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Maior participação feminina nas Casas de Lei pode intensificar políticas contra feminicídio

Eleição de 2026 é oportunidade para ampliar a presença de mulheres nos Parlamentos e fortalecer ações de combate à violência de gênero

20/12/2025 | 20:49
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FOTO: Claudinei Plaza/DGABC
FOTO: Claudinei Plaza/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


 As eleições de 2026 representam uma oportunidade para ampliar a presença feminina nas Casas de Lei, fortalecendo políticas públicas de combate ao feminicídio e à violência contra a mulher, que tiveram forte aumento este ano. Levantamento do Diário aponta que a região registrou recorde de casos de feminicídio em 2025. De janeiro a outubro deste ano, foram contabilizadas 12 mortes – maior número desde o início da série histórica, em 2015. 

No Grande ABC, a representação feminina no Poder Executivo avançou: cinco chapas majoritárias eleitas em 2024 contavam com vice-prefeitas, permitindo que, com a experiência adquirida na gestão, essas lideranças ampliem sua atuação no próximo pleito e reforcem a voz feminina nos Parlamentos em defesa da causa. Já as Câmaras das sete cidades têm juntas 11 vereadoras. 

A deputada estadual Ana Carolina Serra (Cidadania), de Santo André, que buscará a reeleição em 2026, é uma das vozes femininas na Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo) em defesa das mulheres. Para a deputada, ter mais parlamentares nas Casas de Lei muda a lente através da qual as políticas públicas são desenhadas. 

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“Quando a mulher está na mesa de decisão, o combate à violência deixa de ser uma pauta isolada e passa a ser uma política de Estado integrada, focada em educação, autonomia financeira e rede de segurança que chegue antes da agressão. Onde há representatividade feminina qualificada, há uma barreira mais forte contra a impunidade e o feminicídio”, pontuou a cidadanista. 

A também deputada estadual andreense Ediane Maria do Nascimento (Psol) afirma que é urgente aumentar o número de mulheres nos parlamentos. “Na Alesp, por exemplo, de 94 cadeiras, apenas 27 são ocupadas por mulheres. Neste ano, todas as deputadas foram ameaçadas de morte por meio de um e-mail anônimo. Fui alvo de racismo explícito na mensagem, como outras colegas também. Algumas foram ameaçadas de estupro. É uma barbaridade”, disse a psolista. 

Segundo a parlamentar, antes de focar em números, é preciso priorizar ações e propostas concretas. Ediane ressaltou que “de nada adianta ter mais mulheres se estão legislando contra o povo, como no caso de Valéria Bolsonaro (PL), que tirou licença da Casa para assumir a Secretaria de Mulheres e agora retornou às suas funções. Não há implementação de políticas públicas relevantes vindas dessa Pasta. O feminicídio segue aumentando e não existe articulação com a Secretaria de Segurança Pública, por exemplo, para combater esse crime no Estado. É uma situação lamentável.”

A vice-prefeita de São Bernardo, Jessica Cormick (Avante), que esteve à frente do Executivo por 57 dias, se destaca pelo fortalecimento de sua experiência política e, como policial militar, pela atuação na defesa de projetos de combate à violência contra a mulher, reunindo condições de representar o Grande ABC nas Casas de Leis. “Como mulher, não posso me calar diante da onda de feminicídio que vem assolando nosso País. Por trás de cada mulher que se vai, existem sonhos bruscamente interrompidos e é nosso dever impedir que isso aconteça”, afirmou. 

A vereadora de Santo André Ana Veterinária (PSD) é Procuradora Especial da Mulher na Câmara e afirma que uma candidatura feminina não nasce de última hora. Destaca que tem de ser construída com anos de trabalho, estudo, escuta, compromisso e, principalmente, vontade real de transformar a realidade. 

“Não pode ser apenas uma resposta burocrática para cumprir cotas eleitorais. Infelizmente, essa ainda é uma realidade que custa a mudar, mas seguimos firmes na luta para que mais mulheres tenham condições concretas de disputar e vencer eleições. O machismo estrutural na política – ideia ultrapassada de que política é coisa de homem – ainda afasta muitas mulheres dos pleitos, e é contra isso que seguimos enfrentando e avançando”, destacou a vereadora, ao complementar que recebeu vários convites para disputar o pleito de 2026.




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