até o Atrium Shopping, onde está localizado o Poupatempo da Saúde, com paradas em unidades como os hospitais Mário Covas e CHM.
“Para os usuários do transporte coletivo foi um ganho muito grande, porque havia muitas pessoas, principalmente idosos, que precisavam se locomover para os hospitais. Então, muitas vezes pegavam Uber ou duas, três conduções para chegar até o hospital e com a chegada do Circular da Saúde ficou mais rápido e eficiente para eles. Pegam uma condução só e tem acesso a diversos diversos locais que cuidam da saúde, que são hospitais, UPAs”, pontuou.
Magno afirmou que existe solicitação do serviço para outros bairros. “Creio que futuramente deve ter algum estudo referente a uma possível expansão.” <TL>
(Colaborou Ryan Leme)
Ryan Leme
Especial para o Diário
Morador do Jardim Riviera, bairro localizado em uma área afastada do Centro de Santo André, o aposentado Valmir Brandão, 64 anos, passou a sentir no cotidiano os efeitos do Circular da Saúde. Usuário mensal da linha, ele utiliza o ônibus a fim de buscar medicamentos no Hospital Municipal Mário Covas para o tratamento do pai, que enfrenta enfisema pulmonar.
Antes da implementação do Circular, o trajeto exigia mais tempo e trocas de condução. “Saía de casa, ia até o Terminal da Vila Luzita, depois pegava outra condução até a Estação de Santo André e, de lá, mais um ônibus até o Mário Covas. Era bem complicado”, relata. Com o novo serviço, segundo Valmir, o deslocamento ficou mais simples. “Hoje a gente tem um ônibus que deixa na porta da farmácia do hospital. É ótimo, melhorou 100%. Não preciso pegar mais de um ônibus e o tempo diminuiu bastante”, afirma.
O tempo de espera também mudou. Valmir conta que antes aguardava cerca de 30 minutos no ponto, enquanto agora embarca em, no máximo, 15 minutos. “Nesse sentido, só tenho a elogiar. Para quem mora mais longe, como aqui na região da represa, faz muita diferença”, diz o aposentado.
A percepção positiva se repete entre outros usuários. Moradora do mesmo bairro, Luciana Santiago utiliza o Circular da Saúde semanalmente para levar o filho, Davi Miguel, às sessões de terapia, no bairro Campestre. “Antes eu pegava três ônibus, era muito puxado. Agora vai direto. Não preciso mais descer no terminal e pegar outra condução”, conta.
Luciana destaca que a mudança impactou também o comportamento do filho, que é autista e tem TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade) e TOD (Transtorno Opositivo Desafiador). “Ele fica bem mais calmo, porque o que cansa é ficar fazendo baldeações”, explica.
Já o segurança Gilberto Pereira, 60, morador do Parque Miami, avalia que o Circular trouxe mais conforto em comparação com outras linhas. “Os terminais costumam ficar lotados, com filas. No Circular, geralmente consigo ficar sentado, o que deveria ser o ideal”, afirma. Segundo ele, a espera também diminuiu. “Antes eu ficava entre 15 e 20 minutos no ponto. Agora, em média, espero cinco minutos.”
Para Pereira, a possibilidade de seguir direto até o destino, sem passar por terminais, pesa na escolha. “Se eu puder escolher, prefiro essa linha. É uma “mão na roda” para quem já esta cansado”, resume o usuário.
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